VINTE MIL PESSOAS APLAUDIRAM DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA, SUCESSO COMPLETO

Por Zé Domingos

Como estamos em pleno  Carnaval vamos abordar assuntos relacionados ao “Reinado de Momo” em Curitiba. Dissemos em várias oportunidades que a festa de Momo é mantida em nossa cidade pela dedicação de alguns idealistas e isto se provou quando do desfile de blocos e escolas de samba no sábado (18) na Avenida Candido de Abreu – Centro Cívico. Felizmente um bom público foi prestigiar estes idealistas que não se curvam com as barreiras e desafios de ser Curitiba uma cidade avessa ao Carnaval. O tempo ajudou com uma noite aberta, quente de céu estrelado, maravilhoso. Com isto os sambistas puderam mostrar alegria e arte em grande estilo.

Àqueles que foram ao desfile ou o acompanharam no excelente trabalho da “É Paraná” – (TV Educativa – Canal 9) viram um bom espetáculo. Os que assistiram pela televisão estatal como nós ainda tiveram a satisfação de seguir informações do litoral de Antonina, um dos mais movimentados carnavais do Estado, das praias e de Tibagi tradicional cidade paranaense da região dos Campos Gerais, região metropolitana de Ponta Grossa que de ano para ano apresenta espetáculos do melhor nível. Muita gente está em Tibagi acompanhando os desfiles, bailes e shows carnavalescos fazenda com que a pacata cidade fique agitada..

Notamos que as escolas de samba de Curitiba se superaram e algumas impressionaram pela beleza, riqueza das fantasias, excelentes baterias, comissões de frente com apresentações especiais, ótimos passistas, lindas mulheres, enfim um grande show. Difícil definir qual a melhor até que desfilou a Mocidade Azul, justamente a ultima que homenageando a médica Dra. Zilda Arns apresentou um show a parte. Sensacional.

Durante anos acompanhamos o Carnaval de Curitiba inclusive participando de comissões organizadoras e assim sabemos de histórias e estórias de nosso Carnaval. Ficamos tristes da não alusão na transmissão quando duas figuras emblemáticas de nosso Carnaval foram mostradas em destaque pela Escola de Samba Embaixadores da Alegria, outra que relembrando o extraordinário jornalista Aramis Milarchi e escolas de samba que desapareceram como Colorados, Não Agite, Sapolandia, Dom Pedro II e as não citadas como Asas da Alegria, Bola Preta, Foliões da Mocidade, Aristocratas do Ritmo, Unidos do Boqueirão e outras.

Referimo-nos a Ismael Cordeiro, o mestre Maé que durante anos comandou a bateria nota 10 da escola da qual foi um dos fundadores e um dos batalhadores durante anos a Colorados chegando a ganhar o titulo de “Cidadão Samba” e Nei Souza, que mais tarde adotou o nome artístico de Ney Souzah, um dos mais destacados nomes do Carnaval de Curitiba, levando-o através o desfile de lindas fantasias por ele criadas, feitas e apresentadas com sucesso nacional e internacional.

Ganhou vários concursos quando estes eram destaque especialmente nos grandes bailes realizados no Rio de Janeiro com ampla cobertura de redes de televisão e diferentes veículos de comunicação. Sobre Ney e Ismael (Maé) apresentamos matérias específicas neste nosso espaço, já que realmente são pessoas marcantes na história da cidade.

Não culpamos os apresentadores porque possivelmente são jovens e não conheceram estas figuras, mas alguém deveria informá-los. Tanto o narrador cujo nome registramos Rodrigo e o comentarista bem ilustrado, conhecedor do metier, com excelentes observações em todos os itens cujo nome não guardamos foram precisos em vários detalhes do desfile orientando bem ao público. As repórteres também bastante espertas e atuantes, tanto em Curitiba quanto nos postos fora da capital.

Ismael Cordeiro possivelmente com 85 anos e Ney Souzah  mereciam uma citação especial porque fazem parte da história de nosso carnaval. Também não pode ficar sem citação José Cadilhe de Oliveira o precursor da Embaixadores da Alegria a mais antiga de nossas escolas se não estamos enganados com 64 anos de desfiles. Também não pode ser esquecido o casal Delcy e Edson D’Avila que assumiu a Embaixadores e com muita garra a manteve. Os filhos e netos de Delcy e Edson um casal circense procedente do Rio Grande do Sul que se estabeleceu em Curitiba trabalhando em rádio e televisão, inclusive  conosco na Rádio Clube Paranaense – B – 2, como componentes do elenco de rádio teatro dão seqüência as suas ações e vão mantendo como muito sacrifício a tradição daquela escola que surgiu nos salões da Sociedade Thalia depois passando pelo Juventus, clube em que o Dr. Cadilhe foi muito ligado.

Zezo como era chamado o Dr. José Cadilhe de Oliveira foi um dos mais alegres carnavalescos de Curitiba e durante os muitos anos que desfilou não teve o prazer em ver sua escola como campeã. Fez grandes desfiles, arrancou aplausos da platéia, mas ficava quando muito com a segunda colocação. Depois de Dr. Cadilhe afastar-se e falecer daí a Embaixadores chegou ao titulo de campeã.

Também ouvimos que a Mocidade Azul surgiu de uma torcida organizada do Pinheiros e isto não é verdadeiro. A Mocidade Azul veio da Escola de Samba Dom Pedro II que substituiu a Asas da Alegria, uma escola que surgiu entre membros da Aeronáutica com o sempre lembrado vereador Lauro Carvalho Chaves, o Baio que durante várias gestões representou o povo junto a Câmara  Municipal de Curitiba e que realizava seus ensaios na sede do Ícaro Atlético Clube, no Bacacheri, sendo um dos lideres. Lauro foi nosso colega na Câmara de Curitiba e nos recordamos quando o Carnaval se aproximava ficava agitado anunciando que iria desfilar em escolas do Rio de Janeiro. Era um entusiasta por Carnaval e festas em geral.

Quando o Ícaro resolveu não ceder mais seu espaço a Asas da Alegria desapareceu e alguns de seus componentes resolveram seguir e buscaram apoio junto a Sociedade Dom Pedro II onde foram bem recebidos. A escola ficou ali durante alguns anos quando também a direção do clube resolveu parar com a escola e esta seguiu a vida transferindo-se para o Esporte Clube Pinheiros que lhe cedeu espaço para ensaios junto a um salão próximo do parque aquático. Assim para homenagear o clube azul e branco surgiu o nome Mocidade Azul que logo com o entusiasmo de Osvaldo (Afunfa – recentemente falecido e que deveria também ser homenageado como um das expressões de nosso Carnaval), Charrão, Amauri, Jubal, Zuzu, Noli, Alamir (atual presidente), Marino, Vilmar e tantos outros tornou-se uma de nossas maiores escolas de samba conseguindo vários títulos.

Os anos passaram e alguns dos lideres se afastaram pelo avanço da idade, outros por motivos diversos e outros foram para o andar superior como Charrão e sua esposa que chegou a ser presidente da escola levando-a para a Fazendinha, comunidade São Fernando – Santa Monica, onde residia. A escola até hoje está lá, isto já há alguns anos.. Inclusive neste ano no samba enredo alusão ao bairro.

Surgiram percalços, fases difíceis e acompanhamos de perto. Em algumas procuramos ajudar dentro do possível para contornar algumas situações, mas houve um momento que não teve como segurar e a escola ficou fora do Carnaval de 2.007 a 2.010 e mesmo com as dissidências que apareceram outras escolas uma a Leões da Mocidade, comandada pelo Vilmar, com sede no Boqueirão, que fez ótimo desfile, outra a Acadêmicos da Realeza, que também fez excelente desfile neste sábado (18), a Mocidade Azul deu a volta por cima e retornou em grande estilo ganhando o titulo do ano passado.

         O desfile foi perfeito por parte das cinco escolas do grupo A e também as da B deram show merecendo aplausos. O concurso foi tão concorrido que terminou empatado entre Mocidade Azul e Acadêmicos da Realeza e na série B Unidos do Bairro Alto. Esta escola no próximo ano estará no grupo de elite.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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