CONCURSO DA RESISTÊNCIA. CONCURSOS DE FANTASIAS – DESTAQUE PARA NEY SOUZAH, LEMBRANÇAS DO CARNAVAL .
Por Zé Domingos
Como o Carnaval está chegando (18, 19, 20 E 21 de fevereiro) estou abordando assuntos relacionados ao “Reinado de Momo” em Curitiba. Enfoque para escolas de samba que marcaram época e alusões rápidas a bailes que durante anos fizeram sucesso como o “DOS ENXUTOS” que acontecia às segundas-feiras na Sociedade Beneficente Protetora dos Operários – Operário, o das “BEM BOLADAS”, criado pelo Barriga, funcionário da Tribuna do Paraná, realizado inicialmente na Sociedade Batel, chamada carinhosamente de Batelzinho e que prossegue até hoje sob o comando do fotógrafo Mário Fernandes Neri, os de concursos de fantasias infantis realizados em vários clubes e havia também o “Concurso da Resistência”, realizado na Praça Tiradentes, num terreno vago onde era instalado um tablado. Neste terreno hoje está uma agência do Banco do Brasil.
Em determinada ocasião numa das conversas com um dos muitos amigos das Mercês o Jarbas Piratelo sugeriu de que quando abordasse o Carnaval em Curitiba, lembrasse de tal concurso e o fiz em outra oportunidade rapidamente. Este concurso depois de dois ou três anos de realização foi acertadamente proibido, pois era uma afronta a saúde das pessoas. Um absurdo. O desafio era sambar ou pular quatro dias e quatro noites sem parar. Outras das atrações de nosso Carnaval a Banda Polaca surgida em 1.,975 numa criação do jornalista Dante Mendonça. Figuras marcantes da sociedade, lindas mulheres e outras atrações participavam da banda.
Sobre esta banda há detalhes interessantes, inclusive os relacionados ao travesti Gilda, uma das mais conhecidas figuras folclóricas de Curitiba. O Anfrizio Siqueira presidente da “BOCA MALDITA” numa decisão pessoal proibiu Gilda de desfilar com a banda surgindo um tremendo qüiproquó com muita gente contestando a posição de Anfrizio. A polemica foi grande e durou dias inclusive com envolvimento da imprensa.
Para evitar que Gilda desfilasse Anfrizio conversou com um delegado seu amigo pedindo que o prendesse. O rolo se formou e logo os clamores de que aquilo era discriminação Abriu-se uma campanha para a presença de Gilda, na banda. Bons tempos de nosso Carnaval, que até polemica resultava.
Inclusive a Banda Polaca quando surgiu criou polemica com alguns dizendo que aquilo era uma ofensa a importante colônia polonesa ou polaca, aliás soubemos que é polaca mesmo, alguém criou esta expressão polonesa, mas a real é polaca. Mas, o Cônsul e outros polacos entenderam diferente acharam até que era uma homenagem. Houve consulesas que participaram do grupo alegremente.
Os concursos de fantasias marcaram época no Carnaval e houve um curitibano que se destacou Nei Souza que depois para sofisticar o sobrenome colocou um “H” no final, ficando Nei Souzah. A seguir relembramos os famosos concursos que tomavam conta do Brasil.
OS CONCURSOS – UM LUXO
Durante anos foram atrações do Carnaval, especialmente no Rio de Janeiro. Em Curitiba, em dois anos pelo menos houve a ousadia de se realizar tais competições, trazendo como atrações expressões nacionais como Evandro Castro, Clóvis Bornay, Wilza Carla e outros. O destaque paranaense ficou por conta de Ney Souza, então ainda muito jovem. Lembro-me que um dos bailes foi no Circulo Militar do Paraná e contou com o apoio da Prefeitura de Curitiba. Não sabemos precisar o ano destes concursos, mas possivelmente foi no final dos anos 60, inicio dos anos 70. A promoção destes bailes que exigiam traje a rigor, com ingressos caríssimos, não rendeu o esperado e desapareceu.
Em nossas sociedades quando a maioria realizava festejos carnavalescos, várias promoviam concursos de fantasias especialmente entre as crianças e eram por demais concorridos. As mamães se esmeravam nas fantasias para os filhos. Havia também concursos para adultos, sendo o destaque principal para o das segundas-feiras no Operário, no famoso e comentado baile dos “Enxutos”. Era uma atração especial da cidade.
O Paraná, especialmente Curitiba, durante anos teve a presença marcante em concursos de nível nacional e internacional através a participação de Ney Souza, depois Ney Souzah. Ele apresentava suas criações, sempre de muito bom gosto, bem como imaginação e arrebatava o público. Tornou-se um destaque nesta área artística, dentro e fora do pais.
Depois dos concursos no período de Carnaval praticamente o ano todo eram feitos desfiles de fantasias em diferentes cidades brasileiras, bem como do exterior. Nei participou de programas de televisão como membro do júri do Mário Vendramel, sucesso da televisão local durante vários.
Natural da cidade das cachoeiras Prudentopolis, Paraná, durante anos colaborou com nossas escolas de samba cedendo suas fantasias para que viessem enriquecer os seus desfiles.
O fato é que Nei foi um ícone de nosso Carnaval e a satisfação de saber que continua firme, forte e sempre ligado ao importante acontecimento brasileiro. Tem uma história marcante nos grandes concursos de fantasias. Lembro-me quando rapazola que todos aguardavam com expectativa os exemplares da Revista “O Cruzeiro”, após o Carnaval, justamente para observar as fotografias dos grandes bailes no Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades brasileiras. As fotos escandalosas, as fotos dos desfiles das escolas de samba, destacando os artistas, os jogadores de futebol, enfim as personalidades que se tornavam atrações especiais do Carnaval.
Os documentários apresentados nos jornais cinematográficos eram também ansiosamente esperados. Havia produções de vários filmes nacionais tendo o Carnaval, como tema principal. Bons tempos que não voltam mais. “Recordar é Viver”.
Tudo isto não existe mais, tudo mudou, como tudo mudou na vida. Hoje as transmissões das televisões mostram tudo, até o que não deviam, fazendo com cenas atentatórias a moral, escancarem as portas de nossas residências. Não se pode confundir liberalidade com libertinagem. Mas, há quem diga que tudo é Carnaval e discordo com isto.
Carnaval é uma festa popular, alegre e descontraída, mas contrária a qualquer tipo de agressão seja física ou moral. Vamos festejar o Carnaval, com alegria e respeito, dizendo não aos desmandos das drogas, das bebedeiras e da violência. Bom Carnaval, a todos.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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