FUTEBOL SUBURBANO DOS ANOS CINQUENTA, SESSENTA E SETENTA, GRANDES CAMPEÕES. PASSAGEM PELO CARAMURU
Por Zé Domingos
Dentro do solicitado pela Ana Cláudia Chichon em torno do futebol suburbano que comecei a acompanhar à partir de 1.953 quando cheguei a Curitiba com dez anos de idade procedente de Castro onde já gostava de futebol torcendo desde os sete, oito anos pelo Caramuru e até hoje recordo dos jogadores da equipe da cidade das margens do Iapó como os irmãos goleiros Antoninho e Hermínio Remonato sendo que Hermínio mais tarde jogou como lateral e ponteiro direito. Antoninho que segundo informações reside atualmente em Campo Largo foi um dos melhores arqueiros que vi atuando em todos os tempos.
Jogou pelo Caramuru, Clube Atlético Ferroviário, Iraty, Olímpico de Blumenau onde ao trabalhar na Rádio Nereu Ramos o vi fazer atuações verdadeiramente sensacionais tornando-se em pouco tempo ídolo da torcida deste time que anos depois deixou o cenário futebolístico ficando apenas como clube social. Antoninho foi um verdadeiro “cigano”, um aventureiro do futebol atuando por inúmeras equipes sempre com destaque porque realmente era ótimo goleiro. Em face de problemas disciplinares sempre estava mudando de clube e cidade. Já se irmão Hermínio só saiu de Castro como militar quando transferido para o Rio de Janeiro onde jogou basquetebol pelo Flamengo e ao retornar voltou a atuar pelo Caramuru passando a atuar como lateral e ponta já que Antoninho se adonara da meta. Isto nos anos 50.
Outros jogadores do Caramuru daqueles meus tempos de “piá” castrense – Miga, Chatz, Pedrinho Menarim, Neno, Gildo, Antoninho Fanchin, Cézinha, Zepinho (estes três de Pirai do Sul sendo que Zepinho reside em Pirai do Sul e Cézinha aposentado do BANESTADO está em Curitiba)), Joel (de Tibagi – o maior artilheiro da história do Caramuru residente em Tibagi), Laurinho (um dos melhores jogadores do time de Castro em todos os tempos), Raino, Mário Biassio, Plínio Menarim Macuco, Chepa, Negrinho (goleiro) e outros. Muitos já estão no andar superior. O técnico daqueles tempos era o sargento Bias.
Em Curitiba em 53 me tornei torcedor do Poti o time do Estádio Capitão Manoel Aranha – Galícia que vi ser vice campeão invicto em 54 com o comando técnico de Edgar Antunes da Silva o popular Tatu uma das mais carismáticas figuras de Curitiba que também era técnico do time profissional do Palestra Itália e presidente da Sociedade Beneficente Protetora dos Operários o famoso Operário durante anos deixou o nome do clube gravado nos curitibanos especialmente pelos movimentados bailes de Carnaval com destaque para os das segundas-feiras quando era realizado o concurso de fantasias com a participação de travestis, muitos vindos de vários pontos do Brasil. Hoje infelizmente o Operário está abandonado e sua tradicional sede na praça Professor João Candido largada numa afronta a cidade. A Prefeitura de Curitiba tem a responsabilidade de tomar uma posição urgentemente, pois é inaceitável a situação de abandono em que se encontra, correndo o risco de ser invadido por desocupados de um momento para outro.
Voltando ao futebol e ao time orientado por Tatu vice campeão invicto da 1ª Divisão de Amadores destacado jogadores que participaram daquela equipe Costa (goleiro que depois atuou pelo Palestra Itália), Piranha, Calouro que em 55 foram para o Ferroviário destacando-se em nosso profissionalismo, Valmir, Cícero, Nino, Adib Nassar, Sabão, Geraldo, Muniz, Lineu Ristow (artilheiro que jogou pelo Água Verde com sucesso e Bloco Morgenau), Erasmo (canhão da suburbana com passagens por Coritiba, Caramuru de Castro, Atlético Paranaense e vários times amadores), Zequinha, Durval e outros.
No ano seguinte já sob a liderança do treinador sargento Alexo Snege o Poti chegava ao titulo, aliás, o único que conseguiu em sua história. Foram campeões no clube então presidido por Jaime Benato – Lilo, os goleiros Pedrinho e Amatuzzi (Pedro Washington de Almeida – Pedrinho conceituado jornalista autor de vários livros e até hoje mesmo passando dos oitenta anos responsável por colunas políticas publicadas por vários jornais paranaenses), Amatuzzi (Albenir Amatuzzi o primeiro editor das páginas esportivas da Tribuna do Paraná, falecido há vários anos, mas de uma marca jamais esquecida em nosso jornalismo inclusive criador da Copa Tribuna), Valmir, Danilo Tozzo, Durval, Geraldo, Nino, Delbio, Geraldo, Irone Santos (durante anos divulgador por rádios e jornais do futebol amador), Cláudio, Lineu Ristow, Nhunho, Denizar, Valdemar e outros. Em 53 quando comecei a acompanhar o futebol amador o campeão da 1ª Divisão foi o Botafogo, das Mercês.
O presidente Navarro Mansur depois comandante do Grêmio de Esportes Maringá grande sucesso em nosso futebol profissional conseguindo títulos nos anos 60. O treinador Otávio de Castro (Vico) que trabalhou em equipes profissionais como Atlético Paranaense, m Ferroviário, Palestra Itália e Água Verde. Os jogadores – Caninin (goleiro), Petcha, Lantzman, Pedrinho Campo Magro, Bonde, Juve, Nereu, Florindo, Mário, Dore, Américo, Romualdo e outros.
Nestes anos 50 disputavam o Campeonato da 2ª Divisão porque a 1ª era a dos profissionais – Operário do Ahú campeão invicto de 54 com Ozires Broska (goleiro), Nelson Marti, Dinir, Nelsinho, Bahr, Belo, Peixe, Duca, Dário, Ico, Eloi, Luir, Juca, Toni Pan, Darcizinho, Doca e Walter, técnico Nilo Biazeto, zagueiro campeão de 49 pelo Atlético Paranaense quando surgiu o famoso “FURACÃO”. Poti, Bacacheri, Flamengo, Rio Branco, Celeste, Primavera, Vasco da Gama, Cinco de Maio, Botafogo, Madureira, União Ahú, União Bigorrilho, Operário Mercês, Palestra Assungui, Ipiranga, Belmonte, América e Clube Espartanos (19 equipes).
Na 3ª Divisão estavam Bangu, Trieste, União Barigui, Iguaçu, Camponês, Pinheirão, Batelzinho, Taunay, Oeste Curitiba, Caramuru, Floresta, União Campo Novo, Bom Retiro, Vila Inah, Ipê, BECA, Seminário, Vila Izabel, Irani, Tamoio, Vila Aurora, União Cajurú, Guairacá, Vila Hauer, Universal, Bola de Ouro, Tebé, Esperança, Cruzeiro do Sul, Vila Macedo, Olímpico da Guarda Civil, Guairá, 21 de Abril, União Capão Raso, Novo Mundo, Avante, Triunfo, Avaí e Vila Pinto, total de 46 equipes divididas em séries Verde, Amarela, Azul, Branca e Preta.
Para citar um dos campeões dos anos 50 destacamos o Ipê campeão de 54 com Haroldo (goleiro), Nilceu, Reinaldo, Paquinho, Edison, Miltinho, Tito, Passarinho, Aldir, Djalma, Bruda, Ratão, Cunga, Bizinelli e Tijolinho.
Depois deste roteiro pelos anos 50 chegamos aos anos 60 quando estavam na 1ª Divisão – Trieste, Iguaçu, Ipiranga, Operário do Ahú, Primavera, Belmonte, Bacacheri, Poti, Bangu, Rio Branco e Vasco da Gama, onze equipes isto exatamente no ano 1.960. Muitas equipes foram para a 2ª Divisão face não terem campo ou se tinham não eram cercados. O campeão foi o Ipiranga com Caju filho do famoso goleiro Caju que marcou época no Atlético Paranaense sendo convocado para a Seleção Brasileira, Tozzo, Valmir, Olívio, Jacy, Moacyr, Fernando, Ceninho, Jaiminho, Altair, Leônidas, Almir, Careca, Lio, Sansão, Tango e Paixão. O vice foi o Trieste.
Na 2ª Divisão as presenças de nove equipes União Barigui, Madureira, Guairá, Operário Mercês, Flamengo, União Ahú, América, Botafogo e Cinco de Maio. O campeão foi o Operário Mercês de Contin (goleiro), Lourival, Roberto, Nicola, Odilon, Chico, Dante, Luiz, Arizinho, Joãozinho, Fifo e Hamilton.
Na 3ª Divisão as participações de Camponês, São Braz, Nova Orleans, União Mercês, Seminário, Pinheirão, Olaria, Campo da Cruz, Tingui, União Campo Alegre, Floresta, União Campo Novo, Rosenau, Huracan São Vicente, Boa Vista, Operário Pilarzinho, BECA, Vila Inah, São Jorge, Vila Izabel, Ipê, Batelzinho, Novo Mundo, Tamoio, Lisboa, São José, Esperança, Vila Pinto, Bola de Ouro, Guairacá, XV de Novembro, Santa Rita, Universal, 21 de Abril, Vila Leão, Vila Fani, Triunfo, Vila Hauer, Capão Raso, Olímpico da Guarda Civil e Vitória.
O campeão foi o São José que contava com estes atletas Zeca (goleiro), Azizu, Japonês Mais tarde profissional do Primavera, Grêmio Maringá e outras equipes), Leônidas ( profissional no Primavera e com passaaqgem por outras equipes do amadorismo especialmente Trieste e Iguaçu onde conseguiu vários títulos), Zé Antonio (profissional de Ferroviário, Londrina e outras equipes), Jango, Vermelho, Carlito ( profissional por Primavera e Água Verde), Osmar, Aristeu, Vivi e Silva.
Nesta viagem pelo tempo de nosso futebol suburbano chegamos aos anos 70 e justamente é o ano 70 que focalizo. Neste ano foi extinta a Divisão Especial surgindo a 1ª e a 2ª divisões. Na principal as participações de Trieste, Vasco da Gama, Ipiranga, Bacacheri, Ipê, Bola de Ouro, Operário Pilarzinho, Iguaçu, Guairá, Imperial e Botafogo, total de 11 equipes. O Vasco da Gama foi o campeão com João Carlos (goleiro), Gobo (profissional por Primavera e Água Verde), Santinho, Ize, Bequinha ( Darci Becker -durante anos titular do Coritiba, da Seleção Paranaense, um dos melhores jogadores da história de nosso futebol, exemplo de disciplina e respeito), Ariel Dalabona (outro jogador sensacional com sucesso profissional no Ferroviário, Coritiba, Almirante Barroso de Itajaí – Santa Catarina e Seleção Paranaense, um craque), Sapiranga, Miltinho, Juarez Zauer (ex Ferroviário), Fábio (com passagem pelo Coritiba), Gerson, Divonsir (ex Bloco Morgenau) e Roberto Pinto (ex Clube Atlético Ferroviário).
Na 2ª Divisão – Bangu, Vila Inah, União Fazendinha, União Capão Raso, São Jorge, Bloco Esportivo Capão da Amora – BECA, Uberlândia, Biscaia, Vila Fani, Sergipe, Xaxim, Operário Ouro Verde, Bandeirantes, Triunfo, Novo Mundo, Banguzinho, Vila Betega, Caxias, Boqueirão, Nacional, Tupinambá, Vila Hauer, Capão da Imbuia, Vila Pinto, Santa Rita, Flamengo, Nova Orleans, Combate Barreirinha, São Vicente, União Ahú, Campo da Cruz, Seminário, Olaria, União Nova Orleans, Combate Barreirinha, São Vicente, União Ahú, Campo da Cruz, Seminário, Olaria e União Barigui, 34 equipes.
O campeão foi o Caxias com os goleiros Jair e Hamilton, mais Pine, Joãozinho, Lobinho, Cláudio, Jamanta, Nilton, Airton (profissional por Bloco Morgenau, Coritiba, Atlético Paranaense e passagem pela Seleção Paranaense), Eduardo, Mendes, Teço, Bozzano, Paraguaio, Milton, Rogério e Júlio. Comando do João Santana.
Foi outra caminhada pelo sempre concorrido futebol amador de Curitiba e em outra matéria a abordagem dos anos 80, 90 e 2.000.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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