OITO DE SETEMBRO DIA DO FUTEBOL AMADOR DE CURITIBA
Por Zé Domingos
Sou dos tempos em que o futebol amador vivia da realização dos festivais esportivos, torneios cujas disputas eram das mais acirradas e muitas vezes decididas na cobrança de penalidades máximas. Naqueles tempos anos 50, 60, 70 até inicio dos anos 80 e 90 quando dos torneios existiam goleiros defensores de pênaltis e cobradores quase perfeitos. Não havia alternância entre os batedores e normalmente as equipes tinham especialistas. Acompanhando o futebol amador desde os anos 50 observei arqueiros verdadeiras barreiras para os cobradores e exímios cobradores que dificilmente erravam. A maioria colocava a bola fora do alcance do arqueiro sem usar força, apenas um toque sutil, raros os que chutavam com violência. Não vou citar nomes porque certamente esqueceria vários destes artistas da bola, tanto cobradores como defensores.
Recordo destes torneios em função de um dado que me veio a mente quando recentemente elaborava matérias em torno de nosso futebol suburbano. O detalhe que me surgiu o do dia do futebol suburbano de Curitiba – oito de setembro, exatamente a data da padroeira da cidade Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, feriado municipal. Por ser feriado emendado com o da Independência sete de setembro eram promovidos movimentados torneios durante anos organizados pela Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná – ACEP. Todos os clubes participavam, mas como muitos viajavam as equipes disputantes dos campeonatos oficiais que participavam destes torneios se apresentavam com equipes mistas, aproveitando para testar jogadores. Mesmo assim as disputas eram das mais movimentadas.
As partidas eram disputadas em dois tempos de quinze minutos e em caso de empate a decisão em pênaltis. O perdedor era eliminado. Em alguns torneios as disputas eram de 20 minutos com dez minutos em cada tempo, istgo acontecia quando o número de participantes era elevado. Além deste torneio da Independência e do Dia do Futebol Suburbano havia outros com a presença de equipes oficiais especialmente no Dia do Trabalho – Primeiro de Maio ou durante festivais esportivos.
Vários clubes não oficiais também realizavam movimentados torneios, alguns organizados pelo radialista Dino Brassac, da Rádio Marumbi que chegou a ser vereador em Curitiba. Depois houve torneios comandados pelo radialista e líder dos taxistas Arold Armstrong que também foi vereador em Curitiba. Operário Pilarzinho durante anos promoveu movimentados torneios com equipes de todos os cantos da cidade. O mesmo foi feito pelo Grêmio Esportivo Centenário, da Vila Centenário, comandado pelo Jair Adam. Nos torneios do Operário Pilarzinho e do Centenário uma grande premiação e diante o alto número de equipes se alongavam por alguns sábados e domingos. Foi uma época gloriosa de nosso futebol amador. Lembro também que antes do inicio dos campeonatos havia o Torneio Inicio disputado nos mesmos moldes das competições que relatamos. Eram bastantr3e concorridos e sua conquista era comemorada entusiasticamente.
Os torneios praticamente desapareceram e hoje ninguém mais lembra ser oito de setembro “Dia do Futebol Amador de Curitiba”. É necessária uma mobilização para que sejam resgatados estes momentos de glória de nosso futebol amador que em tempos era um celeiro para os times profissionais. Muitos craques que deixaram seus nomes na história do futebol paranaense e nacional iniciaram atuando em equipes dos subúrbios de Curitiba. Por isto entendo ser algo a ser preservado e prestigiado.



