OS ENGENHEIROS REBOUÇAS : IRMÃOS ANDRÉ, ANTONIO E JOSÉ REBOUÇAS
Por Antonio Pedro Flores Amaral
Nascidos na Bahia, André Pinto Rebouças (1838-1898), Antonio Pereira Rebouças Filho (1839-1874) e José Rebouças, filhos do deputado mulato, autodidata Antonio Pereira Rebouças, que adquiriu direitos de advogado e a mãe, a negra dona Carolina Pinto Rebouças. Em 1.846 o pai foi eleito deputado e a família transferiu-se para o Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro o pai passou a ser conselheiro do Império.
1º – André Rebouças, o mais brilhante e atuante dos irmãos Rebouças. Preparou-se nos estudos na Escola Militar da Praia Vermelha, chegando a 2º tenente no Curso de Cadetes. Depois foi transferido e formado Engenheiro Civil pela então Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Com o diploma na mão (1861-1862) foi a mando do governo imperial juntamente com seu irmão Antonio também formado para a Europa, Inglaterra e França, onde se especializaram na Mecânica de Solos, de ferrovias e portos de mar. Ao todo foram nove anos de estudos de Engenharia.
De volta ao Brasil com seu irmão Antonio é recebido na Corte por Dom Pedro II e membros do governo. Ambos recebem ½ carta branca para alavancarem o país nos caminhos de ferro e aço. André Rebouças com seu irmão Antonio começa por suas planilhas a todo vapor para a construção de obras pesadas. Em 1.865 foi convocado para a Guerra do Paraguai (1865-1870) como Engenheiro, onde lutaram entre outros brasileiros, argentinos e uruguaios, o Conde D’eu e o senador de ferro gaúcho Pinheiro Machado. Teve varíola, epidemia comum na Guerra. Deu baixa em um ano.
A Guerra do Paraguai praticamente dizimou o bravo povo guarani que tinha sua população quase cem por cento alfabetizada e fabricava desde agulha até a construção dos primeiros caminhos de ferro da América Latina. André Rebouças na volta da Guerra construiu: as docas do Rio, os portos do Nordeste e dezenas de obras pesadas, novas e emergências como o saneamento básico de água no Rio de Janeiro. Bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, falava fluentemente português, inglês e francês. Foi professor, jornalista e um dos principais intérpretes do Império, para receber visitantes estrangeiros. Politicamente segundo os principais abolicionistas, entre outros, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, André Rebouças influenciava todo o movimento abolicionista. Quem vos escreve acresce – ele foi a alma Divina da abolição. Com a queda do monarquismo dia 15/11/1889, André Rebouças partiu voluntariamente no mesmo navio da família Real para Portugal.
A morte de Dom Pedro II, seu grande amigo, em 1891 provocou-lhe distúrbios emocionais. André Rebouças partiu para a África, numa jornada quixotesca, que o levou à Moçambique e Zanzibar, onde alimentava o plano de vestir toda uma população de 300 mil habitantes. Achava que o projeto salvaria as fábricas da Europa da bancarrota,
André Rebouças morreu solitário sobre uma grande pedra em frente do mar na Ilha da Madeira, Portugal. Não estava apenas só, estava também pobre e amargurado. Conseguira atingir o maior objetivo de sua vida, a escravidão, enfim, fora abolida no Brasil. Mas o custo lhe pareceu alto demais, pois venerava a família Real. Rebouças sabia que a abolição fora uma das causas da Proclamação da República e a República é claro destronara os monarcas.
2º Antonio Rebouças – o mais próximo dos paranaenses, tanto quanto seu irmão André teve brilhante passagem pela Escola Militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro nos cursos de oficial do Exército como tenente sempre obtinha o 2º lugar na Escola de Cadetes. Formou-se Engenheiro Civil na antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Para aperfeiçoamento foi para Europa, Inglaterra e França, junto com o irmão André. Lá se especializou em caminhos de ferro e aço. Igual a André foram nove anos de estudos de engenharia.
De volta ao Brasil depois de receber cumprimentos da Corte Imperial começou a trabalhar com afinco em suas especialidades profissionais. Percorreu quase todo o Brasil e parte da América do Sul observando obras. Em 1862 Antonio Rebouças é nomeado supervisor de obras pesadas de Santos – São Paulo, Paranaguá – Paraná e Santa Catarina num todo. Em 1865 apresentou-se para ir lutar na Guerra do Paraguai, mas foi impedido pelo governo pela necessidade de tocar obras no Brasil. Em 1874 o notável engenheiro recebe nova nomeação agora como chefe das obras da Estrada da Graciosa, na província do Paraná, litoral, serra. Estrada que hoje é o cartão de visita do litoral paranaense, uma beleza sem par na serra do mar
Antonio Rebouças contou que a ideia original da construção da ferrovia Paranaguá a Curitiba, verdadeira obra de arte de Engenharia foi de seu irmão André Rebouças. Obviamente então Antonio mapeou os caminhos de ferro idealizados pelo irmão e levou o mapa para a Corte Imperial, para estudos e devida aprovação. Isto bem antes de ser nomeado chefe da Estrada da Graciosa, lá por 1870, por que em janeiro de 1871, Dom Pedro II recebeu André e Antonio na Corte para comunicar a autorização da construção. Diante da autorização de Dom Pedro II, a engenharia mundial vetava a obra, consderando-a impossível de ser realizada. Infelizmente para o notável engenheiro Antonio Rebouças a monumental obra idealizada pelo irmão André ficou no papel, na planta.
O engenheiro Antonio Rebouças é chamado às pressas à São Paulo, interior do Estado, Campinas, Limeira e São João do Rio Claro para inspecionar obras daquelas cidades paulistanas, Contraiu uma epidemia da região paulista e faleceu no dia 26 de maio de 1.874. O jornal Novo Mundo noticiou o falecimento do extraordinário engenheiro. Antonio Rebouças tinha 34 anos, no auge da vida, casado com membro de tradicional família, o sogro era advogado e deixava a esposa e um casal de filhos.
A ferrovia Paranaguá-Curitiba considerada até os dias atuais a mais temerária idealização e obra da engenharia nacional, vencendo profundos abismos da serra do mar, credita aos engenheiros negros André e Antonio Rebouças, em pleno regime escravagista no Brasil Imperial, apesar da morte de Antônio Rebouças foi iniciada. Giuseppe Ferrucini construiu 45 quilômetros de ferrovia desistindo indo fazer coro com e engenharia contrária à obra. Porém, dois jovens engenheiros brasileiros – Teixeira Soares e Pereira Passos levaram a cabo os caminhos de ferro. Assim no dia 2 de fevereiro de 1.885 a condenada ferrovia de 110 quilômetros foi inaugurada. Dom Pedro II sob todos os aspectos foi juntamente com André Rebouças e Antonio Rebouças o astro principal da ferrovia, da planta a construção. O imperador jamais titubeou ante a pressão internacional contrária a realização da fabulosa ferrovia.
HOMENAGEM PÓSTUMA
Curitiba a bela capital dos paranaenses, não esqueceu e nunca esquecerá os engenheiros irmãos: André Rebouças e Antonio Rebouças, como lembrança temos na capital o bairro Rebouças, um dos principais da cidade, uma rua que leva os nomes dos notáveis engenheiros, Rua Engenheiros Rebouças. Como principal referencial a rua tem dois estádios de futebol: Estádio Durival Brito e Silva do Paraná Clube, mundialmente conhecido por ter sediado jogos da Copa do Mundo no Brasil em 1950 e o Estádio Joaquim Américo do Atlético Paranaense, hoje mais conhecido como Arena do Atlético. A exemplo do Durival Brito e Silva ficará mundialmente conhecido, pois sediará jogos da Copa do Mundo no Brasil em 2014.
3º - José Rebouças – um ilustre engenheiro ferroviário quase desconhecido nacionalmente em relação aos irmãos André e Antonio. De altas qualidades técnicas e morais. Foi diretor da Mojiana caminhos de ferro que liga os Estados de São Paulo e Minas Gerais. Passou quase toda a vida embrenhado em sertões desconhecidos. Construiu estradas de ferro, estações nas cidades e subestações de trem nas vilas. De Dom Pedro II, o brilhante tocador de caminhos de ferro do Brasil Imperial a JK abrindo o país na construção de estradas de rodagem, o Brasil teve extraordinários engenheiros.
Com Dom Pedro II os engenheiros irmãos Rebouças – André, Antonio e José, mais dezenas de abnegados profissionais, com JK no Brasil republicano, centenas de grandes engenheiros construindo milhares de quilômetros de estradas de rodagem, para citar apenas dois , os arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer (ainda) o construtor dos edifícios da nova capital chamada de NOVACAP, construindo milhares de quilômetros de estradas em apenas cinco anos.
Senhores, Senhoras leitores finalmente chegamos ao final de nossa história dos irmãos Rebouças. Agradecemos a todos que contribuíram para a feitura desta matéria. As pessoas que nos incentivaram solicitando estes trabalhos. Isto foi muito importante porquê nos deu ânimo e alegria durante a jornada.
Muito Obrigado
Antonio Pedro Flores Amaral
(Escritor e Historiador)




zair l.l.schuster disse:
fevereiro 17th, 2012
22:10
O nome do engenheiro Antonio Rebouças Filho está intimamente ligado à história do serviço de água de Curitiba. Foi dele o projeto (e obras) do primeiro encanamento de água de Curitiba. O projeto começou a ser planeado em 1870, algum tempo depois que Rebouças passou em companhia do então presidente da Província (Venâncio Lisboa)junto à uma fonte que nascia no então Olho d’Água, ou Campo da Cruz das Almas, ou Praça da Misericórdia (atual Rui Barbosa).Na ocasião surgiu a idéia de se fazer o aproveitamento desse manancial de águas limpas. Venâncio Lisboa pôs fé na capacidade do engenheiro Antonio Rebouças Filho. Do projeto, fez parte a construção do Primeiro Chafariz de Estilo de Curitiba que a população pode ver na atual Praça Zacarias. Pelo projeto de Antonio Rebouças Filho, a água viria por gravidade através de um encanamento de cobre (peças importadas) desde a então Praça da Misericórdia até o Largo da Ponte, atual Praça Zacarias. Os estudos (projeto) de Rebouças demandaram seis meses. Já em maio de 1871, estavam soldados os primeiros 21 tubos de conexão. Os tubos de cobre e as torneiras vieram da Europa. No dia oito de setembro de 1871, dia da Padroeira de Curitiba, a obra foi inaugurada. Além da população, quem muito se beneficiou com esta obra de Antonio Rebouças Filho foram os aguadeiros (ou pipeiros) que durante 40 anos levavam água para as residências dos curitibanos.