CONVERSAR É ÓTIMO, RECONHECIMENTO É GRATIFICANTE E TRÁS EXTREMA FELICIDADE
Por Zé Domingos
Seguidamente agradeço ao “SENHOR” o dom que me deu para ser um comunicador e a abertura de portas para que pudesse me tornar um profissional do rádio, do jornal e da televisão. Agradeço também a oportunidade de ter participado de eleições onde alcancei funções políticas como vereador de Curitiba e deputado estadual. Houve eleições em que não tive a felicidade em ser ganhador, mas, na vida não se vence sempre e nas derrotas se tem lições importantes que depois nos levam a ótimos resultados. Além da ajuda maior do “SENHOR” tive o apoio de inúmeras pessoas que me abriram caminhos para chegar a locais e posições que jamais imaginei um dia chegaria.
Um dos grandes prazeres que tenho e estar em contato com pessoas, conversando, trocando idéias, discutindo em alto nível, ouvindo e contando histórias e estórias, enfim vivendo a vida. Nada melhor que um bom papo num bar ou boteco e faço isto seguidamente com imensa satisfação. Freqüento desde locais sofisticados até ambientes os mais simples. Às vezes amigos que me acompanham ficam assustados quando entro em algumas vilas, em alguns bares, mas logo ficam a vontade porque sou recebido alegremente por todos. Raras foram às ocasiões em tive problemas por onde andei desde menino até agora e tenho a honra de ter inúmeras pessoas que fazem questão de dizer serem amigas do “Zé Domingos”. Isto é realmente gratificante.
Recordações de meu trabalho como profissional dos meios de comunicação surgem constantemente. Numa festa religiosa que compareci uma jovem veio simpaticamente em minha direção e ao aproximar-se foi logo dizendo “quanto prazer em encontrá-lo, o senhor fez parte de muitos almoços de minha família e enquanto o senhor falava ninguém podia abrir a boca na mesa, as atenções eram todas para o senhor”. Ela referia-se aos anos em que estive no Canal 12 – Televisão Paranaense apresentando noticias policiais no Jornal do Meio Dia quando crie as expressões desavergonhados, vidas tortas, bem como os gestos de algemas e cadeia que marcaram época e são lembrados até hoje, mesmo passados vários anos. Sou sempre agradecido a estas manifestações. Realmente fazíamos grande audiência e até hoje me pedem para que retorne a televisão e respondo que talvez um dia, porque não. Os espaços estão cada vez mais limitados. O fato é que deixei a minha marca com as expressões desavergonhados, vidas tortas, os gestos da batida de algemas com toque da mão direita no pulso esquerdo, onde carregava um pulseirão de prata, que também é sempre lembrado e em seguida a formação da cadeia com os dedos cruzados. A pulseira que me foi dada pela Ana Maria está guardada como um troféu, porque marcou e muito.
Diante o sucesso na televisão quando levava um time de peladas que comandava para jogos nos bairros ou cidades vizinhas diziam este é o time dos “Desavergonhados” e de tanto falarem o nome do time ficou mesmo “OS DESAVERGONHADOS”. Fizemos um segundo quadro e este foi denominado de “VIDAS TORTAS”.
Anos depois outro repórter passou a usar a cadeia, mas todos sabem que foi o Zé Domingos, que começou. Até hoje ainda pessoas mostram os gestos e lembram chamarmos bandidos de desavergonhados e vidas tortas. Mesmo sem registro de marcas e patentes, isto é marca do Zé Domingos. Nas minhas andanças seguidamente observo isto.
Muitas vezes me perguntam “Você é o Zé Domingos” e a resposta “faz tempo, só 69 anos”. Depois da pergunta e da respostas surgem papos agradáveis não faltando às recordações e a conversa correndo. Outros se aproximam me chamando de “Zé Domingos”, daí o prazer ainda é maior. Confesso que gosto de ser chamado “Zé Domingos”.
Outros com aquela pergunta que incomoda – “E o Paraná Clube?”, daí fica difícil responder porque o momento não é bom e estamos afastados do tricolor há aproximadamente 5 anos. Temos ido raramente a jogos, não temos participado de reuniões, então estamos alheios., Mas, continuamos paranistas e esperamos que o clube volte aos seus melhores dias especialmente neste 2.012. O ex craque com inicio nas categorias de base do clube Ricardo Pozzi, o Ricardinho foi contratado como treinador e nele são depositadas muitas esperanças. Confesso que estou até me dispondo a voltar assistir jogos e a participar mais diretamente da vida tricolor.
Muitos dizem “você tem que voltar” e outros insistem “Zé Domingos, volte logo para o Paraná, o clube precisa de você”. Tenho explicado que não depende apenas de mim e quando houver oportunidade e quando me sentir em condições até poderei voltar, porque aprendi de casa que nunca devemos dizer “desta água não bebo mais”. Enquanto estiver vivo tudo por acontecer, em especial porque uma das minhas paixões é o Paraná Clube, embora seja um homem do futebol, do esporte confesso que já não tenho mais aquela garra, aquela determinação para o futebol, já que me decepcionei com muitas situações que acompanhei e vivi como dirigente.
Muitas vezes me acham parecido com o ator Robert de Niro inclusive nestes dias ao passar pela Praça Zacarias duas senhoras me reconheceram e vieram conversar comigo e uma delas disse me achar parecido com o referido ator. Afirmo que fui muito ao cinema nos meus tempos de adolescente quando tínhamos em Curitiba a Cinelândia, na Avenida Luiz Xavier que um dia foi João Pessoa composta pelos cines Avenida, Opera e Palácio, na Rua Voluntários da Pátria o famoso e popular Cine Curitiba e pouco antes na mesma rua o Cine América, na Praça Zacarias Cine Luz, na Rua XV de Novembro entre Murici e Marechal Floriano Cine Ritz, na Rua Mateus Leme Cine Marabá, na Rua Candido Lopes Cine Arlequim, no Cristo Rei Cine Morgenau, na Avenida República Argentinas – Portão Cine Guarani, na Avenida Bispo Dom José Seminário Cine Marajó, na Marechal Floriano Cine Florida, na Vila Hauer, na Marechal Floriano Cine Oásis, na Vila Guaira o Cine São Cristovão e depois ainda surgiram os cines Rivoli, Lido, Condor e outros. Ia muito aos cinemas no final dos anos 50 e nos anos 60 e 70. Depois parei e agora de vez em quando acompanho a Ana Maria que gosta muito de cinema. Então pouco conheço e pouco sei de artistas. Os velhos cinemas desapareceram e hoje estão situados nos shoppings.
Nos bairros em que estou seguidamente o pessoal é mais chegado e não existem tantas manifestações, mas em regiões que compareço esporadicamente sempre estou me deparando com pessoas que fazem questão de conversar comigo lembrando os bons tempos dos programas de televisão, do tele-catch e sempre ouço depoimentos importantes e felizmente favoráveis. É raro àquele que tem comentários contrários ao Zé Domingos, alguns o fazem porque talvez um dia tenham sido chamados de “desavergonhados ou vidas tortas”.
Outro assunto sempre abordado, o time de futebol “Os Desavergonhados”. As perguntas fazem com que volte ao passado e as conquistas da rapaziada daqueles tempos, hoje muitos já se foram como José Manoel Maia, Zecão, o grande goleiro, Sidney, também goleiro, Gaspar, Oliveira, José Otacílio Rocha (Rochinha), Erli, Adinan, José João Boosloper, o sempre lembrado e querido companheiro Zezo, também goleiro e organizador da equipe ao lado de sua esposa Silvia e outros que não nos recordamos no momento, outros são avós, até bisavós como nosso caso e estão espalhados por ai afora.
Alguns estão por aqui e sempre que possível nos encontramos como Nilceu, Gino, Ozires Banks Machado, seu irmão Osni, quando vem de Brasília, o outro Osmarzinho, quando vem de Bebedouro, Custódio, o Baianinho, Tico, Salgado, Agenor e outros. Com o Baiano, Ozires e Agenor, estamos nos cruzando seguidamente. O Baiano agora está mais difícil porque está ficando mais no norte do Estado. Perguntam se ainda jogamos e informamos que “de vez em quando” já que a idade vai pegando. O Ozires fez agora no dia 18 de janeiro, 55 anos.
Estes encontros, estas conversas, estas manifestações me dão injeções de animo, força e prazer sempre renovados. Estes bons momentos, estas alegrias e emoções são produzidos por ele o “Senhor”, que tem me iluminado em todos os passos da vida. Mamãe Dona Alcina e Papai João Dário Teixeira, obrigado pela vida e a tudo que nela tem acontecido. Sinto sempre a sua presença em minhas andanças e lhes agradeço a companhia.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos).
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