CONVERSA E ENCONTRO CASUAL E ASSUNTOS PARA “RECORDAR É VIVER”, RONALD, JULINHO E OUTROS
Por Zé Domingos
Dias passados numa das muitas conversas o companheiro Cícero que jogou nos amadores e aspirantes do Coritiba, bem como em várias equipes do futebol amador como Botafogo, Poty, Operário do Ahú, Real, B Antunes de Oliveira, Clube Municipal e outras informou que o ponteiro esquerdo Ronald que começou em nosso futebol amador no Boa Vista da 3ª Divisão e brilhou no Coritiba, Grêmio Portoalegrense e New Old Boys, da Argentina passo por um momento delicado em questão de saúde. Ronald chegou ao Coritiba muito jovem e teve a responsabilidade de substituir Renatinho Folador, um dos ídolos da equipe que convido para uma bolsa de estudos na Europa não poderia desperdiçar a oportunidade especialmente naqueles tempos em que o futebol não pagava as fortunas de hoje.
Renatinho pai também dos ex jogadores coxas Renatinho Filho, que depois jogou em equipes do futebol amador da capital com grande sucesso e Paulinho diante da situação encerrou a carreira e o menino vindo da suburbana de um momento para outro se tornou titular e um dos grandes destaques da equipe. Era mesmo bom de bola e como apresentava uma deficiência auditiva muitos o chamavam, como o chamam até hoje de “Surdinho”.
Ronald durante anos como funcionário da Prefeitura de Curitiba colaborou com o Peladão, campeonato de peladas organizado pelo jornalista Nelson Domingos Comel e depois se aposentou. Ao Ronald orações e expectativa de melhoras. Na mesma conversa surgiu o nome de Julinho excelente lateral direito do Monte Alegre e depois do Coritiba. No papo disse tê-lo conhecido ainda menino de 8, 9 anos jogando como ponteiro esquerdo pelo Operário Ferroviário de Ponta Grossa. Passado algum tempo já residindo em Curitiba o vi como lateral direito do excelente time do Clube Atlético Monte – CAMA campeão de 1.955 que contava com Bolívar (goleiro) Aurélio e Jutz, Julinho, Pequeno e Augusto. Nestor, Ocimar, Taico, Nelson e Torres. Ainda no plantel comandado por Rui Santos – Motorzinho – Isac, César Frizzo, César Veiga, Lúcio, Amaro, Osvaldo, Orlando, Rubens e Aloísio.
Ao retornar para casa passando pelo Edifício Asa lembrei que em dada noite também quando voltava para casa encontrei com um cidadão que se identificou como Dirceu Vaz ex presidente da União
Recreativa Cultural do Ahú – URCA e genro de Eloi, que atuou pelo Operário do Ahú, durante vários anos. Disse a ele ter visto Eloi, jogar e era um craque. Um dos maiores de sua época no futebol amador, anos 50 e 60. Recordei também na oportunidade que ao chegar em casa resolvi escrever um texto sobre Eloi e outras coisas ligadas ao futebol do passado já que naquele mesmo dia foram vários assuntos do passado que circularam nas inúmeras conversas das quais participei e fiz a matéria que por coincidência tem em seu bojo referencias a Ronald e Julinho. Diante disto a registro em seguida -
Eloi era meia direita da melhor qualidade. Citei ao Dirceu que participando de uma festa na URCA pelo aniversário do Assis e do Adilson, componentes do Grupo Máster da URCA aquela sociedade lembrei de Eloi em destaque, quando rememorei campeões pelo Operário do Ahú como Ozires Broska, o grande goleiro que chegou a seleção paranaense, Nelson Marti, Dinir, Bhar, Duca, Belo, Darci, Darcizinho, Ico, Eloi, Ganso, Barros, Gil, Luir e outros.
Naquele papo rápido a satisfação em observar que um trabalho que surgiu de uma idéia do José Maria Pizarro está tendo excelentes resultados e estou possibilitando gerações tomarem conhecimento do que representaram seus ancestrais em nossa sociedade.
Em determinando ocasião nas seguidas andanças que faço pela cidade praticamente de um canto a outro, o Pizarro, que me acompanhava ouvia com atenção quando citava aqui nesta região é a vila tal, aqui a vila tal e relembrava pessoas que fizeram parte do crescimento daquelas áreas, os pioneiros. Comentou que quando mencionava isto nos programas de rádio sempre era algo especial e que deveria explorar melhor os conhecimentos e as lembranças.
Passei então a relatar sobre times de futebol, jogadores de nosso amadorismo e depois passei também a mencionar craques do profissionalismo e fui expandindo para assuntos fora do futebol, entrando em restaurantes, churrascarias, bares, boates, zonas, figuras folclóricas personalidades, sociedades, cinemas, enfim sobre os mais diferentes assuntos. Com os seguidos comentários que ouço por onde ando e com as informações, sugestões e recordações que me passam estou no caminho certo.
Aliás, hoje há muita gente relembrando coisas do passado, mas não fazem dentro do estilo que apresento. O que registro é de um “arquivo” que poucos tem é o “arquivo mental”, o verdadeiro “recordar é viver”.
Dia destes numa roda de conversa um participante em dado momento disse “agora quero ver se o Zé Domingos, é bom mesmo nas coisas do passado, como sempre está contando nos programas e respondi que estava a disposição é que se não soubesse teria o prazer em ouvir para poder aprender e ter algo mais para o “recordar e viver”.
Inicialmente perguntou qual o jogador conhecido por Batateiro e disse ser uma resposta por demais fácil, Marcelino, do Ferroviário. Era chamado de Batateiro, por ser de Araucária. Partiu para outra e quem era o “peito de pombo”, respondi prontamente Márcio, lateral direito do Coritiba, nos anos 50 e 60, também de Araucária. Daí o cidadão se identificou como araucariense e dai ter perguntado em torno destes jogadores.
Relembrei que Marcelino foi campeão no ano do centenário da emancipação política do Paraná, 1.953 ao lado de Robertinho, Adir, Ferraz (goleiros) Tico, Arnaldo, Lalo, Tocafundo, Alceu, Maurílio, Isauldo, Juarez, Afinho, China, Zé Carlos, Elísio, Nelsinho, Ismael, Negro e Barroli.
O presidente Armando Prince, técnico João Lima, mas quem começou a campanha vitoriosa foi Atílio Ramon.
A equipe vice campeã a Cambaraense do famoso goleiro Bino, o chamado gato selvagem que havia atuado pelo Corinthians Paulista, após atuar pelo Coritiba. Era de Antonina e até hoje é considerado um dos maiores goleiros da história de nosso futebol. O apelido de “gato selvagem” deve-se ao fato de ser de estatura baixa, mas de uma impulsão e de vôos realmente sensacionais. Coisas de cinema, um arqueiro fantástico.
Na Associação Esportiva Cambaraense atuaram naquela temporada – Carlito, Belacosa, Deolindo, Botina, Augusto, Alceu, Rubens César Frizzio, Baltazar, Zequinha, Júlio, Pedrinho e Tonico. Após o campeonato diante a decisão de não disputar o campeonato do ano seguinte, vários jogadores foram para outras equipes como Deolindo, Augusto, César Frizzio, que foram para o Clube Atlético Monte Alegre. Rubens transferiu-se para o Ferroviário e vários se espalharam por outras equipes do norte como Associação Esportiva Jacarezinho.
Márcio um jogador aguerrido, marcador implacável, procurava superar as dificuldades técnicas com dedicação e determinação. Adão Plínio da Silva, o Nego Adão, como o chamavam um gaucho com passagem pela Colômbia, na época em que este pais foi chamado de “ El dorado” do futebol chegou e foi contratado pelo coxa e não demorou a ganhar as preferências do treinador Felix Magno, um uruguaio com grandes conquistas pelo Coritiba. Mais tarde apareceu Julinho, procedente do Clube Atlético Monte Alegre – CAMA e Márcio desapareceu e o mesmo aconteceu com Adão, que se tornou comentarista de rádio e televisão, passando depois a treinador.. Esteve em vários títulos como o bi campeonato de 51 ao lado de Nivaldo, Fedato, Fábio, Merlin, Sanguinetti, Babi, Miltinho, Neno, Toni, Renatinho, Adir (goleiro que depois foi para o Ferroviário), Ivo, Araújo, Tonico, Sanford, Gasparim, Paulinho Solheid e Luiz Martins. Em 52 apareceram ao lado de Márcio, Ribeiro, Lula, Almir, Renatinho, Hamilton, Neno, Osvaldo e Verdes.
Em 54 o Coritiba voltava ao topo e Márcio, participou de vários jogos. Em 55 o Monte Alegre, chegava ao titulo e no Coritiba, terceiro colocado Márcio, teve participação. Em 56 novo titulo coxa e aqui participação ativa do “peito de pombo” com o técnico Felix Magno, treinador e como colegas de Márcio, Hamilton, Fedato, Carazai, Béquinha, Guimarães, China, Miltinho, Duílio, Ivo. Gordinho, Ronald, Erol, Araújo, Julinho, Adão, Wiliam, Ório, Ramon e Almir. O presidente nestas conquistas do Coritiba, Arion Cornelsen.
Em 57 o Coritiba foi bicampeão praticamente com os mesmos jogadores e mais Betinho, vindo do Vasco da Gama do futebol suburbano. Em 59, Márcio, chamado de “peito de pombo” por ter o tórax saliente, participou de algumas partidas do time novamente campeão. Julinho, foi o titular como alfo direito, como diziam naqueles tempos. Em 60 novo titulo coxa e Márcio, não aparece mais entre os componentes do plantel.
Foram campeões naquele ano Hamilton, Nico, Carazai, Julinho, Béquinha, Guimarães, Chico, Miltinho, Ivo, Duílio, Ronald, Oda, Xavier, Aurélio, Bira, Gordinho e Rodrigues.
Isto para lembrar o popular do Batateiro – Marcelino e do peito de pombo Márcio, bem como de uma fase áurea de nosso futebol. Durante os anos 54, 55 e 56 viram muitos de jogadores entrando de “ratão” ou “furão” como queiram. Em 57 entre na Rádio Clube Paranaense – B- 2 e daí as coisas começaram a melhorar e naquele ano mesmo recebi a credencial como cronista esportivo da Federação Paranaense de Futebol.
Mas, também nos anos 50 vi Eloi, se destacar no Operário do Ahú, inclusive no título de 54, quando o Poti fez excelente campanha ficando invicto, mas perdeu o titulo para o Operário do Ahú. Foram campeões ao lado de Eloi, o goleiro Ozires, Nelson Marti, Dinir, Nelsinho, Bhar, Belo, Peixe, Duca, Dario, Ico, Luir, Toni Pan, Darcizinho, Doca e Walter.
Para fechar o prazer de ter hoje Dirceu Vaz com um grande companheiro e amigo e de muitos entre os professor José Carlos Miranda, me incentivando a aproveitar este período em que estou fora do rádio para traçar linhas no sentido de elaborar um livro sobre minhas recordações, mas sempre surgem convites para festas, reuniões e mais os afazeres do cotidiano sempre fica difícil, o fato é que tenho que achar um tempo para fazer este livro já que os pedidos em torno do mesmo são inúmeros. Um dia certamente sairá.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com
Telefone – (41) 9972-0129



