OS MUITOS CAMPOS DE FUTEBOL FORAM SUMINDO E OUTRAS COISAS BOAS TAMBÉM
Por Zé Domingos
Ao chegar em Curitiba nos idos de 1.953 por onde passava me deparava com campos de futebol, alguns em tamanho oficial, outros pequenas as chamadas canchas de peladas de hoje e em todos inúmeros garotos jogando. Praticamente durante todo o dia sempre havia alguém batendo bola. O futebol, os jogos de bolinhas de gude, bilboquê, do bafo, a troca de figurinhas de coleções como das balas Zequinha eram complementos para a principal brincadeira dos garotos que era mesmo jogar futebol. Em alguns campos traves eram improvisadas até mesmo com a colocação de peças de roupas, pedaços de pau ou qualquer outro objeto para demarcar que ali era a trave.
Nas proximidades de casa havia vários campos, mas o único oficial era o do Poty Sport Clube, disputante de campeonatos amadores promovidos pela Federação Paranaense de Futebol. Na hoje travessa Teixeira de Freitas seqüência da Alameda Cabral havia o campo do Paranazinho. Era gramado, espaçoso e com traves. Atuavam nove jogadores para cada lado incluindo o goleiro, depois diminuíram o número para oito para dar mais condições de jogo. O Paranazinho era um time formado por rapazes da região e muito bom, tanto que alguns de seus jogadores alcançaram sucesso como profissionais com destaque especial para Altemir que atuou durante anos no Grêmio Portoalegrense tendop iniciado sua carreira no futebol amador de Curitiba pelo Celeste, do Bigorrilho, passou pelo Juventus e pelo Atlético Paranaense para em seguida bandear-se para Porto Alegre onde ficou vários como titular da ala direita do Grêmio. Outro que brilhou foi Adilson ponteiro direito que do Paranazinho foi para o Juventus, do Batel e deste para Fluminense do Rio de Janeiro onde após rápida passagem foi negociado com o futebol mexicano onde atuou durante vários anos, sendo inclusive astro de cinema.
No mesmo Paranazinho tinha Toninho Madrugada um excelente centro avante que atuou pelo Juventus e só não avançou no futebol face ao qaue está explicíto em seu apelido Madrugada. Gostava muito da noite e das bebidas também. Mas era um craque. No Paranazinho havia bons jogadores. Depois o time desapareceu e quem tomou conta do campo foi o Aimoré um time formado por Eros, Zé Domingos e os irmãos Bodachene, Luiz e Fernando. Fomos reunindo mais meninos e fizemos o time. O mesmo grupo do Aimoré fez depois um campinho no terreno conhecido por chacrinha nos fundos das propriedades das famílias Zanier, proprietária de uma fábrica de refrigerantes defronte ao Passeio Público e Teixeira de Freitas, onde com o passar dos anos foi contruida a sede da TELEPAR. Campos como do Paranazinho, do Aimoré e da chacrinha eram comuns em todos os cantos da cidade e ali a garotada fazia seus rachas. Nos tempos de férias praticamente o dia inteiro se jogava futebol, as vezes até mesmo debaixo de chuva (era muito bom).
Na esquina da Prudente de Morais com a Padre Anchieta Levi Morais, Simão Saporiti Siqueira, Marcos e eu formamos o Marumbi e usamos o terreno vago naquela esquina para fazermos o nosso campinho. Os meninos tinham a iniciativa de se organiza em grupos e com ferramentas trazidas de casa arrumar o terreno transformando-o num campo. Era normal isto, pois os terrenos vagos eram inúmeros. Na Martin Afonso entre Alameda Cabral e Rua Visconde de Nácar ao lado da propriedade da família Kaluf havia um terreno vago e ali o pessoal de um time chamado Santa Cruz fez o seu campo. Foi o primeiro caminho que conhecia em Curitiba e ali residi anos depois no Edifício Martin Afonso. Os edifícios foram surgindo, a cidade foi crescendo assustadoramente e os campinhos foram desaparecedndo como o ocorrido com o campo da Cruzada localizado num terreno nos fundos da igreja de Nossa Senhora das Mercês, o campo do Floresta, onde hoje está a sede da RPC nas Mercês, mais adiante perto de onde mais tarde foi construído o complexo de comunicações liderado por Paulo Pimentel havia o campo do União Mercês, que chegou a disputar campeonatos oficiais e realizou festas juninas. Havia muitos campos.
De clubes participantes de campeonatos daqueles anos 50, 60, 70 e até 80 lembro dos campos do Clube Esportivo Belmonte, onde hoje está o Colégio Lamenha Lins, do Cinco de Maio, defronte ao Estádio Joaquim Américo hoje Praça Afonso Botelho de Souza, do campo da saibreira do Vasco da Gama, nos fundos da sede até hoje localizada na Rua Tapajós, do Palestra Itália, depois do Flamengo e do Bom Retiro, na Rua Nilo Peçanha, onde local de um supermercado, campo na região do Centro Cívico do Palestra Assungui, do Operário Mercês perto do bar Marcassa onde inclusive eram realizadas festas juninas, do Botafogo e do Pinheirão em terrenos próximos ao Colégio Marcelino Champagnat depois Faculdade Tuiti, do Rancho Alegre, na Vila São José – Passaúna, do Paissandu, do Tupinambá e do Diagonal no Boqueirão, do Continental, no Cajurú, do Estrela Dalva, também no Cajurú o time do Padre proprietário do famoso Bar do Padre, que continua até hoje, do Grêmio Esportivo Centenário, do Jair Adam, na Vila Centenário e tantos outros.
Naqueles tempos os meninos e os adolescentes eram felizes e não sabiam. Havia amizade, respeito e consideração, praticamente todos se conheciam pelo nome e as rfeuniões para bate papo entre vizinhos eram constantes. Os times de bairros eram formados por moradores da região, havia uma identificação e uma dedicação ao clube. Enfim era tudo diferente e com certeza melhor do que os dias atuais. Podem me chamar de saudosista, aliás, tenho orgulho disto porque “RECORDAR É VIVER”.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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