CONVERSA EM BAR E RECORDAÇÕES DE PRESIDENTE E CRAQUES DO FERROVIÁRIO E ATLÉTICO

Por Zé Domingos

Em passagem pelo tradicional e histórico Bar Stuart certamente o mais antigo de Curitiba em funcionamento desde 1.904 (107 anos) com endereços Avenida João Pessoa chamada de a menor avenida do mundo, hoje Luiz Xavier,, Rua Comendador Araújo e há muitos anos na Praça Osório atualmente comandado pelo Ferri com a simpática presença do Dino o italiano que há anos está na casa me deparo com o amigo José Trindade, o Zé Trindade “cabeleireiro das personalidades” em alegre papo com dois companheiros. Aproximamos-nos e fomos convidados à participar do papo.

Estavam com Zé Trindade, Francisco Pimpão, filho do Dr. Nei Simas Pimpão, presidente do Clube Atlético Ferroviário, nos idos de 63 e 64, torcedor do Clube Atlético Paranaense e Vargas, também torcedor do Atlético Paranaense, mas a conversa girou em torno de recordações do clube da Rede Viação Paraná – Santa Catarina da qual o Dr. Nei foi alto funcionário exercendo diretorias. Justamente por isto chegou a presidência do chamado “boca negra”, com alusões ao rubro negro..

Chico como é chamado o Francisco referindo-se a Sarará um paulista procedente de Ribeirão Preto e que se destacou nos anos sessenta defendendo o tricolor em vários campeonatos sendo campeão da zoina sul em 63 e depois bi campeão estadual em 65 e 66. Era um jogador que se adaptava em várias posições e como chamado naquela época era um coringa. Francisco, o Chico comentou de que naquele tempos os jogadores se identificavam com o clube e normalmente o clube para que ganhassem pouco mais lhe arrumavam empregos em órgãos públicos.

Vários dos craques do Ferroviário eram funcionários da Rede, no caso Jaime Miguel, o Sarará. Relatei ao Francisco e parceiros da mesa de que Sarará era desligado, parecia uma criança e assim deixou de se apresentar para o expediente durante alguns meses resultando um processo de abandono de cargo. Só foi se dar conta do problema quando foi receber o pagamento e o mesmo estava cortado.

Desesperado nos procurou na Câmara Municipal de Curitiba, onde exercíamos a função de vereador pedindo que o ajudássemos a resolver o assunto. Entramos em contato com o Dr. Nei Simas Pimpão e ele entrou no circuito e depois de muitas marchas e contra marchas conseguiu contornar a situação e o irrequieto Sarará retornou ao trabalho. Lembramos ter morrido de forma trágica depois de sair de um bar em Vilas Oficinas onde residia numa noite chuvosa caiu numa valeta e morreu afogado. Foi encontrado morto as primeiras horas da manhã e o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal, onde tive a tristeza de realizar o reconhecimento e confirmar ser o ex jogador do Ferroviário e do Britania. Morreu novo o Jaime Miguel, o Sarará que foi um excelente jogador do Ferroviário.

Em 63 quando Nei Simas Pimpão hoje com 87 anos, firme e forte, era presidente o Ferroviário foi campeão da Zona Sul e Sarará teve como companheiros – Paulista (goleiro), Luiz Fernando – o Diabo Loiro (goleiro), Savi, Fernando Knaip, Caçula, Celso, Martins, Adilson, Sicupira, Bidio, Neno, Fernando Augusto, Juarez, Mário Ferreira, Bob, Tico, Acir e Inaldson Santos. O técnico Rui Santos, o popular Motorzinho.

No papo Francisco dizendo ser amigo de Sicupira e o informei que ele havia sido promovido do juvenil direto pára o time principal e fez um gol de bicicleta contra o Água Verde  dando ao Ferroviário o titulo do Sul do Estado. Para a decisão do Estadual um confronto com Grêmio Maringá campeão do Norte e Cambará campeão da chave do Norte Pioneiro. O Grêmio de Maringá do presidente Navarro Mansur foi o campeão e envergaram a faixa – Evir (goleiro), Pinduca, Ézio (goleiro), Edson Faria, Oliveira, Marcos, Nilo, Chapadão, Soca, Garoto, Haroldo, Leonel e Nilson.

Pelo time de Cambará atuavam – Chola (goleiro), Sabará, Mané, Sorocaba, Wilson, Edson, Brustolim, Benê, Joel, Aristeu e Chuvisco.

Outro jogador lembrado na conversa Mário Madureira que foi promovido no mesmo tempo em que Sicupira do juvenil para o profissional. Explicamos que há algum tempo uma ficha de Mário, amigo de infância, nos passou mensagem dando conta de seu ter desaparecido. Alguns dizem ter falecido em Porto Alegre, mas não há nenhuma confirmação. O fato é que sumiu e a família sem noticias.

A exemplo de Sicupira embora não com o mesmo fulgor de Barcimio Sicupira, Mário Madureira foi excelente jogador sendo autor de um gol histórico em Maringá num jogo frente ao Grêmio Maringá em 65 que abriu o caminho para o Ferroviário ser o campeão estadual trazendo o titulo depois de alguns de volta para a capital. No ano de 64 Mário Madureira participou de uma campanha horrível do Ferroviário e o time da Vila Capanema a exemplo do Coritiba, não se classificou para as fases decisivas do campeonato. Coritiba e Ferroviário nas fases classificatórias ficaram entre os últimos colocados. Em 65 Hipólito Arzua assumia a presidência do Ferroviário em substituição a Nei Simas Pimpão.

Na conversa o Vargas disse ter como seu grande ídolo no futebol Sicupira face suas destacadas atuações pelo Clube Atlético Paranaense onde foi campeão em 1.970 usando a camisa oito por isto hoje quando o anunciam em seus comentários pela Rádio Banda B, dizem “o craque da camisa 8″. Naquele ano jogavam pelo Atlético Paranaense Wanderlei (goleiro), Djalma, Santos, Zico, Alfredo, Júlio, Miltinho, Ferrinho, Toninho, Reinaldo, Dorval, Zezé, Nelsinho, Nilson Borges, Valdomiro (goleiro), Benicio (goleiro), Zé Augusto (goleiro), Amauri, Zé Leite, Liminha, Cláudio, Nair, Nayo, Darci, Moreira, Serginho, Juarez, Nilo, Gildo, Lourival e Charrão.

Outro toque interessante do Vargas na conversa foi em torno de achar a camisa listrada do Ferroviário muito bonita e emendamos dizendo que realmente era bonita, mas era valorizada pela beleza do distintivo, uma dos mais bonitos em todos os tempos no futebol brasileiro. A locomotiva chamava a atenção e Vargas disse que embora atleticano tem que reconhecer que efetivamente a camisa e o distintivo eram uma beleza.

Destacamos em dado momento de ter o Dr. Nei Simas Pimpão se insurgido com os detalhes que levaram o Ferroviário e fundir com Palestra Itália e Britania surgindo o Colorado em 1.971. Ele liderou um  movimento que resultou em vários processos e em todos houve a confirmação da fusão. O fato é que Dr. Nei deixou a marca de ser um homem batalhador dentro daquilo que entendia ser correto.   Explicamos que nos mostramos favoráveis a incorporação dos patrimônios e que fosse mantido o nome do Ferroviário, mas ocorreu mesmo a fusão que durou até 1.990 quando ocorreu nova fusão entre Colorado e Pinheiros surgiu o Paraná Clube, que neste ano chega a sua “maioridade”.

No papo lembranças de alguns estabelecimentos comerciais localizados na Praça Osório ou em suas imediações que eram freqüentados pelo Gaucho, o pai de Vargas. Lembramos também que os pais de Francisco eram vizinhos de papai e mamãe na Alameda Cabral entre as ruas Julia da Costa e Martin Afonso.

Foram momentos felizes e por isto passaram rapidamente. Esperamos reencontrar os companheiros para novas conversas e certamente relembraremos coisas importantes da nossa Curitiba de ontem, hoje e sempre.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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11 comentarios sobre “CONVERSA EM BAR E RECORDAÇÕES DE PRESIDENTE E CRAQUES DO FERROVIÁRIO E ATLÉTICO”


  1. Ney e Francisco Pimpão disse:

    Beleza de comentários! Forte abraço dos Pimpões!!!


  2. Ricardo Soares disse:

    Nesse caso, o senhor podia nos explicr o q


  3. Ricardo Soares disse:

    o que aconteceu efetivamente ? Seria graças a esse dr. Pimpão que até hoje nem Colorado nem Paraná Clube conseguiram solucionar o imbroglio de Vila Capanema e que devido a essa ação até hoje não temos garantia de casa própria ?
    Independente da resposta, sempre tive lá comigo que seus filhos provávelmente seriam atleticanos.


  4. Ricardo Soares disse:

    Falar nisso, deparei com a delegação atleticana chegando do Rio, dava pena. Principalmente de um jovem que transportei, não sei o nome do atleta, mas mostrava-se completamente arrasado e depressivo. Acabei dando uma força pra ele, depois para uma pessoa provalvelmente da comissão tecnica, e contei pros dois, talvez não se dessem conta, que ficassem tranquilos: “Amigos, seu time tem a midia e a massa – voces são eternos”. Aí, pra explicar ao meu, antitese, do deles.


  5. Ricardo Soares disse:

    Colega nosso dia desses deu de cara com o fantástico Mario Celso Petraglia, no seu trabalho diário, e como é da Galera Boca (a que ficou sem casa, ao menos até agora) e já tascou: “Ah, doutor, se o senhor fosse boca-negra …”.


  6. Ricardo Soares disse:

    Recebeu a resposta merecida: “Bão, eu ofereci parceria, eles não quiseram …”.


  7. Ricardo Soares disse:

    Mas argumentei com o colega que os paranistas não quiseram porque estavam bem, na época da oferta. E mesmo que aceitassem, quem garante que o coronél daria enfase aquilo que os próprios paranistas não impuseram, que seria a exploração à exaustão do seu passado histórico, valoroso,inédito por aqui, da ligação com os negros, com os trabalhadors da estrada de ferro, o samba, etc. ?


  8. Ricardo Soares disse:

    O colega contra-argumentou: ” – É, mas se o dr. Petraglia, visão privilegiada e adiantada no tempo aos demais por aqui, se ele com a simples historia do Furacão fez do seu Atlético um clube comnhecido nacionalmente inclusive pelo próprio apelido histórico, o que não faria tendo às mãos o manancial fantástico das maria-fumaça, dos negros e do samba ? Claro que ele não deixaria de explorar tamanha riqueza histórica e acabaria fazendo do Clube Atlético Paraná o clube mais sólido do país, como ele próprio sonhava”.


  9. Ricardo Soares disse:

    E ainda me judiou mais, o colega: ” – Lembra que ele, já no começo da revolução rubro-negra, dizia aos circunstantes: dêm-me idéias, dêm-me idéias ” ?


  10. Ricardo Soares disse:

    Tive que concordaqr, lembrando que a partir dali saiu a nova logomarca, saida sem dúvidas do seio do mais belo simbolo do futebol brasileiro e mundial, sem dúvida o do CAF, só que agora sem os louros da vitoria e as rodas do trem. Saiu o Furacão, o titulo mesmo contra o azulão de lá, a mobilização e a paixão das massas pelo material todo que foi criado, inclusive mulheres e crianças, garantia de futuro brilhante para eles.


  11. Ricardo Soares disse:

    Conclusão, mesmo contra a vontade, concordando com o amigo: o doutor é mesmo uma figura diferenciada, avançada no tempo e no espaço. Sorte do Atlético, pois ele vem aí, de novo.

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