CLUBE ATLÉTICO FERROVIÁRIO – “BOCA NEGRA”, TAMBÉM CHAMADO DE “ESQUADRÃO DE AÇO” VIAGEM PELA HISTÓRIA DO TRICOLOR

Por Zé Domingos

O Clube Atlético Ferroviário, um dos mais populares times de futebol do Paraná ao longo da história foi fundado em 1.930 diante uma cisão no Britania Sport Clube. O novo clube teve seu inicio em reunião realizada na residência de Ludovico Brandalise. Num momento inicial o Ferroviário, surgiu para reunir os funcionários e os operários da Rede Ferroviária Paraná – Santa Catarina -RVPSC, disputando apenas campeonatos amadores.

Abordamos o momento do surgimento para destacarmos que recentemente no dia 29 de junho foram completados quarenta anos do desaparecimento do famoso time tricolor que em 1.939 depois de uma exaustiva viagem de trem ao Rio Grande onde enfrentou em Porto Alegre ao Internacional e o goleou por cinco a dois, isto no dia 24 de setembro foi chamado de ” ESQUADRÃO DE AÇO”. A confirmação de ser uma equipe forte e merecer o titulo “ESQUADRÃO DE AÇO” veio com uma espetacular vitória em Curitiba frente ao outro famoso time gaucho o Grêmio Portoalegrense em Curitiba no dia 19 de junho de 1.940 quando venceu por três a um. Em 12 de outubro de 37 o Ferroviário mostrava a sua garra, a sua qualidade derrotando o poderoso São Paulo por dois a um, jogo disputado em Curitiba.

Quem lembrou da sensacional vitória frente ao Internacional em Porto Alegre foi o amigo Lidener, 86 anos, torcedor do Coritiba, ex árbitro de futebol e participante ativo das rodas de conversa na Sociedade Morgenau, onde comparece praticamente todas as noites sempre relembrando momentos importantes, gloriosos e as vezes hilários com “estórias” do futebol paranaense e de outros assuntos. Um historiador, um verdadeiro historiador e também “estoriador” que faz questão sempre de lembrar uma viagem que nos serviu como motorista até Bandeirantes para a transmissão num domingo de Carnaval de um jogo do Coritiba.

Na viagem Clemente Comandulli, comentarista, Lauro Petronilho da Silva na verdade Laudelino, mas conhecido como Lauro, nosso motorista oficial e eu Zé Domingos, narrador. A transmissão pela Rádio Universo, antiga Emissora Paranaense comandada pelo sempre lembrado Dr. Nagibe Chede. Clemente e Lauro falecidos, mas o Lidener e eu estamos ai para relatar esta viagem e tantas outras coisas.

Sobre esta viagem vamos relembrá-la em outra matéria, bem como vamos registrar detalhes interessantes do ponta direita Clemente Comandulli que antes de ser jornalista esportivo da Gazeta do Povo, Rádio Guairacá – ZYM – 5 – 550 kilohertz “a voz nativa da terra dos pinheirais”, outras emissoras e por fim Universo jogou pelos aspirantes com passagens em algumas oportunidades pela equipe principal do Clube Atlético Ferroviário.

O Lidener destacava que mesmo com o desgaste da viagem o Ferroviário não tomou conhecimento do Internacional e foi logo o goleando por cinco a dois, sendo então chamado de “ESQUADRÃO DE AÇO”. Faz questão de destacar que hoje chamam o Bahia de “ESQUADRÃO DE AÇO”, mas o primeiro e verdadeiro foi o Clube Atlético Ferroviário.

Ao ser fundado o Ferroviário mais tarde chamado de “Boca Negra”, “Time da Rede” por ser ligado a de Viação Paraná – Santa Catarina e “Campeão do Centenário” por ter conseguido o titulo de 1.953, o ano do centenário da Emancipação Política do Estado do Paraná levou para as suas fileiras os principais jogadores do Britania. Logo o Clube Atlético Ferroviário, começou a despontar como time competitivo e, sobretudo como força popular do futebol de Curitiba. De equipe amadora passou a profissional e nos campeonatos que disputou segundo a pesquisa do Zigmundo Czajkowski, conseguiu oito títulos do Campeonato Paranaense, 1.937, 1.938, 1.944, 1.948, 1.953 (o mais glorioso dos títulos marcado pela passagem do centenário de emancipação política do Estado do Paraná, até hoje os torcedores do Ferroviário, dizem com orgulho “O Campeão do Centenário” e lembram a sua escalação), 1.965 e 1.966.

Lembro muito bem do titulo do Centenário, na decisão contra a Cambaraense e das campanhas de 65 e 66, que  como repórter acompanhei de perto. Aliás, desde que cheguei a Curitiba, com dez anos estive ao lado do chamado clube da Rede, o popular “Boca Negra”.

Com a informação dos anos em que o Ferroviário, foi campeão, pesquisei junto ao livro “Futebol do Paraná 100 anos de História”, de autoria de Heriberto Ivan Machado e Levi Mulford Chrestenzen e relacionei os atletas que levaram o tricolor a estas conquistas.

1.937 – Beltrão, Zeca (José Barbosa de Lima Neto, que depois foi destacado arbitro do futebol paranaense) e Alfeu, Bananeiro, Ferreira e Janguinho (famosa intermediária dos irmãos Ferreira, o centro médio Ferreira, também se tornou arbitro), ainda na linha média como diziam naquele tempo jogaram o Candinho, ele entrou em algumas partidas no lugar de Ferreira e Alexandre, no lugar de Janguinho, Valdomiro, Ari Carneiro, Emédio, que cedeu lugar em algumas partidas para Baiano e Gabardo III, Pivo e Rubens. Ainda participaram o goleiro Russo, Tatinho, Zequinha e Sanin.

1.938 – Os goleiros Francalaci e Zico, Zeca e Alfeu. Bananeiro, Ferreira e Janguinho. Zequinha, Ari Carneiro, Emédio, Pivô e Rubens. Ainda participaram da campanha Alexandre, Tatinho, Baiano, Gabardo III e Mosquito. Os irmãos Ferreira Haroldo (Bananeiro), José (Ferreira) e João (Janguinho) verdadeiros craques que atuaram em várias seleções paranaenses, em 35 jogaram no futebol paulista pelo Santos e foram campeões. Depois foram bi-campeões paranaenses pelo Clube Atlético Ferroviário. Neste ano o campeonato foi disputado por pontos corridos e o Ferroviário, disparou chegando a abrir cinco pontos do mais direto concorrente e como o Boca Negra, se distanciou vários jogos que não influiriam na classificação foram cancelados.

Neste campeonato havia um item no regulamento que não permitia a utilização de jogador que estivesse envolvido em processo criminal e o Coritiba, recorreu a isto para tentar ganhar os pontos de uma partida que tinha perdido para o Ferroviário por dois a um, face o clube da Vila Capanema, ter escalado Mosquito, um jogador vindo de Ponta Grossa, que tinha uma pendência policial naquela cidade.

O assunto foi levado a julgamento e a decisão foi a marcação de outra partida. No segundo encontro outra vitória tricolor e desta feita por 6 a 4. Um verdadeiro festival de gols. O time do Ferroviário, era muito forte e por isto chegou com sobras ao bi-campeonato.

1.944 – Luiz e Francalaci (goleiros), Zéca e Alfeu. Nelson, Ferreira e Biguá. Zequinha, Ari Carneiro, Emédio, Pivo e Rubens. Ainda participaram Darci, Mosquito, Amazonas. Quito (goleiro) e Baiano.

1.948 – Pianowski, Nelson e Biguá. Tide, Nelsinho e Janguinho. Rosinha, Afinho, Isauldo, Darci e Altevir. Ainda atuaram Rubens, Cujinho, que em fim de carreira vi jogando pelo Poti, inclusive era morador vizinho ao Estádio Capitão Manoel Aranha e além de servir como jogador ajudava de todas as formas, inclusive como massagista do tricolor da Galícia, destaque de nosso futebol suburbano e Jair. Ainda sobre Cujinho, também atuou pelo Britania.

1.953 – Campeões do Centenário – Robertinho, Tico e Marcelino. Lalo, Tocafundo e Alceu. Maurílio, Isauldo, Juarez, Afinho e China, o time base a exceção de Lalo, que entrou no ultimo jogo em lugar de Arnaldo, contundido. Outros Adir e Ferraz (goleiros), Casnock, Elísio, Zé Carlos, Nelsinho, Ismael, Negro e Bertolli.

Foi neste ano que cheguei a Curitiba e o primeiro jogo que fui assistir Clube Atlético Ferroviário x Cambaraense, na decisão do titulo. O time de Cambará era excelente e tinha um goleiro Bino, verdadeiramente sensacional. Depois soube ter sido goleiro do Coritiba, do Corinthians Paulista e ser de Antonina. Naquele jogo fez defesas “milagrosas”.

Jogavam pela Cambaraense o goleiro Bino, Carlito e Belacosa. Deolindo, Botina e Augusto. Alceu, Rubens, César Frizzio, Baltazar e Zequinha. Faziam parte do elenco Julinho, Pedrinho e Tonito.

O jogo com o Estádio Durival Brito e Silva, lotado foi vencido pelo Ferroviário por dois a um, numa partida das mais disputadas.

O técnico do Ferroviário, o sempre lembrado e querido João Lima e o presidente Armando Prince. Antes de João Lima assumir o comando técnico quem comandava a equipe era Atílio Ramon, um abnegado ao clube onde exerceu diferentes funções. Pai de grandes desportistas com Nilson, centro avante com passagem por Ferroviário e Coritiba, exímio goleador e grande destaque durante anos em nosso futebol de salão, já falecido, Nilton (Dengo) também destacado no futebol de salão, árbitro de futebol e futebol de salão, trabalhando ainda como representante, enfim um apaixonado por futebol e Nei, que também jogou futebol de salão.

Eu que desde Castro, tinha tendência em torcer pelo Ferroviário, porque contratara o Gildo, jogador do Caramuru, à partir deste dia 28 de novembro de 1.953, me tornei efetivamente “boca negra” torcedor do Ferroviário e só mudei porque o “Boca” desapareceu. Até hoje tenho saudades, muitas saudades do Clube Atlético Ferroviário. Passei a torcer pelo Colorado e hoje sou paranista. O Ferroviário, daqueles tempos e depois em 65 e 66, me trás ótimas recordações.

1.965 – Depois de um 64 vergonhoso quando ficou entre os últimos colocados, ao lado do Coritiba e os dois foram eliminados da fase decisiva, do campeonato, em  65, com a ascensão de Hipólito Arzua, a presidência o Ferroviário, voltou a viver momentos de glória e conseguiu brilhantemente o titulo máximo da temporada.

O técnico era Geraldo Damasceno (Geraldino) e jogavam Luiz Fernando (Diabo Loiro), Paulista (goleiros), Antenor, Getúlio, Fernando Knaipp, Caçula, Celso Marques, Martins (Dr. Martins – Médico em Registro, naquele tempo universitário), Juarez, Sarará, Mario Madureira, Paulo Vecchio, Bidio, Humberto, Adilson e Índio. O treinador Geraldo Damasceno (Geraldino).

A decisão foi com o Grêmio Maringá, que havia vencido o campeonato na chave norte e o Ferroviário, campeão da zona sul, venceu os dois jogos. Em Maringá, com um golaço do Mario Madureira, no final da partida por um a zero e depois em Curitiba por três a um. O titulo foi reconquistado por Curitiba, já que estava no norte desde 1.961. A festa foi sensacional e a cobri pela Rádio Clube Paranaense – PRB- 2.

1.966 – Ferroviário – bi-campeão – Paulista, Antenor, Fernando Knaipp, Caçula, Celso, Martins, Índio, Mário Madureira, Padreco, Bidio, Paulo Vecchio, Jaime, Humberto, Luiz Fernando (goleiro), Getúlio, Pinheiro, Ariel, Albino, Adilson e Sidney, os jogadores campeões. Técnico novamente  Geraldino e massagista Osvaldo Maçaneiro. O “sargentão” como alguns o chamavam era um verdadeiro faz de tudo no time, Ele era mesmo um sargentão e desenvolvia suas funções com linha dura de militar, já que pertencia ao Exercito. Um verdadeiro baluarte, pois além de cuidar dos contundidos, dava atenção a todos os setores, sendo um colaborador dos mais efetivos. Era de confiança total da diretoria.

Ronald Osti Pereira, um brilhante jornalista, que passara por situações problemáticas diante o regime político que assumira o comando do Brasil, foi outro dirigente destacado nesta conquista que teve mais uma vez a presidência de Hipólito Arzua. Ronald, era superintendente, sendo um dos primeiros dirigentes remunerados do futebol paranaense e vivia o clube praticamente vinte e quatro por dia. Um homem extraordinário e por quem guardo recordações altamente positivas. Lamentável uma doença grave, o afastou de nosso convívio muito cedo.

Foi o ultimo titulo do querido Clube Atlético Ferroviário. Com esta

conquista foi convidado para participar em 67 do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, espécie de campeonato nacional da época e estreou empatando com o Bangu, campeão carioca com a Vila Capanema, num domingo de muita chuva por um a um.

No Bangu grandes astros do futebol brasileiro como Ubirajara (goleiro), Mário Tito, Ari Clemente, Fidelis, Zózimo, Jaime, Paulo Borges, Ocimar, Bianchini, Parada, Aladim (atual vereador em Curitiba), Calazans e outros. Um time que deixou saudades no futebol brasileiro. Mesmo com reforços de outras equipes o Ferroviário não ganhou nenhum jogo.

Eis os resultados Ferroviário x 1 Bangu, Ferroviário 1 x 2 Corinthians, Ferroviário 0 x 1 Internacional, Ferroviário 2 x 4 Palmeiras, Ferroviário 2 x 3 Portuguesa de Desportos, Ferroviário 1 x 2 Fluminense, Ferroviário 0 x 1 Vasco da Gama, São Paulo 4 x 0 Ferroviário, Ferroviário 0 x 0 Cruzeiro, Ferroviário 1 x 1 Flamengo, Santos 3 x 0 Ferroviário, Ferroviário 0 x 0 Botafogo, Grêmio Portoalegrense 2 x 0 Ferroviário e Ferroviário 1 x 2 Atlético Mineiro.

Jogaram Paulista, Luiz Fernando (goleiros), Luiz Kavalis, Fernando Knaip, Pinheiro, Celso Marques (capitão da equipe), Renatinho (vindo do Atlético Paranaense), Juarez, Pedro Alves (procedente do Atlético Paranaense), Padreco, Paulo Vecchio, Humberto, Brando, Getúlio, Antenor, Caçula, Ferreirinha, Cecconi, Martins, Índio, Ariel Dalabona, Sidney, Jaime, Mário Madureira, Nilzo e Gijo.

Em 1.971, depois de seguidas reuniões dirigentes de Ferroviário, Palestra Itália e Britania, sacramentaram uma fusão entre os clubes surgindo o Colorado Esporte Clube. Até hoje os torcedores do Ferroviário, não se conformam, entendendo que deveria apenas ocorrer a agregação dos bens e ser mantido o nome Ferroviário, que era de grande apelo popular.

O Ferroviário tinha uma torcida forte e entusiasta. O grito “é boca, é boca” ecoava alto e bom som, emocionando a uma massa torcedora fiel e participativa. Nem todos torcedores do Ferroviário, tornaram-se aficionados do Colorado e o Colorado, ao longo de sua trajetória conseguiu apenas um titulo e ainda foi dividido com o Cascavel, em 1.980.

Foi neste ano que aconteceu o jogo do famoso cai-cai por parte de jogadores do Cascavel e a partida foi encerrada face a equipe do interior logo no inicio do segundo tempo ter ficado com seis jogadores. O Colorado vencia a partida por dois a zero e demonstrava condições de impor uma goleada, daí o cai-cai.

O caso foi parar no Tribunal de Justiça Desportiva. No dia 4 de dezembro, o Tribunal apenou o Cascavel, com a perda dos pontos, parte da renda e multa de duzentos cruzeiros. Nesse mesmo julgamento a Comissão de Sindicância da Federação Paranaense de Futebol, confirmou que as contusões que levaram os jogadores do Cascavel a abandonar o campo de jogo, eram “reais”. Entretanto o titulo só poderia ser homologado através de um ato administrativo da presidência da FPF.

Ai aconteceu uma decisão até hoje contestada e não compreendida especialmente pelos torcedores do Colorado. O presidente Luiz Gonzaga da Mota Ribeiro, que vinha recebendo ao longo do campeonato várias acusações, que quase o obrigaram a renunciar, encontrou uma forma conciliatória: Através do ato presidencial 12-80, declarou Colorado e Cascavel, campeões.

O ato do presidente trouxe repulsa e indignação ao Colorado Esporte Clube. Inclusive o presidente Nelson Vetorello, do Cascavel declarou taxativamente que o Colorado, merecia ficar com o titulo. Foi mais uma página triste do futebol paranaense.

Os jogadores do Colorado, naquele campeonato foram Joel Mendes (goleiro), Ari Marques, Marião, Larri, Chico Fraga, Nilton, Marinho, Jaiminho, Buião, Jorge Nobre, Freitas, Sidney, Humberto Ramos, Chinho, Ananias, Castor, Mauro, Jarlei, Marçal e Lúcio.

Em 1.990, desapareceu o Colorado e surgiu o Paraná Clube, já que houve a fusão entre Colorado e Pinheiros. No primeiro campeonato o “Tricolor” como era chamado popularmente o novo clube foi o terceiro colocado, mas no ano seguinte conseguia o seu primeiro titulo. Depois foi cinco vezes consecutivas o detentor do titulo, isto de 93 a 97. Nove anos depois o Paraná Clube, voltou a ganhar o titulo estadual, quando José Carlos Miranda, era presidente e eu (Zé Domingos) estava na vice presidência do clube e do Departamento de Futebol Profissional.

Voltando ao Ferroviário registro que em programas da Rádio Continental – AM 1.270 – Internet – rpc.com.br/continental e neste site no menu “Rádio” perguntei – “qual clube estaria fazendo aniversário no dia 12 de janeiro?” e houve inúmeros ouvintes que responderam acertadamente. Alguns   relembraram dados importantes. Acir Antoniassi, um dos grandes ponteiros esquerdos do futebol paranaense nos anos 50 atuando por Botafogo, das Mercês, onde começou, Palestra Itália e Clube Atlético Paranaense informou que o primeiro presidente foi Francisco Alves Guimarães, vice presidente Holger Mortensen, secretário Manoel Motter Filho, segundo secretário Eduardo Weigert, Tesoureiro, Altair de Paula Pereira, vice tesoureiro Luiz Bindo.

Salve, salve o “Boca Negra”, saudades permanentes do Clube Atlético Ferroviário, de tantas glórias e tradição.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Rádio Continental – AM – 1270 – Internet – rpc.com.br/continental e neste site no menu “Rádio” de segunda a sexta-feira das 6 e 30 horas até às 9 horas.

Telefones – (41) 3340-7956 – (41) 3340-7844 – Rádio Continental – (41) 9972-0129 – (41) 9165-1212 – (41) 9165-1213.

E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com

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25 comentarios sobre “CLUBE ATLÉTICO FERROVIÁRIO – “BOCA NEGRA”, TAMBÉM CHAMADO DE “ESQUADRÃO DE AÇO” VIAGEM PELA HISTÓRIA DO TRICOLOR”

  1. Meu pai funcionário da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina durante 37 anos, quando da construção do estádio Dorival de Brito recebeu a incumbência de elaborar as traves dos gols, que na época eram feitas de madeira, e que por toda a sua vida mencionava o fato com o maior orgulho. Lembro perfeitamente quando eu tinha 5 para 6 anos comecei a assistir os jogos do Ferroviário no Dorival de Brito. Aos domingos almoçávamos na casa de minha avó materna e em seguida nos dirigíamos para o estádio, fazíamos o percurso a pé tanto a ida como a volta, não era muito perto não, mas era um belo passeio. Assim meio que coagido a torcer pelo Ferroviário, fui boca Negra até os meus quinze anos, e devido a influencia dos primos, tios e meu irmão que eram todos torcedores do Coxa-branca, virei torcedor do Coritiba. Mas, enquanto o Ferroviário existiu nunca fui assistir e nem ver na TV um jogo entre ambos. “Tempo bom, não volta mais!”


  2. Ricardo Soares disse:

    Já lá em casa era tudo boca-negra, principalmente por que um lado era de afro-descendentes, plenamente identificados com a própria história do Clube Atlético Ferroviário, que como não mais se sabe porque o Paraná Clube omitiu a história de sua origem mais representativa, jogadores de origem negra e operários das estradas de ferro construiram essa história inigualável no futebol paranaense, na Curityba de raizes européias.


  3. Ricardo Soares disse:

    Mais sobre o Boca-negra, o tronco mais representativo do Paraná Clube, mesmo porque forneceu a maioria absoluta de sua massa torcedora inicial, no blog do Google Bocaeternamente, visite.


  4. Ricardo Soares disse:

    Lembrando que em pesquisas em Gazetas do Povo da década de 30,microfilmadas na Biblioteca Pública encontramos daquela época e nas décadas seguintes presença marcante do Boca nas páginas daquele, já na epoca, respeitável diário curitibano. O Boca era uma potencia, fez viagens memoráveis pelo interior do estado e interior de Santa Catarina e São Paulo, indo até Santos, empate de 2×2 na Vila Belmiro.


  5. Ricardo Soares disse:

    Entre 37 e 38, quando foi bicampeão paranaense, o Boca viajou muito iclusive a Porto Alegre, segundo os registros da Gazeta da época, cujas microfilmagens estão lá na biblioteca. Lá goleou a dupla Grenal. Aí o Atlético também resolveu fazer um bonito,pegou um onibus e foi lá mostrar que também existia. Tomou um vareio de cinco e outro de sete, aí voltou.


  6. Ricardo Soares disse:

    Nas decisões de 37 a 38, a dupla atletiba levou de goleada do Boca, nas decisões finais, coisa de 4 a 2, 5 a 3, excelentes arrecadações.


  7. Ricardo Soares disse:

    O Boca já era tão grandioso que fazia marketing na década de 30. Quando parava o campeonato local, o Boca já dispunha de um calendário de visitas a cidades do interior do estado e dos estados visinhos, viajando de trem e sendo recebido festivamente nas cidades visitadas, por autoridades banda de música e pelo povo,junto ao qual já na época começava a arrebanhar aficionados.
    Por isso que ainda hoje persiste a presença da torcida boca-negra aem qualquer vila da Capital onde vc. queira procurá-los, hoje Paraná Clube, mas que se identificam quando os cabelos brancos convidam à reminiscencia.


  8. Ricardo Soares disse:

    A presença do mascote do indiozinho Boca-negra como marca principal de Ferroviário e Colorado, atraía de modo especial e significativo o afro-descendente para torcer pelo time da Vila.


  9. Ricardo Soares disse:

    A omissão pelo novo clube de sua história mais importante o igualou aos adversários locais, o que na verdade não representa uma igualdade de posições, pois ambos contam com um tratamento completamente diferenciado pela midia esportiva local.


  10. Ricardo Soares disse:

    Dá prá dizer que na “arrancada” pela conquista de aficionados, os tres saem juntos, só que o resultado final é plenamente desfavorável ao atual mandante da Vila, pois o passado glorioso dasportas sempre abertas a atletas de qualquer origem foi enterrado. Aí, quem chega por aqui, e chega-se aos magotes, sai torcendo prá qualquer um, por não saber o que significou, na época, a corajosa atitude de aceitação costumeiramente praticada pelo clube de Vila Capanema, dono de história invulgar.


  11. Ricardo Soares disse:

    Quanto ainda ao mascote Boca, não havia motivo nenhum para tirá-lo da história do novo clube, pela sua importancia historica e mesmo porque a grande massa torcedora veio junto quando ele foi logo pisando nos gramados sagradas de Vila Capanema.


  12. Ricardo Soares disse:

    O primeiro uniforme do Boca era, por incrivel que pareça, branco com mangas … verdes ! Ocorre que seu logo principal oponente era alvi-negro. Mas em pouco tempo o equívoco inicial foi consertado e ele passou a tricolor, vermelho, branco e negro. Os uniformes variaram um pouco, não muito, vermelho sempre a cor maior, verde nem pensar, na Vila. Depois veio por muito tempo o tricolor de listas verticais, mas o conhecemos pela aprimeira vez em campo com o que o acompanhou e ao Colorado até o final, camisa vermelhona, calções negros e meias brancas. Os coxas e atleticanos se borravam quando ele entrava em campo.


  13. Ricardo Soares disse:

    Nossa opinião, se o Paraná se dispuser a começar a consertar o equívoco imperdoável, pode começar por aí: parar de usar essa camisa estranha e adotar a vermelhona-sangue do Boca,mais meias brancas como usa atualmente. E calçoes, em azul marinho para lembrar como se deve, claro, o caro Pinheiros.


  14. Ricardo Soares disse:

    Mudando pra mala, vem aí o futuro investimento do Coritiba no Pinheirão. A gente, que assistiu grandes massas de torcedores tricolores tomarem conta da Victor do Amaral durante tanto tempo, o que nos trazia enorme satisfação, em contrapartida passamos todo aquele tempo ouvindo criticas constantes contra o estádio que o senhor Moura nos entregou reformadinho e nas nossas cores.
    Mas ele “era longe”, era “geladão”, segundo um coxa muito do sem graça também monotemático. Dos tempos do Atlético não acompanhamos, mas a torcida deles se afastou, ao menos quando o time vinha podre.


  15. Ricardo Soares disse:

    Com o Paraná era diferente, e nunca se analisou o por que disso. Isso já foi feito pelos componentes da Galera Boca: sempre as cercanias da estrada de ferro, em especial a saida mais antiga para o litoral, pelo vinculo natural com os trabalhadores da estrada de ferro, mesmo porque muitos deles moravam em seus lados, nas “casinhas da Rede”, essas áreas congregavam muitos torcedores Bocas.


  16. Ricardo Soares disse:

    Assim os proprios Bocas e sua descendencia, incentivados ainda pelas facilidades oferecidas pelo transporte coletivo da região leste, incluindo-se Pinhais, passando pelo Pinheirão, encontraram naquele estádio maior incentivo em comparecer a jogos ali que na Vila. Pela tradição, a região leste da cidade mostrou congregar número marcante de torcedores oriúndos Bocas.


  17. Ricardo Soares disse:

    Claro que os torcedores da midia sacaram logo isso e viram ali grande possibilidade de crescimento e popularização do clube. Aí, dá-lhe pau no Pinheirão.
    Mas agora vai mudar, novo inquilino, e credenciado: quanto vale que nunca mais o Pinheirão será longe, longe do público, rio por baixo, nem geladão ?
    Cada vez mais o futuro se desenha promissor para a dupla melancia, por nossa absoluta falta de visão das coisas.
    Todo mundo metia o pau no Pinheirão, e nossa própria torcida entrou na dos caras e entrou nessa. Tinha até um Boca da velha guarda, antigo trabalhador da midia esportiva, mas há muito tempo dela afastado, que tambem entrou nessa e descia a lenha no Pinheirão, ou por não ir com a cara e/ou as atitudes do Moura (que acabou nos beneficiando como nenhum dirigente jamais o fez – olha ali em cima o presente que nos deu um ex-dirigente atleticano da Federação – mais um). Pessoal Boca tentou explicar pro moço que tinhamos mais povo no Pinheirão que na Vila, mas o cabra era irredutível no apoio à posição da midia melancia.


  18. Ricardo Soares disse:

    Mas agora, agora o Pinheirão vai ser o cara. Até Copa 2014 vai ter lá. Falar nisso, será que dava prá ter também umas creches 2011 ?


  19. Ricardo Soares disse:

    Olha lá em cima no bendito texto do “seu Zé”, o mais lindo escudo de algum clube no mundo. Ótimo.
    Mas, ce já viu algo parecido por aí, de 10 anos prá cá ? Não ?


  20. Ricardo Soares disse:

    Tão pegue o nome Clube Atlético Ferroviário, tire-o da parte de baixo da logomarca e o coloque lá em cima, ao mesmo tempo retirando “os louros da vitória” e a roda do trem. Fez isso ? Ótimo. Agora pegue a mesma bola com as letras C.A.F., ou melhor, deixa tudo lá mesmo, sob o Clube Atlético …, mudando apenas a última letrinha inicial do nome do clube. Fez isso ? Beleza.


  21. Ricardo Soares disse:

    Bem, no original, criado sabe-se lá por que artista anonimo, talvez numa folha antes usada no embrulho do pão adquirido no caderno de algum armazém, não havia alusão ao ano da fundação do clube. Pelo contado nas microfilmagens da Gazeta do Povo armazenadas ali na Biblioteca Pública do Paraná, os Bocas já jogavam sua bolinha ali pelos arredores mesmo da Vila desde meados da década de 1920.


  22. Ricardo Soares disse:

    A bola rolava bonito nos finais de semana, lazer do povão dos arredores e principalmente dos humildes trabalhadores da estrada de ferro, com maria-fumaça e tudo.
    Mas mesmo que a romantica e belissima logomarca tenha surgido depois, após a primeira que tinha as letras do clube e duas asas abertas no conjunto, deve ter vindo entre 30 e 40, precisamos dar mais umas olhadas na Biblioteca.


  23. Ricardo Soares disse:

    Mas então, na logomarca original, pois não havia nada parecido por aqui a não ser de 10 anos prá cá, não havia alusão ao ano da fundação do clube, 1.930, ano da oficialização.


  24. Ricardo Soares disse:

    Na cópia recentemente surgida, surge um ano de fundação – levando os incautos a imaginarem que esse novo simbolo surgiu, romantico e verdadeiro, quando esse outro clube foi fundado, após a primeira ou uma das primeiras fusões locais.


  25. Ricardo Soares disse:

    Analisado o fato, Boca, seu simbolo, lindo, inigualável e original.Mas o outro também ficou bonito, conseguindo, claro, maravilhosa aceitação junto ao seu público torcedor. Como dizia o mestre Chacrinha, “nada se cria …”.

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