BAR GIRALDI FAZ PARTE DA HISTÓRIA DE UM BAIRRO AGORA COM NOVA DIREÇÃO, LEMBRANÇAS DO BLOCO MORGENAU E CRISTO REI
Por Zé Domingos

bar giraldi -foto gilson camargo
Perto dos 50 anos funcionando na rua Schiler, o Bar Giraldi, durante anos comandado pelo Aldo, cujo pai foi o primeiro proprietário e por seu tio Lauro, é com toda certeza um dos mais antigos de Curitiba. A história deste estabelecimento localizado numa esquina defronte onde funcionou durante anos o Cine Morgenau, faz parte da história do Cristo Rei, um dos mais pujantes e importantes bairros de Curitiba. A tradição deste estabelecimento foi quebrada com a sua venda há alguns meses com a sua venda. Soubemos disto através o companheiro Jurandir quando de uma conversa com a “Turma da Mesa” comandada pelo presidente Cleomir Luiz Stela, na Sociedade Morgenau. Agora o estabelecimento é comandado por uma mulher. Ainda não estive lá com o novo comando e por isto não sei contar como está.
No Giraldi que conheci muito jovem sempre estavam reunidos homens ligados ao futebol com as turmas do Bloco Morgenau, Icaraí e outros grupos. Os times de futebol do Cristo Rei bem montados e organizados destacando-se o Bloco Esportivo Morgenau, que disputou campeonatos amadores e também profissionais que apresentou excelentes jogadores, vários arrebanhados por Ferroviário, Atlético Paranaense e Coritiba. Leléco, o hoje lustrador de calçados com ponto na rua XV de Novembro, entre Marechal Floriano e Monsenhor Celso, no antigo Senadinho, que no passado foi um futebolista de primeira, jogando como meia esquerda, deu seus primeiros passos no Bloco Morgenau, que tinha seu campo próximo a fábrica Mimosa, onde era o ponto final da linha de lotação que ligava o Lar das Meninas (Mercês) ao Cristo Rei.
Diante a fusão com a sociedade o antigo campo de futebol foi transformado numa das sedes da sociedade. Ali estão canchas de futebol sintético, piscinas e restaurante onde aos sábados se serve uma feijoada simplesmente sensacional e por isto mesmo das mais concorridas.
Lembrando alguns jogadores do sempre lembrado e simpático Bloco, que tinha as camisas tricolores com vermelho, preto e branco, Chamano, Orlando, Dedi, (goleiros), Versão, Puía, Carlito, Mineirinho, Solinha, Ataíde, Renatinho, Tiquinho, (estes brilharam no Atlético Paranaense), Loro, Juca, Rato, Bananinha, Sansão, Café, Célio, Mário, Ernesto, Divonsir, Tadeu, Paulo, Remi, Gil (goleiro, também jogou no Atlético), no fim de carreira os ex atleticanos Belfare e Sano, Ílio, Santo, Ramina, Zanata, Nenê, Barão, Alceu (goleiro), Dinarte, Erol (goleiro), Alceuzinho, Muchacho (com passagem pelo Atlético), Frei, Gentil, Tadeu, Luemir, Norberto, Primo, Piloto, Saladino Godoy, Mingo, Dinho, Taico, Lino, Dalagassa (com passagem por Coritiba e Ferroviário), Albertinho, Acir, Rosemiro, Borracha (jogou no Atlético), Calegari, Orestes, Gouveia, Lineu, Nhunho, Pacheco, Zé Carlos, campeão do Centenário pelo Ferroviário, no fim de carreira jogou no Bloco) e tantos outros.
Entre os citados na grande maioria tive oportunidade em vê-los atuando e com alguns até jogamos juntos nas famosas peladas. O Bloco era um time simpático e costumava aplicar peças nos grandes. Inclusive assisti algumas destas façanhas. O Bloco, teve entre seus presidentes dois amigos o Aldo Schwind, já falecido e o Ary Paes, que também foi dirigente do Britania e assim acontecendo e conselheiro vitalício do Paraná Clube. Moacir Gonçalves, foi o mais destacado dos técnicos do clube do Cristo Rei, inclusive foi técnico do selecionado paranaense.
Inclusive a primeira vez que estive no Bar Giraldi, foi em companhia do Aldo Schwind, que foi vereador em Curitiba e presidente do Bloco Morgenau, bem como dirigente de um instituto de previdência e isto faz muito tempo. Nem de longe imagino há quantos anos Talvez tenha sido no final dos anos 60, começo dos anos 70.
Ali no Cristo Rei, teve um time de futebol de salão famoso e muito bom o Terwal com a maioria dos jogadores procedentes do Bloco Morgenau. O goleiro Orlando e o atacante Tiquinho, eram os destaques. O Bar Giraldi, era praticamente a sede do Ipacarai, um bem formado grupo de futebolistas adeptos das chamadas peladas. Era um time muito forte e um dos seus lideres o professor Bandeira. Aliás, até hoje companheiros que participaram do Ipacarai, reúnem-se seguidamente em jantares, organizados justamente pelo Bandeira.
Cristo Rei, onde morreu uma das maiores personalidades políticas do Estado, o senador Abilon de Souza Naves. A sua morte aconteceu em plena campanha para governador quando participava de um encontro na Sociedade Morgenau. Em face disto a avenida que passa defronte ao clube foi denominada de Souza Naves em substituição a Guarani, seu nome original. Com a morte de Souza Naves, Nelson Maculan, seu suplente assumiu o Senado e foi lançado candidato ao governo do Estado pelo PTB. Outro candidato forte na mesma eleição era Plínio Costa, apoiado pelo governador Moisés Lupion. Ney Braga, que havia sido prefeito de Curitiba, concorrendo pelo Partido Democrata Cristão e correndo por fora foi o vencedor fortalecendo à partir daí a sua presença política no Estado, tornando-se um dos mais importantes, se não o mais importante dos políticos paranaenses.
Depois desta passagem futebolística e política, volto a enfocar o tradicional Bar Giraldi dizendo que é um espaço pequeno e quando do comando do Aldo bem usado e bem freqüentado. Grandes personalidades passando pela casa seguidamente. Isto porque as bebidas e as comidas sempre eram da melhor qualidade, bem como o papo. O Aldo, o Lauro e equipe, atendiam sensacionalmente. Agora sob nova direção não faço referencias porque não estive por lá o que espero fazer brevemente.
José Domingos Teixeira
(Zé Domingos)
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