O GRAN CIRCUS NORTE AMERICANO
Por Zé Domingos
Todos sabem de minha paixão por circo, inclusive imaginei ser um grande artista, mas não passei de locutor apresentador, aliás, ainda praticamente menino de 12, 13 anos. Primeiro no Circo Irmãos Queirolo, que percorria bairros de Curitiba e depois no Sud American Circus, da família Candal do Rio Grande do Sul, com quem viajei por várias cidades. As saudades de casa bateram e voltei para o lado de Dona Alcina, do Seu João Dario e dos irmãos Nice e Luiz Fernando, daí o Circo Irmãos Queirolo de novo, o serviço de alto falantes e o rádio, ingressando na Rádio Clube Paranaense – B – 2 com 14 anos. Mas, sempre gostei muito de circo, inclusive quando vereador e deputado estadual era dado como representante da classe e sempre ajudando os circos que chegavam em Curitiba. Um dos circos com que colaborei foi o Norte Americano, da tradicional família circense Stevanovich.
Fiz este intróito para destacar a seguir uma reportagem apresentada na recente edição do jornal CULT, em que é destacado exatamente o GRAN CIRCUS NORTE AMERICANO. A matéria é esta:
No ultimo dia 17 de dezembro a maior tragédia da história circense do Brasil – o incêndio na Gran Circus Norte Americano – completou 50 anos. O incidente aconteceu em Niterói, Rio de Janeiro e deixou uma contagem oficial de 503 mortos, embora até hoje não se saiba com exatidão a quantidade de vitimas.
O jornalista Mauro Ventura lançou no último dia 13 de dezembro passado o livro reportagem – O espetáculo mais
triste da terra, resultado de uma apuração que durou dois anos e meio. Foram mais de 150 entrevistas incluindo um dos trapezistas que tinha acabado de se apresentar quando o fogo começou, Santiago Grotto.
Danilo Stevanovich proprietário do Gran Circus Norte Americano, nada tinha de norte americano. Seu sobrenome era eslavo. Em 15 de dezembro de 1.961 instalou sua tenda em Niterói e começou a anunciar o espetáculo. O Gran Circus anunciava ser o “mais completo da América Latina”, com 150 animais
e cerca de oitenta funcionários.
Entre os funcionários estava Adilson Marcelino Alves, apelidado “Déquinha”. Acusado de furto, ele foi despedido do trabalho. Depois disso passou a rondar o circo recém montado. Embora haja quem defenda que o incêndio foi causado por um curto circuito, a versão mais aceita é a de que Dequinha, acompanhado de dois amigos tocou fogo na lona do circo por vingança.
Dois dias depois da estreia cerca de três mil pessoas lotavam as arquibancadas dentro da lona do Gran Circus – a maioria crianças. Faltando 20 minutos para o fim do espetáculo a trapezista Nena Stevanovich não chegou o tríplice mortal que tinha prometido fazer. Em vez disso gritou “fogo – fogo” e iniciou o pânico entre os espectadores.
Depois do grito da trapezista bastaram 10 minutos para que toda a lona estivesse coberta pelo fogo. Embora a 
maior parte dos animais estivesse enjaulada, há relatos de que um elefante ferido abriu um buraco de saída enquanto fugia. Enquanto isso a multidão tentava escapar do incêndio. Os pisoteamentos foram a principal causa de morte na tragédia.
Não havia saídas de emergência suficientes e a lona não era de náilon como Danilo Stevanovich clamava, mas de material bastante inflamável.
Dequinha e seus dois cúmplices, Bigode e Pardal, foram condenados a prisão. O acontecimento fez surgirem dois personagens importantes no Brasil: o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que liderou o tratamento das vítimas e o profeta Gentileza, que deixou sua vida de empresário e passou a viver sob as ruínas do circo. Hoje no local funciona um hospital do Exercito.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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João Carlos Amodio disse:
fevereiro 17th, 2012
10:13
Gran Circus Norte Americano!
Antes de ir para Niteroi o Gran Circus esteve em Curitiba, tendo sido montado na praça Rui Barbosa, naquela época a praça era um grande descampado, e sempre no local eram montados os grandes parques e os circos que vinham de outros estados para a nossa Capital.
Ainda criança fui com papai e mamãe assistir ao espetaculo deste incrível circo, foi o maior circo que eu tive a oportunidade de assistir, porem não foi o maior que veio para Curitiba, meu pai sempre contava que o maior circo que veio a Curitiba foi o Circo Sarrasani, cuja origem era a cidade de Dresden na Alemanha, e que foi montado na Praça Ouvidor Pardinho, era imenso com um espetaculo maravilhoso. Tendo vindo para a América do Sul em 1923, e chegou a Curitiba por volta de 1925.
João Carlos Amodio disse:
fevereiro 17th, 2012
10:31
Retificando a data que o Circo Sarrasani esteve em Curitiba, o correto é 1934/1935.