TOMBAMENTO DE BARES – BARES MUITOS BARES E OUTRAS RECORDAÇÕES
Por Zé Domingos
Noite destas na chamada mesa do Desembargador Dimas Ortêncio onde sempre estão reunidos amigos trocando idéias em torno dos mais variados assuntos especialmente futebol, não faltando política, sem faltar evidentemente toques em torno da vila alheia, amenidades, piadas, assuntos sérios e sobre locais onde se come e se bem em determinado momento o Luiz de Carvalho ex secretário de Turismo de Curitiba e atualmente secretário especial para assuntos da Copa do Mundo comentou ter a idéia de sugerir o tombamento de bares e restaurantes tradicionais em Curitiba.
A idéia foi aplaudida e logo passaram a ser citados bares que poderiam fazer parte do tombamento e o primeiro mencionado o Stuart, o mais antigo de todos chegando aos 105 anos e há inúmeros anos localizado na Praça Osório esquina da Alameda Cabral depois de ter passado pela Comendador Araujo e pela então Avenida João Pessoa hoje Luiz Xavier. Ronald Abraão, Ligeirinho e Maneco hoje proprietários de movimentados bares no centro da cidade foram funcionários do Stuart. Ligeirinho que chegou aos 78 anos recentemente começou ali segundo ele conta com 10 anos e por isto colocamos sempre ser o mais homem de bar em atividade em Curitiba. Maneco também está bom tempo na profissão.
Vieram lembranças do Armazém Santana, Avenida Salgado Filho – Uberaba, Casa Velha – Abranches, Edmundo – Bacacheri, Ofrázia – Vila São Paulo – Uberaba, da Torre – Rua Jacarezinho – Mercês, Marcassa – Mercês e outros. Há muitos bares antigos, tradicionais na cidade realmente merecedores de referências. Luiz de Carvalho ainda durante esta conversa colocou o que já mencionamos em várias vezes – “o bar é um local onde se formam e se fortalecem amizades”, onde surgem idéias formando histórias e estórias, enfim é o ponto mais democrático possível”. Houve durante anos o tabu de que bar era ambiente só para homens, inclusive o Ivo “o rei da batida” não permitia entrada de mulheres em seu estabelecimento localizado na Rua Voluntários da Pátria esquina de Carlos de Carvalho onde hoje está o bar do Ligeirinho e em determinado dia um grupo de mulheres liderado pela jornalista Adélia resolveu quebrar o precopnceito do Ivo e foi para frente do estabelecimento com faixas, cartazes, som, foguetório exigindo respeito aos preceitos legais e depois de muita discussão as mulheres entraram e tomaram conta da casa. À partir dali acabou a não permissão de acesso as mulheres no bar do Ivo, que em seguida foi embora para São Paulo.
Hoje elas dividem espaços nos bares e se sentem muito a vontade. Isto é sentido tanto nos estabelecimentos do centro como dos bairros. O bar repetimos é um local de liberdade e democracia. Por isto relatamos em várias oportunidades sermos freqüentadores de bares desde a adolescência e assim conhecemos inúmeros destes estabelecimentos ao longo dos anos. Em certa ocasião numa conversa com o amigo Luiz Bocian o excelente fotógrafo que tem em seu acervo um maravilhoso material sobre Curitiba ele comentava que deveríamos relembrar bares, cinemas, boates e etc., e lhes dissemos termos escrito sobre tais estabelecimentos em várias oportunidades. Diante da cobrança do companheiro o informamos que voltaríamos a abordar tais casas. Agora com esta idéia do Luiz de Carvalho e esta conversa no bar do Maneco o sugerido pelo Luiz Bocian entrou em pauta e a seguir vamos citar alguns bares e na sua passagem relembrar outras casas, bem como amigos e conhecidos que fomos formando desde os treze, quatorze, quinze anos quando começamos a freqüentar estes estabelecimentos.
Estamos com 68 anos a caminho dos 69 (observem o detalhe) já que sou de 19 de janeiro de 1.943 e assim evidencia-se que sou “botequeiro” há cinqüenta e tantos anos. Uma confirmação disto é que conhecemos o Ronald Abraão, o Ligeirinho, hoje comandando o seu famoso bar no primeiro endereço em que o mesmo foi instalado na Rua Carlos de Carvalho esquina da Rua Voluntários da Pátria quando o mesmo era auxiliar no Bar Stuart instalado na Praça Osório, onde está até hoje. Ele conta orgulhosamente e o faz com razão que desde os dez anos trabalha em bar e hoje está com 78 anos e continua firme, forte, disposto, alegre, brincalhão e gozador comandando seu estabelecimento que, aliás, freqüentamos seguidamente, pois fica próximo de casa. Face a uma cirurgia o Ligeirinho ficou de fora alguns dias, mas já está voltando aos poucos..
Com o passar dos anos nos tornamos amigos e sempre conversamos sobre Curitiba, seus bares, suas lojas, seus restaurantes, suas boates, suas “zonas”, personalidades e figuras folclóricas. Ligeirinho viveu intensamente a cidade e por isto sempre tem histórias e estórias interessantes. A exemplo do Ligeirinho fiz vários amigos, alguns se tornaram grandes parceiros em bares.
O Ligeirinho que conhecemos no Stuart informa que este bar hoje o mais antigo de Curitiba chegando aos 105 anos e que começou com a família Mehl instalado inicialmente na Rua Comendador Araújo, depois esteve na Avenida João Pessoa hoje Luiz Xavier, que um dia foi chamada de Cinelândia por estarem ali instalados vários cinemas. Havia outros ótimos bares como a Confeitaria Guairacá ao lado do Cine Avenida, onde o jornalista Aderbal Fortes Junior mencionou ser aquela avenida uma verdadeira “Boca Maldita” e o apelido pegou e até instituição virou. No local onde hoje está a Livraria Curitiba funcionou um bar de grande porte dos mais movimentados e se não estou enganado tinha o nome Polar.
Ao lado onde hoje está instalada uma loja de artigos masculinos funcionou o Café Ouro Verde. Na João Pessoa daqueles tempos hoje Luiz Xavier também funcionou num prédio ao lado do Cine Opera, a Casa do Estudante Universitário que depois mudou para sua sede própria construída ao lado do Passeio Público.
A “Boca Maldita” perdeu a força e a tradição. Os que a formaram em sua maioria faleceram e aquele poder de derrubar até governos que comentavam acabou. Alguns tentam resistir, reviver aqueles dias gloriosos, mas ficam apenas na vontade. Na verdade a “Boca Maldita” perdeu a sua identidade. Depois da João Pessoa onde o Ligeirinho informa ter começado a trabalhar o Stuart foi para onde está até hoje, Alameda Cabral com Praça Osório. Mudou de direção várias vezes, mas mantém o mesmo sistema e o Dino que é da “velha guarda” sempre está por lá atendendo a freguesia. O Ferri o simpático maratonista é atualmente um dos comandantes da casa.
Já o Ligeirinho que depois de anos como empregado abriu o seu próprio negócio na esquinas das ruas Carlos de Carvalho com Voluntários da Pátria onde está de volta teve em sociedade com o Vitor o famoso e movimentado Bar Cinelândia na primeira quadra da Rua Ermelino de Leão, também comandaram o Restaurante Presidente, no porão da sede do Clube Curitibano na Rua Barão do Rio Branco onde anos antes havia funcionado a casa de danças Caverna. Esteve também a frente dos bares do Santa Monica Clube de Campo, num ponto no Juvevê até retornar para onde está que um dia foi endereço do bar do Ivo, “o rei da batida” onde mulheres eram proibidas de entrar, até o dia em lideradas por uma jornalista fizeram uma manifestação e invadiram o estabelecimento. A partir dali acabou a proibição conforme relatado acima..
Afora bares de inúmeros bairros que freqüentamos sempre que possível visitamos o bar do Maneco, na Alameda Cabral defronte ao Bar Stuart, onde temos inúmeros amigos.. Maneco que um dia foi garçom do Stuart onde fazia o movimento da rifa montou o seu próprio bar comprando do Mano na galeria Osório. Mano que comandou durante anos um bar na Alameda Cabral esquina da Rua Carlos de Carvalho. Era dele e de um irmão e ali trabalhou o Nilson, o “Passarinho” assim chamado por sempre estar assoviando imitando diferentes pássaros atualmente um dos garçons do Maneco. Mano saiu da Cabral foi ara a galeria onde montou um restaurante e depois o vendeu para o Maneco indo morar no litoral.
Mano além de comerciante era funcionário da fiscalização da Prefeitura de Curitiba onde se aposentou. Tivemos amizade com o Mano e muitas noites quando voltávamos das aulas e do Grande Jornal que apresentávamos na Rádio Clube Paranaense – B – 2 naquelas noites frias de serração e geada parávamos ali para esquentar saboreando uma deliciosa sopa de bucho.
Ainda na Praça Osório depois na Travessa Jesuino Marcondes o Bar OK, inaugurado pelo Nelo Caruso e mais tarde comandado pelo Ari onde havia excelentes sanduíches e outras comidas especiais. Um ótimo bar e por isto muito freqüentado. Funcionava praticamente as 24 horas do dia. Ao lado do hotel São Luiz, na mesma Praça Osório também havia um bar bastante movimentado. Buraco do Tatu, na Marechal Floriano quase esquina de Rua XV de Novembro, comandado pelo Cristiano Schmidt, histórico dirigente do sempre lembrado Britania, onde tinha a melhor “carne de onça” da cidade, Americano, na Marechal Floriano entre XV de Novembro e Marechal Deodoro, muitos anos comandado pelo Luiz, outro Luiz, dirigindo o Bar do Luiz, “o rei da madrugada” na Rua José Loureiro entre Dr. Murici e Marechal Floriano.
Mais Olívio, na Rua Monsenhor Celso quase esquina da Rua Marechal Deodoro, Pigale, o bar do corredor na Rua Dr. Murici defronte a Praça Zacarias, o Pudim, não o das imediações do Cemitério Municipal São Francisco e sim o da Rua Ébano Pereira, onde hoje estão as Lojas Americanas, Bar do Japonês (Zé que por incrível que pareça foi presidente da Sociedade 13 de Maio) na Rua Saldanha Marinho esquina da Ermelino de Leão, Cristina, Rua Saldanha Marinho, entre Ermelino de Leão e Desembargador Clotário Portugal e o tradicional Kapelle ainda em funcionamento na Saldanha Marinho entre Alameda Cabral e Rua Visconde de Nácar e que recentemente fez quarenta anos, na mesma Saldanha Marinho no entroncamento com a Rua Desembargador Clotário Portugal o Bar e Restaurante Rodriguez, dos amigos José (Pepe) e Eduardo, da garçonete Lurdinha onde compareciamos praticamente todos os dias por ser vizinho, os bares da Praça Tiradentes como o conhecido popularmente como o “dos bandidos” na esquina da Travessa Tobias de Macedo. Teria ainda outros bares para mencionar, mas já usei bastante o “arquivo mental” e ele está pedindo uma trégua, assim vou relacioná-los em outra matéria.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
Rádio Continental – AM – 1270 – Internet – rpc.com.br/continental e neste site no menu “Rádio” das 6 e 30 as 8 horas e 30 minutos de segunda a sexta-feira.
Telefones – (41) 3340-7844 – (41) 3340-7956 – Rádio Continental – (41) 9165-1212 – (41) 9165-1213 – (41) 9972-0129.
E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com.




