BELMONTE UM DESTACADO TIME DO NOSSO AMADORISMO E LEMBRANÇAS DO PALMEIRAS

Por Zé Domingos

         Diante de uma conversa com o Luiz Antonio Ferreira Gomes (Nescafé) vieram recordações em torno de um clube que durante anos marcou época em nosso futebol amador o Clube Esportivo Belmonte. Foi uma das primeiras equipes que conheci em nosso futebol suburbano já que mandava seus jogos no Estádio Capitão Manoel Aranha, campo do Poti, hoje Praça 29 de Março, onde assistia nos meus 10, 11 anos e 12 anos todos os jogos que ali aconteciam.

Simpatizei com o Belmonte desde o primeiro jogo que assisti do mesmo em face de ter uniforme igual ao do Palmeiras, de São Paulo, para quem torcia quando menino. Minha simpatia pelo alvi verde paulista começou quando ganhou de um titulo internacional numa decisão frente ao Juventus da Itália em 1.951.

Escutei o jogo e fiquei emocionado com a vibração do narrador ao anunciar a conquista do Palmeiras e me tornei seu adepto. Tinha então oito anos e guardei os nomes dos jogadores e até hoje os lembro. Torci pelo clube do Parque Antártica durante vários anos e uma das minhas curiosidades quando adolescente era conhecer o estádio do chamado Jardim Suspenso. Quando lá cheguei foi pura emoção. Hoje torço apenas para o Paraná Clube e também não com o mesmo entusiasmo de anos passados, já que conforme declarei em outras oportunidades me sinto enfarado com o futebol, principalmente depois de ter passado cinco anos e alguns meses como vice presidente de futebol profissional do Paraná Clube.

Mas aquela conquista do Palmeiras quando tinha oito anos ficou guardada e seguidamente estou relembrando dos astros da mesma. O goleiro titular era Oberdan Catani, um dos mais famosos da história do clube e naquele dia decisivo 22 de julho de 1.951 contundido foi substituído por Fábio que teve uma atuação sensacional e garantiu o resultado do empate em dois a dois que deu o titulo ao representante brasileiro. O primeiro jogo foi vencido pelo Palmeiras por um a zero no dia 18 de julho e com o empate na segunda partida o titulo ficou com a Sociedade Esportiva Palmeiras. No segundo jogo os gols palmeirenses foram marcados por Rodrigues, ponta esquerda e Liminha centro avante.

Esta competição disputada por times brasileiros e de vários países foi denominada Copa Rio e com o passar dos anos o Palmeiras pleiteou que sua conquista fosse considerada como titulo mundial. Depois de anos e anos de debates em 2.007 a FIFA a considerou como titulo mundial. Além dos goleiros Oberdan Catani e Fábio foram heróis daquele titulo – Salvador, Juvenal, Túlio, Luiz Vila, Dema, Lima, Ponce de Leon, Canhotinho, Liminha, Jair da Rosa Pinto e Rodrigues. Depois deste “RECORDAR É VIVER” em torno do Palmeiras, volto a abordar o Clube Esportivo Belmonte.

O clube surgiu no mês de janeiro de 1.939 e desde seus primeiros momentos reuniu adeptos e aos poucos foi ganhando forças abrindo seu espaço em nosso futebol suburbano. Fã da suburbana tive o prazer de nos anos 50 e 60 ver em muitas oportunidades o time esmeraldinoem campo. Lembramosdo simpático Rochinha, um senhor calvo, muito educado que durante anos foi o técnico do clube da camisa verde. A sede instalada na Avenida Kennedy e o campo na Rua Lamenha Lins, onde hoje funciona o Colégio Lamenha Lins.

Neste campo da Rua Lamenha Lins, recordo  ter acompanhado um torneio da ACEP – Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná, disputado nos dias 7 e 8 de setembro, aproveitando os feriados da Independência e da padroeira de Curitiba Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Praticamente todas as equipes suburbanas o disputavam. Era nos mesmos moldes dos antigos torneios início, isto com jogos divididos em dois tempos de quinze minutos e se terminados empatados a decisão por pênaltis, pois os jogos eram eliminatórios. O Belmonte, foi campeão deste torneio em 1.955.

O clube do bairro Água Verde foi campeão da Liga Suburbana de Curitiba, em 1.941 e campeão invicto de segundos quadros em 1.952.

O Belmonte, que teve momentos de glória em nosso futebol amador surgiu à partir de uma reunião acontecida no dia 05 de janeiro de 1.939, na residência de Aleixo Rossi, que foi o seu primeiro presidente. Antes de ser denominado Belmonte, recebeu o nome de Cinco de Janeiro.

Além de Aleixo Rossi, como presidente, a primeira diretoria teve a seguinte formação vice presidente Igino Romanel, 1º Secretário Pedro Seibt, 2º secretário Constante Romanel, 1º tesoureiro Faustino Nichel, 2º tesoureiro Floriano Gabardo, Comissão Técnica – Diretor Jacob Stofela, Membros Maximiliano Gabardo, Alfredo Romanel e Vicente Bonatto.

Sócios fundadores – Aleixo Rossi, Igino Romanel, Pedro Seibt, Constantino Romanel, Faustino Nichel, Floriano Gabardo, Jacob Stofela, Maximiliano Gabardo, Geraldo Gabardo, Domingos Mattana, Alfredo Romanel, Vicente Bonatto, Alcides Nardin, Luiz Grossi, Silvestre Stofella, Fioravante Turesso, Octávio Gabardo, Waldomiro Nardino e José Nardino.

No dia 12 de janeiro de 1.939 uma nova reunião definia que cada associado pagaria no primeiro mês dois mil reis e depois um mil reis por mês. Também foi deliberado que a cada seis meses o clube ofereceria uma churrascada aos associados em dia com a mensalidade. Ao apresentar o ultimo talão o sócio teria direito a uma churrascada completa.

Também foi resolvido que a camisa seria toda verde, com gola e punhos em branco e uma faixa branca. O distintivo em branco com as letras verdes “5-J.S.C.”. A camisa do goleiro era toda branca com distintivo verde e letras brancas. “5 –J.S.C.” significava 5 de Janeiro Sport Clube.

Em 21 de dezembro de 1.939,em Assembléia GeralExtraordinária, com a presença de 28 associados foi eleita a nova diretoria que dirigiu o clube entre os anos de 40 e 41, sendo presidente Alfredo Kramer, que depois foi vereador junto a Câmara Municipal de Curitiba. Na mesma reunião foi mudada a denominação com 14 votos favoráveis, surgindo o Clube Esportivo Belmonte.

A primeira sede foi na casa construída por Alcides Nardino e seu filho Antonio, na Avenida Guaira esquina da Rua Samuel César. Depois foi construída a sede na Avenida Kennedy 615, onde funcionou durante muitos anos uma excelente churrascaria comandada pelo Matana, onde estive em várias oportunidades com o saudoso Odenir Silveira, responsável por um programa de futebol amador em emissoras de Curitiba, durante vários anos.

Sempre que falamos do Belmonte, nos vem uma escalação do fim dos anos 50 com Barbosa, Titão e Garret. Taraira, Mario e Dola. Jornaleiro, Otávio, Braz, Vitorelli e Tadeu (o popular Amendoim). Este Amendoim, era baixinho, canhoto, driblador e que incomodava muito os marcadores. Era um belo time.

Houve no Belmonte excelentes jogadores, alguns tivemos oportunidade de ver jogando como – Silvério, Dissenha, Neneo, Mário, Jorge, Plácido, Custódio, Bodinho, Silvio, Chepa, Faeco, Altino, Domingos, Barbosa, Titão, Carleto, Jornaleiro, Otávio, Braz, Vargas, Vitorelli, Biasi, Surubico (goleiro), Taraira, Artur, Misco, Schilipaque, Bonato, Maço (goleiro), Arnaldo, Quirino, Laranjinha, Geninho, Serrinha, Miltinho, Bequinha, Feitosa, Tampa, Almir, Algacir, Rato, Laertes, Wellington, Nescafé e tantos outros.

Algacir Fiorani, o popular Tucano, chegou a ser árbitro de futebol e ele era presidente do D. Pedro II e do Belmonte, quando ocorreu a fusão que vamos enfocar na seqüência do texto.

Um dos mais destacados jogadores do futebol paranaense Airton Merlin, começou no Belmonte e depois foi sucesso durante anos como centro médio do Coritiba e da Seleção Paranaense. Merlin um craque e durante anos foi ídolo da torcida coxa branca.

Em 62, chegou a ser lançada a pedra fundamental do estádio que seria chamado Antonio Parolin, mas a idéia não prosperou e o estádio ficou mesmo na pedra fundamental. Em 1.969, O Belmonte, desapareceu do cenário futebolístico e manteve a sede social com a churrascaria até 93.

Neste ano houve uma reunião entre dirigentes do Belmonte e da Sociedade D. Pedro II, onde após troca de idéias se optou pela fusão e incorporação do Belmonte para a Sociedade D. Pedro II. Os sócios do Belmonte passaram a ser associados do Clube Recreativo Dom Pedro II. Eis um pouco da história de clube que deixou sua marca no futebol amador da capital. “RECORDAR É VIVER”

 José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Telefones –  (41) 9972-0129 – (41) 9165-1212 – (41) 9165-1213.

E-mail – contato.josedomingos.com.br

Comente

Publicidade

Pousada Dona Siroba – Contatos:

41 3462-1522 / 3462-2006

Endereços e Contatos:

>> Loja Centro
R. Saldanha Marinho, 148/154
(41) 3322-8008

>>Loja Bacacheri
Rua México, 840
(41) 3256-9797

>>Loja Capão da Imbuia
Rua Leopoldo Belczak, 1536
(41) 3267-3084