“RECORDAR É VIVER” UMA LONGA E BELA VIAGEM PELO TEMPO

Por Zé Domingos

O companheiro Paulo Gregório Berbetz, me transmitiu um texto intitulado “Recordar é Viver”, de autoria do Jornalista, Advogado e Historiador Carlos Alberto L. Andrade, que psicografou um amigo de seus anos de garoto, adolescente, enfim jovem em Quatis, Rio de Janeiro. É  realmente notável e que faz uma viagem pelo “túnel da saudade”, pelo “túnel do tempo” sensacional.

Vou me permitir intercalar a este brilhante relato, lembranças curitibanas e paranaenses. “Senhoras e Senhores passageiros os convidamos para esta viagem de sonhos, de realidades, para esta rota simplesmente fantástica”

“RECORDAR É VIVER”

Eu sou do tempo distante, chamado tempo da onça, tempo em que qualquer esquina era uma geringonça. Sou do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, do tempo em que aos domingos, a gente ia a missa. Aqui em Curitiba, além da missa tinha as matinadas de desenhos animados, com Tom e Jerry, no Cine Opera. Os garotos iam faceiros vestindo os terninhos tipo marinheiro vendidos pela Maison Blanche e as meninas gabolas, enfeitadas em suas saias godê, da Joclena e blusinhas da Mazer, uma loja infantil ao lado da Gomel, na “Rua dos Turcos”. A Maison Blanche era de meninos, Joclena e Mazer, de meninas.

 Trago lembranças bacanas das Casas Pernambucanas, das farras, do bonde aberto, dos chapéus da Casa Alberto, no Rio de Janeiro, tempo que adultério era crime e o Flamengo, ainda tinha time.  Aqui o “trio de ferro”, Atlético, Coritiba e Ferroviário, se destacava com grandes equipes, inclusive com conquistas de títulos nacionais e não como agora com Paraná Clube, na 2ª Divisão, Coritiba e Atlético Paranaense, lutando para fazer boas campanhas, mas sem perspectivas mais avançadas de chegar ao titulo.

O Paraná Clube, que surgiu da fusão entre Colorado, origem também de uma ligação entre Ferroviário, Britania e Palestra Itália e Esporte Clube Pinheiros, ex Água Verde e Savoia, tem dois títulos brasileiros, um da Divisão Intermediária, a mesma 2ª Divisão e outro da 2ª Divisão. O da Divisão Intermediária, em 92, quando na decisão ganhou do Vitória, da Bahia, por 2 a 1 em Curitiba e 1 a 0 em Salvador, num golaço de Saulo.

Os goleiros eram Luiz Henrique e Celso Cajurú, mais Balú, Servilio, Gralak, Ednelson, Roberto Alves, Adoilson, Marquinhos Ferreira, Sérgio Luiz, Alcântara, Serginho, Luiz Américo, Neguinho, Saulo, Luciano, Vica, Polaco, João Antonio, Maurílio, Nei, Sandro, Carlinhos Capixaba e Mauricio. Um timaço comandado pelo conceituado técnico Otacílio Gonçalves.

Eu sou daquele tempo do Ferroviário, campeão do Centenário, em 53 com Robertinho, Tico e Marcelino. Lalo, Tocafundo e Alceu.Maurílio, Isauldo, Juarez, Afinho e China. Este o time que jogou o decisivo frente a Cambaraense, no Estádio Durival Brito e Silva, vencendo por dois a um. Campeão de 65 e 66 com os goleiros Paulista e Luiz Fernando, Antenor, Getúlio, Fernando Knaip, Celso Marques, Sarará, Caçula, Martins, Adilson, Paulo Vecchio,  Bidio, Juarez, Fernando Augusto, Mário Madureira, Humberto e Índio. No ano seguinte o  bi-campeonato com o mesmo grupo de jogadores. Nas duas conquistas o presidente Hipólito Arzua e o técnico Geraldo Damasceno (Geraldino).

Sou do tempo do titulo da Intermediária que levou o Paraná Clube para a 1ª Divisão. Sou do tempo da disputa da chamada Série D,  onde foi vice campeão em 93, decidindo novamente com o Vitória, empatando por 1 a 1 em Curitiba e em Salvador, pelo mesmo marcador. Sou do tempo de Saulo, o Tigre da Vila e estava no jogo de Salvador, ao lado de Fuad Kalil, onde o Paraná Clube teve um gol legitimo anulado e no primeiro jogo em Curitiba, já havia sido prejudicado por Dalmo Bozano, transmitindo pela Rádio Atalaia. Sim, sou daquele tempo do Dalmo Bozano, na arbitragem. Sou do tempo de Regis, Neneca, goleiros, Roberval, Marcão, Gralak, Edenelson, Nei, Davi, Tadeu, João Antonio, Adoilson, Luiz Américo, Polaco, Romeu, Cássio, Wanderlei, Marco Antonio. Toto, Serginho Brasília, Serginho, Marques e Cláudio.

Em 99 o Paraná Clube, num critério até hoje contestado foi derrubado para a 2ª Divisão, mas em 2.000, conseguia o titulo da e voltava a elite. Na decisão empatou com o São Caetano, em Curitiba, por 1 a 1 eem São Paulo, no Parque Antártica, ganhou por 3 a 1. Os heróis da conquista foram Marcos, Hilton, Nem, Ageu, André, Gil Baiano, Hélcio, Narcizio, Fernando Miguel, Ronaldo Alfredo, Lúcio Flávio, Reinaldo, Flávio Guilherme,, Fredson, Marcelo, Márcio, Marciano, Fabrício, Everaldo e Daivison. O técnico Geninho.

O Coritiba, foi campeão brasileiro em 85, quando decidiu o titulo com o Bangu, empatando em 1 a 1, no tempo regulamentar, prorrogação 0 a 0 e decisão por pênaltis Coritiba 6 x 5 Bangú. Enio Andrade era o técnico e os jogadores Rafael, André, Gomes, Heraldo, Dida, Almir, Vavá, Tobi, Marildo, Lela, Índio, Edson, Caxias, Marco Aurélio e outros. Afora este time campeão brasileiro o Coritiba, ainda teve equipes de alto nível com excelentes atletas e sou daquele tempo.

O Atlético Paranaense, também foi campeão brasileiro e sua conquista aconteceu em 2.001 em decisão contra o São Caetano, quando venceu em Curitiba por 4 a 2 e lá e por 1 a 0. Os campeões foram Flávio (goleiro), Emerson, Rogério Correa, Igor, Nem, Gustavo, Alessandro, Cocito, Pires, Adriano, Kleberson, Fabiano, Alex Mineiro, Kleber Pereira, Souza, Ilan, Adauto, Rodrigo, Ivan, Rogério Souza, Daniel, Erandir, Geraldo, Bruno Reis, Douglas, Leonardo, Dagoberto, Altair e Rodrigues. O Atlético Paranaense, igualmente teve ótimos times, inclusive o chamado “Furacão” de 49, que até ainda apareceem comentários. Nãosou do tempo do “Furacão”, mas, conheci alguns de seus jogadores no fim de carreira, isto nos anos 50. Sou daquele tempo.

Sou do tempo do buscapé, do rojão, do balão que iluminava as noites frias de Curitiba, lá pelos idos de 50, 60 e até 70, especialmente em junho quando eram realizadas as movimentadas festas juninas, durante o mês inteiro em vários bairros, promovidas especialmente por clubes ligados ao futebol amador. As festas do Operário Mercês, hoje Mercês Clube de Campo e  Botafogo, também das Mercês, eram as mais concorridas.

O casamento caipira com o desfile das carrocinhas tomava conta das Mercês e o Capitão, fazia o seu show, estalando os chicotes, chamando atenção de todos. Havia os balões Caixa, Mimosa e Cruz, em tamanhos variados, normalmente grandes e tinha os pequenos chamados de japonês. Havia balões tão grandes que até os bombeiros eram chamados para ajudar na hora de acender a tocha. Os bombeiros vinham, erguiam a escada, seguravam a copa e os baloeiros acendiam a tocha, O fogo ardia e o balão subia, espargindo parafina incandescente sobre a Curitiba, daquele tempo que não volta mais, naquele meu tempo de guri.

         Sou  do tempo do xarope São João e do Melagrião. Sou do tempo que  menino só gostava de menina. Sou do tempo em que futebol era prá macho, tempo em que ninguém sossegava o facho nos bailes de formatura, dos plays boys botando banca, tempo em que o telefone era preto e a geladeira era branca. Sou do tempo da Geladeira Prosdócimo.

Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas, em que a penicilina curava as doenças venéreas, que o neocide combatia o chato. Sou do tempo do confete e serpentina. Do corso e dos desfiles de Carnaval, na rua XV de Novembro e depois na Marechal Deodoro, de escolas de samba como Não Agite, Bola Preta, Embaixadores da Alegria, Asas da Alegria, depois Dom Pedro II e Mocidade Azul, Colorado, Foliões da Mocidade, Unidos do Boqueirão, Sapolandia, Zebra no Batuque e outras.

Sou do tempo do chamado baile “dos enxutos”, as segundas-feiras de Carnaval, no Operário, que movimentava toda a cidade, do baile de “A mais bem Bolada”, reunindo as mais belas mulheres da noite curitibana, criado pelo sempre lembrado Barriga, de praticamente todos os clubes da cidade realizando grandes noitadas carnavalescas, muitos encerrando com os tradicionais banhos de piscina, na quarta-feira de cinzas. Os concursos de fantasias eram por demais concorridos, principalmente em Curitiba, os infantis e infanto-juvenis.

Sou do tempo do bi-carbonato de sódio, do lançamento do Sonrisal (Contra azia fique bom mais depressa com Sonrisal). Sou do tempo da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, de César Ladeira, Paulo Gracindo, César de Alencar, Eron Domingues, Jorge Curi, Mário Vianna, Washington Rodrigues, Deni Menezes, Cleber Leite, Ivon Curi, João Dias, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Nuno Roland,  Emilinha Borba, Marlene, Ângela Maria, Elizete Cardoso, Francisco Carlos, Cauby Peixoto, Ari Barroso, Brandão Filho e tantos outros.

Sou do tempo da Bedois – Rádio Clube Paranaense, dos programas de auditório com Sérgio Fraga, Mário Vendramel, Ubiratan Lustosa, Rubens Rolo, Nhô Juvêncio, Ginoca, os declamadores sertanejos Zé Paioça e Zé Matuto, a dupla Osvaldinho e Vieirinha, dos cantores e cantoras Leo Vaz, Universo Rodrigues, Chico de Lima, Gilberto Marques, Medeiros Filho, Luiz Silva, Lurdes Filheiros, Iracema Grein, Derli do Rocio, Ilande Martins, Claudete Rufino, Telmo Martins, Wilson Branco, irmão do famoso maestro Waltel Branco, Irene Macedo, Zezé Gonzaga, Os Demônios da Garoa, Os Comandos, Guaraçu e Cianorte, poeta sertanejo João Roceiro, Arati, sanfoneiro, Claudio Todisco, acordeonista,  o Regional comandado por Zé Pequeno, com Bevilaqua, Talico, Edmundo, Arlindo, Moacir e outros.

Do rádio teatro comandado por Ivo Ferro, com Sinval Martins, Felix Miranda, Mário Vendramel, Mauro de Alencar, Moacir Amaral, Boris Musialoski, Manoel Muzilo, Arilda Muzilo, Vander Machado, Iza Machado, Odelair Rodrigues Ari Fontoura, Telmo Faria, Ilka Pinheiro, Araci Pedroso, Rogério Camargo, Maria Cristina, Lurdes Maria, Lurdes Bergman, Jurandir Bergman, locutores Lineu Borges, Toni Tarciso, Galindo, Luiz Silva, Artur Conrado Drischel, Evilásio Silva, Fernando Fanuchi, Contin Mendes, Emanoel Wambier, Rubens Rolo  e tantos outros.

Do rádio jornalismo com Moacir Pereira, Alfredo Oto, Fernando Fanuchi, Luiz Carlos Dea, Saint Clair de Oliveira e outros. Do rádio esportivo de Pedro Stenguel Guimarães, Machado Neto, Willy Gonzer, Airton Cordeiro, Aloar Ribeiro, Augusto Reis, Norberto Trevisan, Martins Rebelato, Boris Musialowski, Jota Pedro Correia, Durval Leal de Souza, Durval Monteiro, Dias Lopes, Alfredo Oto, Borba Filho, Osmar de Queiroz, isto para lembrar apenas alguns.

A Bedois, da Revista Matinal, de Artur de Souza, do Cineac Rádio, programa infantil aos domingos pela manhã comandado pelo Souza Moreno, com produção de Envar Salomão. do humorista Ginoca e da Orquestra, dirigida por Sebastião Lima, dos cronistas Wanderlei José Dias (A Vista de Meu Ponto), Eolo César de Oliveira e de tantas outras atrações, inclusive internacionais. Sou do tempo das rádios Guairacá, Cultura, Marumbi, Emissora Paranaense, depois Universo, Independência, Colombo, Curitibana, Tapajós de São José dos Pinhais, Cambijú, de Araucária, Tingui e outras.

Voltando ao Carnaval, sou do tempo do lança perfume, Sou do tempo do terno de risca de giz, da calça boca apertada, depois da boca de sino, da Praça Osório, do Osvaldinho, um dos poucos homossexuais declarados da cidade naqueles tempos, do Esmaga, da Gilda, da Maria do Cavaquinho, do Bataclan, do Sacarolhas, figuras folclóricas da cidade. Do Circo Queirolo, com o famoso  palhaço Chic-Chic. No Rio de Janeiro, destaque para Madame Satã, que virou filme de cinema, com domínio na região da Lapa e cheio de histórias e estórias. Era um homossexual de cor e dado a valente. Chegava a ser temido.

Sou do tempo de poder ir aos estádios Durival  Brito e Silva, naquela época Belford Duarte, hoje Couto Pereira e Joaquim Américo, torcer e lembrar da mãe do árbitro. Não havia separação de torcidas, todos assistiam juntos e não havia problemas. No intervalo aquela cervejinha ou refrigerante e pau com bife. Ao final saiam todos, vencedores e perdedores, comentando o jogo. Sou do tempo do “Doi Codi” e do Comigo Ninguém Pode, da ditadura envergonhada.

 Sou do tempo que ficar era não ir, tempo de permitir passeios a beira mar. Sou do tempo da brilhantina, do laquê, da Glostora e do Gumex. O correio não tinha Sedex, o que vinha era telegrama trazendo má noticia. Sou do tempo que no Rio de Janeiro, a policia perseguia sambista que tivesse alguma fama e aqui os policiais da Delegacia de Costumes, corriam atrás das mulheres que faziam trottoir (trotoar) na Marechal Deodoro, especialmente entre a Barão do Rio Branco e Marechal Floriano, mais próximo da Monsenhor Celso, onde havia uma pensão que alugava quartos para os chamados “instantes”.

Também havia mulheres dentro da mesma prática na rua Barão do Cerro Azul, 13 de Maio, Travessa Marumbi, Riachuelo, onde havia vários hotéis da chamada alta rotatividade.

Sou do tempo em que mulher é que usava brinco e as portas não tinham trincos. Tempo em que se dizia “demorou” só prá quem “chegasse atrasado”. As calças não perdiam o vinco, picada era só na bunda e só se aquela febre profunda não tivesse melhorado.

No meu tempo Coca, era refrigerante e todo homem elegante abria a porta do carro para as damas. Sou do tempo do tergal, do banlon, do terilene, da Emilinha e da Marlene, sucesso musical. Sou do tempo do mocinho, no cinema brasileiro Anselmo Duarte, Cil Farney, Arnaldo Montiel, Paulo Goulart, Francisco Carlos, do vilão cara de mau, José Lewgoy, Jecê Valadão, Wilson Grey, Renato Restier, das mocinhas Eliana, Celeneh Costa, Eva Vilma, Odete Lara, Renata Fronzi, Fada Santoro, a cantora Dóris Monteiro, a acordeonista Adelaide Chiozzo, Adalgisa Colombo, dos humoristas Oscarito, Grande Otelo, Ankito, Pituca, Pagano Sobrinho, Arrelia, Zé Trindade, Mazaropi, Agildo Ribeiro, Costinha, Violeta Ferraz, Zezé Macedo, Sonia Mamede, Consuelo Leandro, Derci Gonçalves, isto só para citar alguns dos nossos astros e estrelas. Sou do tempo da mais famosa Miss Brasil, de todos os tempos Marta Rocha, de Ângela Vasconcelos, Miss Paraná e Missa Brasil, de Vilma Sozzi, a primeira miss Paraná.

Sou do tempo do reclame do Fortificante de Óleo de Fígado de Bacalhau, a famosa Emulsão de Scott. Sou do tempo da cocoroca, da Copa Roca, que muita gente não viu. Aceitava-se qualquer cigarro sem medo de ser um fato novo. Só preço podia ser barato, bicho era só animal e cara, o rosto do pobre mortal.

Sou do tempo do coreto, da banda, do velho cigarro Yolanda, vendido na venda da esquina. Sou do tempo da strecnina, veneno tão poderoso, sou do tempo do leite de magnésia, do sagu, do fubá Mimoso e do fosfato que curava amnésia.

Do progresso tão abrupto que todo mundo assistiu, poder político corrupto, o rato que sai da toca. Ora, este sempre existiu.

Sou do tempo que Jorge Benjor, se chamava Jorge Bem, a carne de bife era acém, rabo de cachorro era bofe. No meu tempo não havia estrogonofe, sou do tempo do tostão e também do vintém.

Sou do tempo da zona com seus bordeis e os programas de mil reis. Aqui em Curitiba, as casas da Frida, Gaucha, Alice Azevedo, nas Mercês, Aviãozinho e Otilia, no Alto da XV, a Otilia, foi depois para o Cajurú, onde na Vila Camargo, mesmo bairro funcionou a  Quatro Bicos, fundada pela  Maria Japonesa, procedente da Otilia, Uda, no Guabirotuba, Meia – Meia, no Uberaba, as casas da Vila Parolim, destacando-se a Casa de Campo, Castelinho, nos fundos do Estádio Centenário, do Operário do Ahú, hoje Sociedade URCA, da Marechal Deodoro, fundos do Colégio Santa Maria, da avenida Visconde de Guarapuava e da Mariano Torres. Havia muitas zonas espalhadas por toda a cidade e todas eram bastante freqüentadas.

Muitas tinham conjuntos com música ao vivo. Isto afora as boates como Moulin Rouge, Rua João Negrão esquina da André de Barros, defronte a Rodoviária Velha, Marrocos, Marechal Deodoro esquina Dr. Murici, Stardust, Praça Osório, Graceful, Alameda Cabral, Luigi’s, Alameda Cabral, Jane 1 e 2, ruas Carlos de Carvalho, quase esquina da Cabral e Cruz Machado, esquina da Ermelino de Leão, Edifício São Paulo,La Vieem Rose, rua Visconde Nácar quase esquina Carlos de Carvalho, Cádiz – “o tango abraça o samba”, rua José Loureiro quase esquina da Desembargador Westphalen, Tropical, no Passeio Público, Naya, rua 13 de Maio quase esquina Barão do Cerro Azul, Dominó, travessa Tobias de Macedo, próximo da praça Tiradentes, Manhatan, rua Pedro Ivo, perto da praça Carlos Gomes, duas localizadas na frente do Mercado Municipal, cujos nomes não lembro, Cavanhaque, cujo endereço não recordo, uma na rua Comendador Araújo Gogô da Ema e outras que me fogem os nomes. A maioria com shows, strip-tease e música ao vivo com ótimos conjuntos. Eram muitas as casas noturnas em Curitiba.

Sou do tempo da Cibalena e do Veramon. Só não vi a revista Fon-Fon, assisti filmes do rin-tin-tin. Sou do tempo da Confeitaria Cometa, da Pérola, das Famílias, do Bar Americano, comandado pelo Luiz Andrade, na Marechal Floriano, da Toca do Tatu, a casa da carne de onça comandada pelo Cristiano Schmidt, o histórico dirigente do Britania, na Marechal Floriano, das churrascarias Bambu, Tupã, São João, Guarujá, Espeto de Ouro, da Cavalo Branco, do Costelão do Catarina, e da borboleta do Caça e Pesca e do Botafogo, nas Mercês, do famoso garçom Cabelo, da Gaucha e Mate Amargo, no Pinheirinho, da Confeitaria Guairacá, ao lado do Cine Avenida, na avenida Luiz Xavier, Polar, na mesma avenida onde hoje está a Livraria Curitiba e dos bares Mignon, Stuart, Cinelândia, Ivo, Ligeirinho, Castelo de Cracovia, do Ari, do Luiz, na José Loureiro e tantos outros. Dos restaurantes Palácio, na Barão do Rio Branco, o famoso Fumaçinha, hoje na rua André de Barros, que naquele tempo funcionava a noite toda e hoje só vai até as duas da madrugada, Restaurante Rio Branco, na Barão do Rio Branco, Nino,  no ultimo andar de um edifício localizado na Pedro Ivo, ao lado da Gazeta do Povo, Onha, da famosa feijoada dos sábados na rua Riachuelo, Paris, também na Riachuelo, Ille de França, praça 19 de Dezembro, Boneca do Iguaçu e Cabana do Paulo,em São Josédos Pinhais,

Do Mitóca (Hamilton Zanon) na Desembargador Westphalen, Maria Cândida, no Juvevê, da família Calopreso, Forninho, da mesma família também no Juvevê e outros.

Colecionei estampas Eucalol, acompanhei o lançamento da Avon, tomei o fortificante calcigenol. Colecionei as figurinhas das famosas balas Zequinha. Tinha Zequinha Médico, Radialista, Motorista, Papai Noel, esta era figurinha difícil. Quase não saia, só os de mais  sorte é que a conseguiam. Tinha o Zequinha Ladrão e o Zequinha Poeta, pintando os sonhos de todos e trazendo o céu para mais perto de cada um. As figurinhas envolviam as balas grudentas produzidas pelos irmãos Sobania, mas que agradavam a garotada.

Sou dos tempos de bate bola nos campinhos e até nas ruas, onde o movimento de veículos era pequeno, quando aparecia um carro o bate bola parava e continuavaem seguida. Dasbolas de meia e depois as de capotão. O jogo de bola de burico e o jogo do tíquete em disputa das figurinhas das balas Zequinha.

Sou do tempo da PRK 30, do Balança Mais Não Cai e do Transatlântico de Luxo, programas humorísticos de grande sucesso. Os primeiros apresentados pela Rádio Nacional, com sucesso nacional e o outro pela nossa Rádio Clube Paranaense – B – 2, com  produção de Evaldo Nascimento. Sou do tempo do rádio capelinha e dos contos da carochinha.

Do tempo do remédio anunciado “Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado, mas acredite quase morreu de bronquite, o salvo, o Rhum Creosatado.

Sou do tempo da Cafiasprina, compressa Antifugestina, do Biotônico Fontoura e do Balsamo Benguê. Fui leitor do almanaque Tico-Tico, do tempo em que trabalhador ficava rico. Sou do tempo do óleo de linhaça, andei na Maria Fumaça. Li muito a Revista “O Cruzeiro”, escrevi com caneta tinteiro e separei o joio do trigo. Vi muito vigarista na cadeia.

Sou do tempo de encerar o assoalho de tábuas ou tacos com as ceras Canário, Poliflor ou Parquetina, antes passava o escovão com palha de aço e depois de encerado, passava o escovão com bom brim para dar brilho e finalmente varria. Era um trabalhão tremendo e o fiz muito, tanto em casa, como no meu primeiro emprego na Utrabo Fotografias, do Humberto Utrabo, na rua Candido Lopes 231, Edifício Brasilino Moura. Muitos da minha faixa etária certamente fizeram a mesma coisa.

Sou do tempo dos discursos dos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubisticheck e de vários outros políticos paranaenses como Nei Braga, Bento Munhoz da Rocha Neto, Plínio Costa, Leo de Almeida Neves, Jorge Nassar, Iberê de Matos, Acioli Filho, João Matos Leão, também Plínio Salgado, Fernando Ferrari e outros tantos.

Só não fui garçom da Santa Ceia, também não sou antigo assim. Sou do tempo de curtir a vida, sem medo de bala perdida. De rodar de um lado para outro, Curitiba, a noite curitibana, na maior tranqüilidade, sem qualquer problema. Sou do tempo de respeito aos pais. Enfim, sou do tempo que lamentavelmente não volta mais.

Observação – O original é de autoria do Jornalista, Advogado, Historiador Carlos Alberto L. Andrade, que psicografou um seu amigo de Quatis, Rio de Janeiro e enxertei, adaptei coisas da nossa Curitiba e de nosso Estado, dando aquele toque pessoal, inclusive usando alguns tópicos de um artigo de reminiscências curitibanas elaborado pelo Advogado, ex radialista Júlio Góes Militão da Silva, já divulgado neste site e também no programa da Rádio Continental – AM – 1270 – Internet – rpc.com.br/continental e neste site no menu “Rádio” entre 6 e 30 às 9 horas de segunda a sexta-feira.

Realmente  “RECORDAR É VIVER”

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Telefones – (41) 9972-0129 – (9165-1212 – (41) 9165-1213.

E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com

1 comentario sobre ““RECORDAR É VIVER” UMA LONGA E BELA VIAGEM PELO TEMPO”

  1. AMIGO DESCONHECIDO, MAIS UMA VÊZ VC NOS RETORNA À UM PASSADO VIVIDO POR MUITOS DE NÓS QUE ATÉ HOJE,FELIZ DAQUELES QUE PODEM TRAZER NA MEMÓRIA DE TUDO ISTO ATÉ HOJE MUITO LEGAL ! MUITAS E/OU A MAIORIA DE DESSAS COISAS EU CURTIR E POSSO DIZER QUE VIVI, INCLUSIVE QUANDO VC FALA DO RESPEITO AOS NOSSOS PAIS “QUANDO SAÍAMOS OU CHEGAVÁMOS TINHA QUE PEDIR BENÇÃOS À ELES” HOJE NÃO EXISTEM COISAS TÃO SIMPLES E VERDADEIRAS COMO ESSAS. É COMO VC BEM DIZ ISSO JAMAIS VOLTARÁ ! ! ! INFELIZMENTE . . . SÓ NOS RESTAM SAUDADES. UM ABRAÇO NENÃO… DE TEL.BORBA …

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