NOVO MUNDO UMA POTENTE REGIÃO DA EXPLOSIVA CURITIBA
Zé Domingos
As observações do aposentado militar, professor e hoje hoteleiro em Morretes onde com arrojado pioneirismo criou em Porto de Cima a Pousada Dona Siroba, José Carlos de Miranda recentemente eleito presidente do Conselho de Turismo da tradicional cidade litorânea em torno da matéria “SOFRIMENTO PARANISTA, COXA IMBATÍVEL EM CASA, ATLÉTICO LADEIRA ABAIXO E FLAMENGO INVICTO NA 2ª” onde num dos tópicos trazemos informações em torno do jogo entre Novo Mundo dois Flamengo dois pelo Campeonato da Segunda Divisão de Amadores no Estádio Orlando Rinaldin e não Arena Vermelha como alguns indevidamente denominam num total desrespeito ao homenageado merecedor não só desta honraria e sim de outras tantas nos leva a inúmeras recordações.
Esta viagem ao passado nos faz lembrar os tempos de garoto quando conhecemos o Novo Mundo, região encravada no já progressista bairro do Portão e depois do tempo em que prestamos o Serviço Militar junto a 5ª Companhia de Comunicações onde conhecemos pessoalmente o sargento Miranda que víamos jogando futebol de salão ao lado de outros militares como o goleiro Pedro Bueno – Pedrinho, este sargento da Policia Rodoviária Estadual que vimos primeiramente jogando futebol de campo pelo Real o “fenômeno do futebol amador” como era citado pelo Odenir Silveira o time organizado pelo Valdomiro Rauth que começou na Lapa e após veio para Curitiba, onde foi sucesso durante vários anos. Pedrinho foi depois profissional do Água Verde onde foi campeão em 67 e do Seleto de Paranaguá falecido num acidente nas proximidades de Antonina, ele que justamente era policial rodoviário. Outro arqueiro do Água Verde naquele histórico titulo era Heitor, vindo do Corinthians Paulista.
Jogavam no time das Comunicações os também sargentos do Exército Osni (Cobrinha) e Osório Pisante da Rocha, irmãos de José Pisante da Rocha, o Juquinha, o craque que atuou por Britania, Coritiba e Água Verde, todos falecidos, Wilson e Edson na cancha em piso de cimento do Diretório Acadêmico Nilo Cairo – DANC na Rua Monsenhor Celso entre as ruas José Loureiro e Marechal Deodoro.
Já nos tempos de piá como dizemos nós curitibanos, não somos nascidos aqui, já que somos nativos de Siqueira Campos com passagem por Castro, mas nos consideramos curitibanos por adoção e paixão, o Novo Mundo despontava como um setor emergente com indicativos de extraordinário crescimento o que realmente aconteceu. A praçinha que até hoje está lá no centro do bairro já era ponto destacado. O comércio em seu redor era dos mais ativos. Foi ali que durante anos segundo o José Carlos de Miranda, Orlando Rinaldin comandou uma movimentada loja de materiais de construção e depois pelos percalços da vida foi perdendo seu espaço tornando-se na seqüência proprietário de um pequeno bar por que não dizer boteco numa velha e modesta casa de madeira.
Foi neste bar que o conheci quando a convite do então sargento Miranda fui jogar no Novo Mundo, isto no ano de 62. Conosco também foram atuar no referido clube vários outros soldados da 5ª Ciacom.
Orlando Rinaldin exercia forte liderança política e social na região e tal ocorreu por vários anos. Estava envolvido em todas as iniciativas do bairro inclusive na fundação do principal time de futebol o Novo Mundo Esporte Clube. O estádio do tinha o seu nome como reconhecimento pelo que fez pelo clube inclusive financiando a construção da cerca, do vestiário e outras obras para que o local fosse oficializado junto a Federação Paranaense de Futebol conforme bem relata o Professor Miranda, naquela época vice presidente, jogador, treinador e “corneteiro mor” do clube.
Iniciamos este texto com o objetivo de relembrarmos o bairro e enveredamos por outros caminhos, mas como sempre dizemos “RECORDAR É VIVER” vivemos aqueles anos com reminiscências que nem imaginávamos abordar e como foram surgindo na mente fomos teclando.
O que pretendíamos mesmo era indicar ser hoje o Novo Mundo um dos grandes bairros de Curitiba e como dito antes está ligado aos tradicionais Portão e Capão Raso, outros dos nossos arrabaldes de porte. Está exatamente no meio. O Portão foi um dos primeiros bairros de Curitiba a criar sua estrutura de vida própria, independente do centro da cidade. O Novo Mundo e o Capão Raso seguiram suas pegadas e igualmente com o passar dos anos se tornaram independentes e pujantes..
Embalado pelo crescimento do Portão, o Novo Mundo, foi crescendo e hoje é uma verdadeira potencia. Dotado de uma estrutura ampla que passa por indústrias, grandes lojas, restaurantes, empresas de porte, hospitais, bancos, quartéis do Exército e da Policia Militar e tudo que é necessário para uma vida em comunidade, hoje é um destaque em Curitiba Tem de um lado o Portão e do outro o Capão Raso, outra região pujante da cidade.
Durante o período em que estivemos no Exército freqüentamos muitas vezes um bar localizado defronte ao quartel e que em determinada ocasião numa conversa com o jornalista Firmino Dias Lopes, ele citou dizendo que o visitava em companhia do também jornalista Hélio Teixeira e que em meio aos aperitivos se deliciavam com as coxas de galinha, a especialidade da casa.
O radialista Manoel Fernandes, que como militar de carreira trabalhou na 5ª Ciacom, também freqüentou este bar, aliás, era ponto de encontro dos militares depois do expediente, especialmente as quartas feiras quando o trabalho era apenas pela manhã.
A parte da tarde era reservada para faxina geral e um grupo de soldados ficava de castigo para cumprir a missão. Nós nos safávamos desta atividade porque jogávamos futebol e tínhamos nisto o apoio do “durão” sargento Miranda, que desde aquele tempo apoiava os “boleiros”.
Nesta nova viagem em torno do Novo Mundo destacamos que há algum tempo recebemos dados fornecidos pelo Zigmundo Czajkowski o Zig, um dos mais importantes colaboradores para revivermos e conhecermos melhor nossa Curitiba. O fundador do bairro foi um imigrante polonês que chegou ao Brasil com 14 anos e foi morar em Contenda, Tomaz Coelho, colônias pertencentes a Araucária, durante vários anos, hoje Contenda é município e Tomás Coelho, contínua pertencendo ao município de Araucária. Este imigrante Alberto Stenzoski resolveu vir para Curitiba, onde teria melhores condições para trabalhar e foi para o sul da cidade, onde abriu um armazém de secos e molhados, como se dizia naqueles tempos e o denominou de “NOVO MUNDO”..
Não demorou em que os tropeiros que por ali passavam e acampavam passassem a chamar a região de Novo Mundo e assim o nome pegou e foi oficializado pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Quando Alberto Stenzoski veio morar ali era um campo aberto e poucas eram as casas no lugar, que era movimentado justamente pelos tropeiros que por ali passavam transportando erva mate, bois e porcos que vinham vender em Curitiba. Até hoje membros da família do pioneiro do Novo Mundo, residem no bairro inclusive um esteve conosco no Exército. Sempre é bom saber daqueles que abriram o caminho para a nossa grande Curitiba, como Alberto Stenzoski.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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