O HISTÓRICO DO CORAJOSO E PATRIOTA TENENTE ANTONIO DE SIQUEIRA CAMPOS
Por Antonio Pedro Flores Amaral
O tenente Antônio de Siqueira Campos (Rio Claro – São Paulo – 1898 a 10 de maio de 1.930) foi um dos mais brilhantes e destacados oficiais das Forças Armadas do Brasil Republicano, na década de 1920 a 1.930. Siqueira Campos morreu num acidente aéreo quando retornava do Uruguai ao Brasil em maio de 1.930, antes da Revolução de 1.930, quando a aeronave em que estava caiu no rio da Prata. Faleceu na plenitude da idade quando certamente tinha muito a dar de si pela coragem e experiência a Pátria que tanto amava.
Matriculado na Escola Militar do Realengo – Rio de Janeiro, antiga Escola Militar da Praia Vermelha, época do Império. A mesma escola que foi a essência de formação golpista, positivista de jovens oficiais para a derrubada de Dom, Pedro II e Imperador do Brasil em 15 de novembro de 1.889. Siqueira Campos formou-se tenente de Artilharia na turma de 1.920, na qual entre outros formandos estavam Luiz Carlos Prestes, tenente engenheiro e o tenente Eduardo Gomes. Este com Siqueira Campos os dois sobreviventes dos 18 do Forte de Copacabana em 05 de julho de 1.922. Foi aluno exemplar 100%.
Em 1922 oficiais do Exército eram humilhados pelo Presidente da República do Brasil Venceslau Braz. O Clube Militar fora fechado. O Marechal Hermes da Fonseca fora preso por um dia. Artur Bernardes segundo os militares fraudara as eleições e só por isso tinha vencido o pleito contra Nilo Peçanha o candidato dos militares e Borges de Medeiros “a raposa dos pampas”.
Era preciso fazer algo e o mais rápido possível. Por este motivo a “procissão” ia sair. Quando então um formigueiro de soldados, cabos, sargentos e oficiais, marchariam até o Palácio do Catete para tomar de assalto o Poder Central, depondo o presidente Venceslau Brás para impedir a posse de Artur Bernardes. Quem liderava a tropa era o capitão Euclides Hermes, filho do Marechal Hermes da Fonseca, com auxílio de vários tenentes entre os quais Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
A uma hora da manhã de 05 de julho de 1.922 um dos canhões do Forte de Copacabana foi disparado – era a senha para os demais portos do Rio de Janeiro aderirem ao levante. Mas o tiro de pólvora seca ecoou solitário pela baía. As outras guarnições desistiram de juntar-se a Conspiração. “Fomos traídos” gritou o tenente Siqueira Campos.
“Perdemos a revolução só resta nos entregarmos como covardes ou saímos lutando por ai”. Ao amanhecer depois de extensos combates com as forças leais ao governo, o Forte de Copacabana foi bombardeado por dois encouraçados da Marinha e cercado por terra, com o respaldo de aviões militares. “Não queremos levar ninguém ao suicídio” voltou a dizer Siqueira Campos. Estamos cercados por quatro mil soldados. Quem quiser abandonar o forte deve fazê-lo agora. “Dos 301 homens, 273 deixaram a guarnição. Os demais 28 restantes estavam prontos para tudo.
O capitão Euclides Hermes da Fonseca vai ao Catete negociar com o Ministro da Guerra. Chegado lá é preso. No forte seus companheiros dividem a bandeira do Brasil em 28 pedaços e decidem sair às ruas seguindo em direção ao palácio do governo. Começa a Marcha da Morte. Lentamente, armados e de peito estufado, eles caminham pela Avenida Atlântida. Na altura do Hotel Londres restam apenas 18 os demais desertaram. A eles junta-se um transeunte civil o engenheiro civil gaucho Otávio Correia, grande amigo de Siqueira Campos e recebe dele um fuzil e o ultimo pedaço da bandeira que pertencera ao forte e era destinada ao major Euclides Figueiredo. Otávio era proprietário da maior fazenda de criação de Quarai (RS).
Nas ruas laterais quatro mil soldados aguardam as ordens para enfrentá-los. Ouvem-se alguns tiros e agora são apenas dez os homens
que marcham para a morte entre eles Correia. Uma nova saraivada de tiros e oito cadáveres jazem no chão da avenida. Sobrevivem gravemente feridos apenas os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes – justamente os dois lideres do movimento que entraria para a história com o nome “Os 18 do Forte”.
No inicio da revolta articulada por Borges de Medeiros (RS) e Nilo Peçanha (RJ) o nome da revolução era “A REAÇÃO REPUBLICANA”. No fim transformando-se em “OS 18 DO FORTE DE COPACABANA”. Realmente uma quixotesca revolução. Do impossível contra o possível.
Siqueira Campos exilado em Buenos Aires, em 1.924, retornou clandestinamente ao Brasil e retomou as atividades revolucionárias sublevando com Juarez Távora uma guarnição do Exército em São Borja (RS). Em seguida juntou-se com um grupo de rebeldes liderados por Luiz Carlos Prestes que haviam se levantado contra o governo em outros pontos do interior gaúcho. Derrotados por Borges de Medeiros e Flores da Cunha, seguiram para o Paraná mais precisamente para Guaira onde se juntaram as forças que haviam sublevado a capital paulista sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e pelo major da Força Pública paulista Miguel Costa e lá instalaram um quartel general.
Da junção desses dois agrupamentos em abril de 1.925 surgiu o principio da Coluna Miguel Costa – Prestes depois simplesmente Coluna Prestes. Siqueira Campos foi coordenador do 3º Destacamento Revolucionário das quatro colunas organizadas por Prestes por mais de três anos percorrendo mais de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil em campanha épica contra o governo de Artur Bernardes.
Siqueira Campos cumpriu difíceis missões, garantindo a movimentação das tropas revolucionárias. No Maranhão foi responsável pelo afundamento do navio que conduzia tropas do governo federal. Participou de muitos combates no nordeste, lutando até o final da Coluna Prestes.
HOMENAGENS PRESTADAS A SIQUEIRA CAMPOS EM ESTADOS DO BRASIL –
Rio de janeiro (1) a rua Barroso foi rebatizada com o nome de Rua Siqueira Campos. Na esquina desta rua com a Avenida Atlântida tem uma enorme estátua representante o Tenente Siqueira Campos. (02) O metrô carioca também homenageou o tenente dando a estação do Posto 3 de Copacabana o nome de Estação Siqueira Campos.
São Paulo (03) seu nome batiza o Parque Siqueira Campos, mais conhecido como Parque Trianon ou Parque do Trianon.
Belém do Pará (04) A Praça do Relógio leva o nome de Siqueira Campos, consiste em quatro luminárias em um relógio central importado da Inglaterra.
Paraná (05) e no estado do Paraná existe alguma homenagem ou algumas homenagens prestadas ao tenente Siqueira Campos? Respondo, existe sim. Mas esta homenagem deixei como um dos fechos da matéria porque? escrevi ela especialmente ao estimado amigo : José Domingos Borges Teixeira (Zé Domingos), jornalista, radialista, assessor do Presidente da Câmara Municipal de Curitiba João Cláudio Derosso. Não vou enaltecer as qualidades pessoais do amigo José Domingos, deixando em aberto para que outras pessoas o façam.
Escutando a Rádio Continental ouvi ele dizer ter nascido em Siqueira Campos e de lá saiu com seus familiares com quatro anos de idade para morar em Curitiba, com passagem por Castro dos quatro aos quase dez anos, Então pensei vou escrever uma matéria dedicada ao amigo sobre a figura maior da cidade – O tenente Siqueira Campos que dá o nome a sua cidade Natal. Portanto senhores, leitores jovens e idosos o Estado do Paraná tem uma homenagem a Siqueira Campos, cuja carreira política e militar explanei no curso dos escritos. Do além, certamente uma mão forte zela pela cidade.
José Domingos entre seus inúmeros amigos permito-me mencionar apenas um, refiro-me ao também amigo Manoel Fernandes, militar reformado Exército, colega de reforma de dois irmãos meus – O capitão Diógenes Flores Amaral (1922) e o 1º tenente Libanio Flores Amaral (1933) Santiago – Rio Grande do Sul. O Maneco como é conhecido trabalha com afinco dia e noite nas rádios da capital. Ele sabe tudo de esporte e de seu querido Paraná Clube. Avante Manoel. A Copa vem ai.
Finalmente meus sinceros agradecimentos, todo especial a um amigo de coração de todas as horas, de todos os dias. Como diriam os antigos alfaiates “a sua fatiota está ali alinhavada”. Esta matéria estava neste pé e o bom amigo forneceu os dados finais para complementação que aqui está viva.
Autor – Antonio Pedro Flores Amaral
Escritor, historiador
Frase dita por Siqueira Campos – “A Pátria tudo se deve dar, sem nada exigir em troca, nem mesmo compreensão”.



