COMO COMEÇOU UMA DAS MAIS FAMOSAS ESCOLAS DE SAMBA DE CURITIBA A “NÃO AGITE”

Por Zé Domingos

Fiquei deverás entusiasmado ao ler o comentário de Luiz Fernando Bartolomei Fink na matéria “LUIZ GERALDO MAZZA E NOSSO CARNAVAL, BANDA POLACA E A FOLCLÓRICA GILDA” em que ele relata detalhes de como surgiu a Escola de Samba Não Agite que durante anos foi uma das principais de Curitiba. Houve época de uma intensa rivalidade entre Colorados, Embaixadores da Alegria e D. Pedro II depois Mocidade Azul. Eram grupos fortes, bem organizados que buscavam ganhar o titulo do Carnaval mesmo sem uma premiação condizente. Havia uma ajuda simbólica de participação para todas as escolas e troféus para os primeiros colocados e ficava nisso. Mesmo assim havia confrontos, disputas, troca de rugas entre dirigentes e componentes das escolas.

A imprensa dava uma ampla cobertura. Em torno da “Não Agite” lembro em determinada ocasião ter discutido com o Glauco Souza Lobo, um dos seus principais diretores que achando ser torcedor da Colorados e ser contra a Não Agite, como estava participando da Comissão Organizadora estaria prejudicando a Não Agite, o desentendimento foi esclarecido e tudo transcorrer normalmente e até hoje sou amigo do Glauco que conheci menino como ator teatral com apresentações no Circo Teatro Garcia do Juvenor Garcia, o Juve Garcia que também interpretava o palhaço Tubinho já falecido. Fiz esta introdução para destacar a seguir o texto encaminhado pelo Luiz Fernando Bartolomei Fink realmente muito interessante:

Luiz Fernando Bartolomei Fink

No final da década de 40, não lembro bem, se foi 46 ou 47, alguns jovens, “Coxa”, que freqüentavam os bailes do Coritiba, resolveram, por sugestão de um deles, Tica, fantasiarem-se iguais. Calça comprida branca, todo mundo tem, um blusão de mangas compridas, de cetim. Mas que cor? Bem… Que tal vermelho e azul? Mas como?
Cruzado, diagonal?
Sugestão aceita por todos, saíram ás compras, a mãe de algum, Rubens, costurou , sobrou tecido, fez umas faixas para amarrar na cintura, e lá foram eles, para os bailes de carnaval do Coritiba.
Eram eles, Rubens Marchand, os primos Carlos Schettini e Neil Hamilton Schettini (Tica) e eu, primo do Marchand, Luiz Fernando Bartolomei Fink, o famoso Zóca.
Foi difícil pular, lavar, secar, vestir e pular novamente, mas as blusas agüentaram bem, todas as quatro noites.
Durante os bailes, o pessoal, ao nos ver de roupa igual, perguntava:
- Vocês são de que bloco ?
O Tica, então dizia :
- Ora, não agite !!!
Pronto , havia nascido o Bloco Não Agite, que animou alguns carnavais de Curitiba. Ao final daquele carnaval, já havia se formado um séqüito que acompanhava os quatro curingas.
No carnaval seguinte, resolveram arranjar instrumentos e batucar. Quem gostava de Cuíca, comprava uma e vinha, quem gostava de Tamborim, também. E assim foi , até chegar na hora da marcação. Com que? Ora um surdo pro Marchand tocar, é, mas como? O surdo custava caro. Fui olhar alguns, numa loja de instrumentos, no Barão do Rio Branco e resolvi, eu faço um surdo, ta acabado.
Arrumei compensado e fiz o instrumento, aberto embaixo, mas tudo bem, funcionou bem. Com ele o Marchand garantiu a marcação.
Na hora de escolher os instrumentos, eu escolhi um tamborim porque quando estava no curso primário, havia participado da fanfarra, tocando caixa de guerra, apesar de que minha paixão era ticar repique. Cheguei a criar uma “virada”, que é aquela hora que a fanfarra parece que endoidou, mas termina todo mundo de volta ao normal, perfeitamente dentro do ritmo, mas não consegui vender meu peixe e a minha “virada” não aconteceu, só na minha cabeça funcionava muito bem, mas ninguém se animou, acharam que eu não dava pra tamborim:
Você vai ser o porta-estandarte !!!
Pronto, eu achei meu lugar.Os ensaios eram feitos no páteo da padaria dos Marchand, na esquina da Pedro Ivo com a Westfalen.
No sábado de carnaval, à tarde reuniram todos no Marchand e resolveram:
Vamos sair na rua !!!
Vamos animar as multidões !!!
Saíram pelo portão na Pedro Ivo, dobraram na Westfalen e foram até a Praça Zacarias, onde, resolveram voltar, já que ninguém se animava. Os passantes olhavam espantados. O que é que aquela molecada pretendia? Enfiaram a viola no saco e voltaram meio murchos. Mas foram todos para os bailes do Coritiba, para ajudar na animação.
Agora já esqueci o nome da maioria, mas ainda lembro de alguns, além dos quatro fundadores, o Renato, irmão do Marchand, o Laertes B. Guimarães, o primo dele, João, meu xará , Luiz Fernando Van Erwem Van der Brook, não lembro bem a grafia, o Mazza, o Turra, o Igor, irmão do “família”, meu companheiro de escotismo. O Alaor, que trabalhava na Minerva. O Torres que casou com a Teréco.Éramos uns quinze ou vinte, não lembro bem. Estou esperando o Marchand me dar os nomes dos outros, que não lembrei.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com

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1 comentario sobre “COMO COMEÇOU UMA DAS MAIS FAMOSAS ESCOLAS DE SAMBA DE CURITIBA A “NÃO AGITE””


  1. Mateus Cosentino disse:

    Conheci Fink há 22 anos, como um dos mais competentes Administradores de Empresa de minha vida profissional na paulicéia. Agora descubro que ele foi folião fundador de Escola de Samba. Já no “Não Agite” mostrou sua maneira de administrar: FAZENDO e não mandando fazer. Mas acho que foi melhor ele seguir carreira nas empresas… Acho que como ritmista ele não teria muito futuro… embora talvez sua vida fosse muito mais divertida na sua Curitiba. São Paulo SP

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