FILHA DE CRAQUE NÃO PERDE ESPERANÇA E QUER SABER DO PAI, BOAS LEMBRANÇAS

Por Zé Domingos

Há situações que me levam crer cada vez mais em transmissão de pensamento e vivi isto em várias oportunidades. Na semana passada numa conversa com amigos eram lembrados alguns jogadores que marcaram época em nosso futebol e em dado momento veio a tona Madureira e logo se imaginou que a referência era em torno do “baixinho” um dos grandes ídolos do Clube Atlético Ferroviário depois de brilhante passagem pelo futebol de Santa Catarina onde atuou pelo “campeonissimo” Metropol, de Criciúma.

Madureira batizado Carlos Roberto Ferreira apelidado de Madureira por ter nascido no bairro Madureira, no Rio de Janeiro, irmão de Edson Madureira que atuou por Metropol, Internacional de Porto Alegre,  Colorado de Curitiba, Londrina e outras equipes. Madureira disputou o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1.968 pelo Atlético Paranaense emprestado pelo Ferroviário formando uma dupla infernal com Zé Roberto. Fez um gol que ficou para a história como um dos belos acontecidos no Estádio Durival Brito e Silva quando numa arrancada desde a intermediária foi passando um a um pelos adversários deixando um dos zagueiros caído, depois driblando o goleiro Cláudio jogando para a rede fazendo a galera que lotava o estádio da vila vibrar intensamente. Este gol foi adotado como abertura de programas esportivos e era repetido seguidamente. Madureira ainda jogou pelo Palmeiras e também pelo Água Verde. Ao encerrar a carreira retornou para o Rio de Janeiro onde reside e comanda uma escolinha de futebol.

Fiz estas referencias ao Madureira, mas o Madureira que o companheiro queria destacar não era o ex jogador do Metropol e sim Mário Madureira que começou nas categorias menores do Ferroviário onde se tornou profissional. Foi revelado na mesma época de Sicupira e foram alçados ainda meninos para o elenco principal. Sicupira foi logo para o Botafogo do Rio de Janeiro e Mário Madureira ficou no Ferroviário onde também foi autor de um golaço frente ao Grêmio Esportes Maringá, em Maringá que abriu caminho para o Ferroviário trazer de volta para Curitiba o titulo de campeão estadual em 1.965. Acertou um sem pulo como diziam naqueles tempos quando em cima da bandeirinha de escanteio em curva e jogou na gaveta. O jogo estava caminhando para o final 43 minutos do segundo quando ocorreu este gol e assim o “boca” voltava de Maringá como favorito para chegar ao titulo máximo. Em Curitiba nova vitória do tricolor por três a um e o titulo estadual que desde 61 quando o Comercial de Cornélio Procópio foi o campeão, depois em 62 o Londrina e a seguir o tricampeonato do Grêmio Maringá voltava para Curitiba. Um dos heróis  daquela conquista foi Mário Madureira, amigo de infância conforme observarão numa matéria que reprisarei intitulada “MÁRIO MADUREIRA UM GRANDE CRAQUE VIVO OU MORTO”.

Ao citar transmissão de pensamente e de acreditar na sua existência é porque na semana passada fez setenta anos o Miloca outro amigo de infância e também companheiro de Mário. Jogavam no time da Rua Saldanha Marinho comandado pelos irmãos Mauro e Nilson e me foi solicitado que informasse alguns dos companheiros de infância, mas infelizmente não encontrei ninguém e nem mesmo eu compareci a festa em função de outros compromissos com a Dona Ana Maria, mas os amigos Marta e Júnior que foram preparar o jantar disseram que a festa foi ótima.

Então coincidências na conversa sobre craques do passado, do aniversário do Miloca e para fortalecer a afirmação de “transmissão do pensamento” eis que ao abrir o site na tarde desta terça-feira (01º de fevereiro de 2.012) me deparei com uma participação de Márcia Graciele Madureira, a filha do Mário justamente na matéria que fiz em torno do mesmo há tempos passados.

Informa que mesmo realizando buscas seguidamente não teve mais noticiais de seu pai desde que o mesmo em 27 de julho de 1.992 desapareceu no Conjunto Rondon – Cidade Industrial de Curitiba. Comenta de que seu chinelo foi encontrado próximo, mas nada do Mário Madureira. Entende que se tivesse falecido afogado o corpo apareceria em algum lugar e isto não aconteceu. Continua acreditando que seu pai possa estar vivo. Como da vez anterior em que me enviou uma mensagem outra vez destaca que seu pai era um homem bom e inteligente e por isto não entende e não se conforma com seu sumiço.

         Ainda houve outro Madureira no futebol paranaense o centro médio Alceu Madureira que vi jogando pelo Botafogo, das Mercês, depois pelo Ferroviário, Iraty e Seleto de Paranaguá, irmão de Alcedir Madureira, o Quarentinha que começou no Ferroviário também na época de Sicupira e Mário Madureira, depois foi para o Coritiba onde foi profissionalizado depois negociado com o São Paulo onde ficou durante algum tempo passando depois por várias equipes com Noroeste de Bauru, União Bandeirante, Seleto de Paranaguá, Metropol, Grêmio Oeste Guarapuava e outras equipes. E teve em nosso futebol suburbano o famoso Madureira do Dr. José Cadilhe de Oliveira, dos jogadores Geraldo, goleiro, Lico, Chumaço, Ribeiro (ex Coritiba pai do radialista Cláudio Ribeiro), Raul, Melquiades, Murici, Pinda, Milton, Dudu, Murici, Osmar e outros. A base era no bairro do Bom Retiro. O material era em branco e azul e o Madureira foi um dos mais simpáticos times de nosso amadorismo.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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