INCENTIVO À VIOLENCIA E AO DESRESPEITO

Por Zé Domingos

Sempre me mostrei contrário a violência e clamei abertamente contra a mesma seguidamente. Durante quase trinta anos como repórter policial combati a criminalidade com energia. Sou daqueles seguidores do velho dito “violência gera violência”, pois é de uma realidade a toda prova. Faço esta introdução para dizer da minha total estranheza a não punição ao longo destes últimos anos de indivíduos que se acobertando sobre os mais diferentes pretextos colocam para fora seus instintos bandidos praticando diferentes tipos de crimes. Agridem, ameaçam, depredam, danificam, matam, causam mortes ou deixam pessoas com seqüelas irreversíveis. Não é possível que estes criminosos em potencial fiquem impunes.

É o caso do matador do jovem André, popular Lacraia, morador do bairro Água Verde fria e covardemente assassinado nesta terça-feira (21) de carnaval na frente de amigos quando esporava a chuva passar protegido junto a um shopping do bairro. O motivo teria sido uma briga entre grupos de jovens ocorrida dias passados.

O delegado Rubens Recacalti titular da Delegacia de Homicídios disse que o autor já está identificado, inclusive um irmão que a principio era suspeito de ser o autor foi interrogado. É possível que o assassino se apresente, ou seja, preso de um momento para outro. Preso ou apresentado dará declarações, certamente evasivas, mentirosas e os riscos de impunidade são grandes, pois a impunidade é um dos mais graves problemas de nosso país. Assim os crimes vão acontecendo em índices assustadores e alarmantes. Não se tem mais segurança em lugar nenhum.

A violência está presente em tudo. Em São Paulo na divulgação do resultado das escolas de samba houve confusão seguida de extrema violência e ameaças comandadas por um indivíduo com várias passagens por diferentes crimes. Entre os participantes membros de torcidas organizadas, especialmente Gaviões da Fiel, que também é escola dee samba. Uma vergonha, uma coisa inaceitável e o que acontecerá com os respó0nsáveis por tudo isto? Se tivesse sido castigado adequadamente, talves estivesse num estabelecimento penal e então não praticaria aquele barbarismo que liderou.  Aqui também o clima esteve tenso. No futebol a violência vem apresentando quadros altamente negativos há alguns anos especialmente nos confrontos entre torcidas organizadas. O sentido de esporte lamentavelmente ficou longe. Antigamente os torcedores de diferentes clunbs iam juntos para os estádios e nos intervalos para aquela cervejinha e troca de idéias em torno da parida. Há alguns anos isto deixou de acontecer e torcidas são separadas e agora o nosso clássico com a presença apenas dos torcedores do clube mandante, Atlético Paranaense. Desde já o Coritiba afirma que quer o mesmo tratamento quando do segundo turno, quando o mando será seu.

Os diferentes crimes, os estragos, os quadros de violência causados por torcedores ou falsos torcedores que se acobertam nesta condição para colocarem em prática seus instintos agressivos raramente tem seus responsáveis punidos convenientemente. Os casos em que criminosos foram punidos rigorosamente são raros. Surgem como agora o recente caso do assassino Lindemberg condenações pesadas que servem para dizer que há rigor no cumprimento das leis, mas isto é ocasional, não passa disto. A maioria dos castigados recebem penas brandas e pouco tempos depois estão livres. Lembro do autor de um crime bárbaro contra uma mulher no centro de Curitiba que fazia pose na “Boca maldita” dizendo que havia pago o crime que cometeu, como se alguns anos de cadeia pagassem  por uma vida tirada covardemente.

No futebol. temos o exemplo dos implicados no episódio que penalizou fortemente o Coritiba, fazendo com que o clube sofresse sanções pesadas e que lhe causaram prejuízos financeiros altíssimos, jogando dez partidas fora de seus domínios. Os danos só não foram maiores porque os resultados em campo foram favoráveis e a equipe conseguiu o titulo da 2ª Divisão, reconduzindo-a a 1ª Divisão.

Os verdadeiros culpados foram punidos? O que aconteceu com eles? Será que arrependidos pelos estragos causados ao clube que se apresentavam como torcedores pararam de aprontar confusões? Ou será que continuam barbarizando e vandalizando? Os vidas tortas que se dizem torcedores para expor seus requintes de perversidade, de maldade, precisam ser punidos como bandidos, pois não são outra coisa.

Seguidos acontecimentos de violência envolvendo membros de torcidas organizadas se repetem, o mesmo acontece entre componentes da patotas ou gangues de bairros. A policia está cada vez mais enfraquecida para enfrentar tantos e tantos problemas. Ela precisa de condições e amparo para efetivamente combater os criminosos e a Justiça carece de leis fortes para poder punir rigorosamente. A imunidade não pode continuar.

No futebol protestos são normais, mas não com vandalismo, agressões e ameaças. Quem pratica isto é criminoso e lugar de criminoso é na cadeia. Em várias oportunidades houve violência contra jogadores, treinadores e dirigentes. Os autores sofreram alguma sanção?

Quando exercíamos funções no Paraná Clube, passamos por maus momentos diante ameaças pessoais, via telefone, e-mails e etc. Ficamos durante horas fechados no vestiário do Pinheirão, após um empate com o União Bandeirante. O presidente José Carlos de Miranda, o técnico Barbieri e eu ouvimos muitas ofensas e intimidações. O campeonato só estava começando e quando ele terminou fomos campeões, fazendo com que nove anos após o Paraná Clube, voltasse a hegemonia de nosso futebol. Mas, vivemos momentos complicados. Felizmente nunca fomos agredidos.

         Recentemente quando dos episódios envolvendo policiais da Bahia disse estarmos chegando numa encruzilhada extremamente perigosa, pois os desmandos são cada vez maiores, mais violentos, assassinatos são praticados por motivos banais ou as vezes até mesmo sem qualquer razão e por isto é que se clama contra a impunidade e para que os policiais sejam apoiados em todos os sentidos para que possam combater a violência. Momento a momento está cada vez mais difícil. Clamores ao “SENHOR” para que nos proteja diante de tamanha e descontrolada brutalidade.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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