PARANAENSES RELUTAM EM DENUNCIAR VIOLÊNCIA CONTRA MULHER
Balanço do Ligue 180 indica que Paraná corresponde a apenas 4,5% das denúncias. Lesão e ameaça lideram
O balanço da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) revela que os paranaenses não costumam denunciar a violência contra a mulher. O serviço registrou mais de 343 mil chamadas de janeiro a junho deste ano e apenas 15.436 foram relativas a casos no Paraná ou seja, o Estado corresponde por apenas 4,5% das denúncias de todo o País, enquanto a sua população corresponde a 5,6%. Em termos absolutos, São Paulo (47 mil atendimentos); Bahia (32 mil) e Rio de Janeiro (25 mil) concentram o maior número de chamadas. O Paraná aparece sexto lugar no ranking. Quando considerada a quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada estado, o Paraná despenca no ranking para 15º lugar, com apenas 141 ligações para cada 50 mil mulheres. Para ser uma ideia, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais entrou em contato com a Central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar aparece Tocantins com 245 e em terceiro, o Pará, com 237.
A quantidade de atendimentos não indica necessariamente o número real de casos de violência contra as mulheres, mas mostra que a central “passou a ser mais conhecida” e a “sociedade está mais consciente”, ponderou ministra da Secretaria das Políticas para as Mulheres. Nilcéia Freire, mas é um bom termômetro de como anda a violência contra a mulher e a disposição em denunciá-la.. O Ligue 180 é um serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).
Em termos nacional, o número é 112% acima do registrado no mesmo período do ano passado (161 mil casos), enquanto o Paraná registrou um aumento de 59%, já que no mesmo período de 2009 foram registradas 9.116 ocorrências.
No primeiro semestre deste ano, segundo a SPM, o Ligue 180 registrou 62 mil relatos de violência. Entre eles, violência física (36 mil ocorrências); violência psicológica (16 mil casos); violência moral (7,5 mil relatos); violência sexual (1.280 ocorrências); violência patrimonial (826 casos); cárcere privado (239 relatos) e situações de tráfico (229 ocorrências).
As ameaças foram verificadas em 8.913 situações. É a segunda maior manifestação de crime relatado pelas cidadãs que acessam a Central, precedida apenas pelo crime de lesão corporal.
Das pessoas que entraram em contato com o serviço, 14,7% disseram que a violência sofrida era exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em união estável e em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto com o agressor. Cerca de 39,6% declararam que sofrem violência desde o início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal é acima de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente.
Em 50,3% dos casos, a mulheres dizem correr risco de morte. Os crimes de ameaça somados à lesão corporal representam cerca de 70,0% dos registros do Ligue 180. Dados da Segurança Pública também apontam estes dois crimes como os de maior incidência nas Delegacias. O percentual de mulheres que declaram não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram que 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência junto com a mãe.
A ministra assinala ainda que nos seis primeiros meses deste ano foram verificados 8,9 mil casos de ameaças. “Não se pode subestimar as ameaças. Por isso, configuramos como um indicador extremamente importante de risco. Os homens violentos, os agressores, não estão brincando quando ameaçam as mulheres. São crimes anunciados e que, portanto, não podem ser subestimados”, alertou a ministra Nilcéa Freire.
Quem são as vítimas e os agressores
Mais de 67% das mulheres que ligam para a central têm entre 25 e 50 anos. Em 72% dos casos de violência, as mulheres relataram que vivem com o agressor – 38% das mulheres informaram que vivem com o agressor há mais de 10 anos. Em mais da metade dos casos, as mulheres dizem correr risco de morte e 57% relatam agressões diárias.
Quase 70% das mulheres que fizeram denúncia no Ligue 180 afirmaram não depender economicamente do agressor e 68,1% informou que os filhos presenciaram a violência (16,2% sofreram agressões junto com a mãe).
Quanto ao perfil dos agressores, a SPM informa que 73,4% são homens entre 20 e 45 anos; e 55,3% têm o ensino fundamental como escolaridade.
O Ligue 180 não serve apenas para registrar denúncias de violência contra mulher, enfatizou a ministra; mas também registra reclamações quanto aos serviços prestados pelo Estado, por exemplo, nas delegacias e postos especializados de atendimento à mulher. Segundo a SPM, 50% das chamadas para informações (do total de 67 mil) foram feitas para esclarecimento sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006).
Em todo o Brasil, existem 782 serviços especializados de atendimento às mulheres: 463 delegacias ou postos policiais especializados; 83 juizados especiais; 70 casas abrigo; e 167 centros de referência (assistência social, psicologia e jurídica).
Fonte: Bem Paraná – O Portal Paranaense
03/08/10



