QUATORZE DE FEVEREIRO DIA DA AMIZADE
Por Zé Domingos
Ao abrir as inúmeras mensagens recebidas nestes ultimas horas me deparo com uma que me chamou atenção encaminhada pela Juliana Lívia Bortolin da Legião da Boa Vontade – LBV em que ela apresenta o comentário de Paiva Neto sobre 14 de fevereiro – DIA DA AMIZADE. O titulo da matéria também me chamou atenção – AMIZADE A MINHA RELIGIÃO”. È um artigo de alto alcance postado neste espaço. Mas a referencia sobre o Dia da Amizade, me leva a inúmeras reflexões e me faz lembrar de pessoas realmente amigas, companheiras, solidárias, sempre dispostas a ser prestativas para como o próximo. Esta informação me faz lembrar que vinte de julho é o “Dia Internacional da Amizade” e segundo as pesquisas do companheiro Zigmundo Czajkowski – Zig – esta comemoração foi criada pelo dentista, professor e músico argentino Henrique Ernesto Febbraro, durante o auge da corrida espacial da década de 1.960, que inspirado na chegada do homem á lua, considerava que a conquista não era somente uma vitória cientifica, mas também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo.
O dia do amigo foi adotado em Buenos Aires, Argentina com o decreto 235/79, sendo que foi gradualmente adotado em outras partes do mundo. Assim durante o ano o argentino divulgou o lema “meu amigo é me mestre, meu discípulo e companheiro”.
Vinte de julho “Dia da Amizade Internacional”, “Dia Mundial do Amigo” é realmente uma data especial, principalmente quando se observa que a “Amizade” está cada vez mais distante. O dia 14 de fevereiro também comemora a amizade, aliás, felizes daqueles que tem amigos e por isto amizade tem que ser comemorada todos os dias. Amizade é algo que não se compra, se conquista, se faz e se preserva. Por isto entendo que todos os dias são dias da AMIZADE.
Nos dias atuais diante a competitividade apresentada pela vida, o constante corre-corre, as disputas cada vez mais acirradas, quando os princípios de respeito, lealdade, cordialidade, parceria, companheirismo e outros que solidificam uma amizade estão praticamente ausentes é difícil se abordar a amizade em toda a sua extensão. Poucos são os que a prezam e a consideram superando preconceitos, interesses pessoais, enfim pontos que desfazem este sentimento maravilhoso chamado “AMIZADE”.
Há algum tempo o companheiro Marcelo D’Amico ME encaminhou um texto realmente notável, de uma profundidade a toda prova e assim quando comemoramos mais um “Dia da Amizade” o divulgo para que o leia com atenção e medite. Mais do que nunca precisamos fortalecer a amizade, pois é fundamental em nossas vidas.
Um dia, durante uma conversa entre Advogados, me fizeram uma pergunta:
“O que, de mais importante, você já fez na vida?”
A resposta me veio na hora, mas não foi a que respondi, pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de Advogado da Indústria do Espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades. Mas, aqui vai a verdadeira, a que surgiu das profundezas das minhas recordações.
O mais importante que já fiz na minha vida ocorreu em 08 de outubro de 1.990. Comecei o dia jogando golfe com um ex colega e amigo, que há muito não via. Entre uma jogada e outra, conversamos a respeito do que acontecia na vida de cada um.
Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê, enquanto jogávamos chegou o pai de meu amigo e consternado lhe diz que seu bebê parou de respirar e que foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.
Por um momento fiquei onde estava, sem pensar, nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital?
Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada, pois a criança certamente estava sob cuidado de médicos, enfermeiras e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.
Oferecer meu apoio moral?
Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse a única coisa que faria indo até lá era atrapalhar.
Decidi que mais tarde iria ver meu amigo. Quando dei a partida no meu carro, percebi que meu amigo havia deixado seu carro aberto com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. Decidi então fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.
Como imaginei a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunica o falecimento do bebê.
Durante os instantes que ficaram abraçados, a mim pareceu uma eternidade, choravam, enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silencio de dor. O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e encaminharam-se resignadamente até a porta.
Ao me ver ali aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou nos meus braços e me disse –
“MUITO OBRIGADO POR ESTAR AQUI”.
Durante o resto da manhã fique sentado na Sala de Emergência, do hospital vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida. Aquela experiência me deixou três lições –
PRIMEIRA – O mais importante que fiz na minha vida ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na Universidade, nem nos anos que exerci a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu para aquela circunstancia:
Duas pessoas receberem uma desgraça e nada poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.
SEGUNDA – Estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida, esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na Universidade, nos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como faço na profissional. Ao aprender a pensar quase me esqueci de sentir. Hoje não tenho dúvida alguma de que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar meu amigo ao hospital.
TERCEIRA – Aprendi que a vida pode mudar em um instante intectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real, como se não houvesse espaços para outras ocorrências.
Mas, ao acordarmos de manhã esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro em um piscar de olhos. Para alguns é necessário viver uma tragédia, para colocar as coisas em perspectiva.
Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja compensa perder umas férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família. E aprendi que o mais importante da vida, não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras, o mais importante é ter tempo para cultivar uma amizade.
Não deixe seus amigos sem saber disso, eu não deixei você.
Esta mensagem foi assinada por um advogado não identificado e encaminhada pelo Marcelo D’Amico, a quem agradeço.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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