QUARENTA ANOS SEM FERROVIÁRIO

Por Zé Domingos

Recebi através a Lia Comandulli filha do sempre lembrado jornalista e radialista Clemente Comandulli um texto assinado pelo jornalista Rodrigo Fernandes intitulado FERROVIÁRIO: uma ausência de 40 anos, divulgado em Arquibancada Virtual. Rodrigo é da Gazeta do Povo e sua lembrança do Ferroviário me encheu de satisfação e nostalgia. Por isto afirmo e reafirmo seguidamente “RECORDAR É VIVER”.

Ele destaca – Passou batido, mas há pouco mais de um mês lembrou-se a morte – ocorrida há 40 anos – de um gigante do futebol paranaense. No dia 29 de junho de 1.971 o Cube Atlético Ferroviário fundiu-se com o Britania e o Palestra Itália para formar o decepcionante Colorado. A história do time que surgiu desta fusão é um caso aparte. Ainda existe muita gente com saudades daquela camisa vermelha pródiga com histórias bizarras.

Os fãs do Colorado, diga-se, orgulham-se daquela mística azarada – uma espécie de analogia a vida sem golpes de morte, típica do brasileiro comum. Eram pessoas felizes com a trajetória desgostosa do humilde boca-negra. Ainda hoje escuto discursos nostálgicos ressaltando como era bom o tempo do coloradinho.

Enfim o motivo desse texto é lembrar-se do Ferroviário – a vitima maior do Colorado. O falecido gigante foi campeão paranaense de 1.937 e 1.938, também em 44 e 48. Levantou a taça ainda em 53. Votou a ser bi-campeão em 65 e 66. Foi o primeiro representante do estado no Roberto Gomes Pedrosa, o Brasileiro da época. E jaz!

Certa vez fui cobrir um treino do Paraná – o espólio do Clube Atlético Ferroviário – CAF – e o radialista Manoel Fernandes disse que lamentava o fato de o Tricolor não ter resgatado o emblema da extinta agremiação. Achei a observação curiosa, pois não tinha observado ainda essa questão estética. De fato perdeu-se um desenho dos mais bonitos.

A tese, salvo falha de minha memória foi reforçada pelo publicitário Ernani Buchmann, ex presidente paranista, quando o entrevistei sobre o livro QUANDO O FUTEBOL ANDAVA DE TREM, de sua autoria há nove anos.

O livro de Buchmann, diga-se, é obrigatório para quem gosta de história de futebol. Não sei se há exemplares a venda, mas a obra foi editada pela Imprensa Oficial do Paraná em setembro de 2.002.

Na pesquisa literária explica-se que sem o apoio da Rede Ferroviário, a equipe não teve como prosperar. Ainda hoje imagino como seria aquele time com uniforme pomposo, mas de torcida humilde em ação.

É difícil encontrar uma definição, mas vou me arriscar para o desgosto de muitos amigos paranistas – se estivesse vivo até hoje, o Ferroviário seria o Paraná com trajetória bipolar carregando uma camisa de 100 kg. Seria um sonho para muitos.

OBSERVAÇÃO – evidente que não concordo com todas as colocações do Rodrigo, mas o Ferroviário, na verdade está encravado na história do futebol paranaense, especialmente como eu foram seus torcedores. Talvez se tivesse apenas sido feita uma agregação dos patrimônios quando do surgimento do Colorado e mantidos os detalhes de nome, distintivo e marca Ferroviário, o clube existisse até hoje e certamente seria o mais populares de nossos times de futebol. Escrevi isto em várias oportunidades e repito sempre. Há muitos que defendem a volta do grito de guerra “É BOCA, É BOCA”, lembrando o temível “BOCA NEGRA”. Valeu Rodrigo pela lembrança e por tão importantes observações.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

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2 comentarios sobre “QUARENTA ANOS SEM FERROVIÁRIO”


  1. Ricardo Soares disse:

    Mas o escudo do Boca foi reproduzido pelo co-irmão e ficou sensacional. Na verdade, devido a incapacidade, a falta de visão daqueles que nos representam na comunicação, o Boca podia ter continuado no proprio Paraná Clube sem dificuldade, apenas co o uso de criatividade constante e diária, como o pessoal de comunicação de Coritiba e Atlético fazem pelos seus clubes de preferencia na lide diária. Foi apenas questão de incompetencia dos nossos ícones, e tinhamos e temos alguns, até hoje, mas omissos, desligados, distaídos, parece até. Dependiamos deles, o povo dependia deles, o pobre povo boca-negra, tão numeroso até hoje. Com a omissão, surgiu a inexpressiva Gralha.


  2. Ricardo Soares disse:

    Dia desses um amigo coxa-branca me disse que ainda tinhamos a Kombi. Ou seja, jogamos no latão de lixo toda a historia Boca, o vinculo original com trabalhadores das estradas de ferro, com os afro-descendentes, com o samba (escola de samba nascida dentro da Vila e que revolucionou o Carnaval curitibano), as históricas, bem boladas e bem sucedidas viagens do Esquadrão de Aço (viajava de maria-fumaça), os titulos, uma história que ja se configurava na década de 20 nas imediações da Vila onde o povão jogava sua bolinha, tudo pro lixo. Herdamos o que ? A Kombi do Pinheiaros. Belo negócio, hein ? Prá dupla atletiba, de um preço simplesmente incalculável. Fomos a sua redenção.

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