LEMBRAM DA CHOPERIA POMERÂNIA, NA RIACHUELO? UMA VIAGEM PELO TEMPO…

Por Zé Domingos

E-mail – contato.josédomingos@hotmail.com

Zé Domingos – é federal 4012 – PSB

A voz do Paraná contra os “desavergonhados” em Brasília!

É sempre muito bom relembrar casas que marcaram época e deixaram nomes gravados na história de Curitiba. Em determinada ocasião em conversa com o amigo José Trindade (Zé Trindade), o homem de Bituruna, que veio para brilhar em Curitiba como o “cabeleireiro das autoridades”, surgiram reminiscências.

Ele, de uma memória altamente privilegiada, em dado momento nos perguntou se lembrávamos de uma choperia localizada na Rua Riachuelo, esquina da Carlos Cavalcanti e dissemos que sim. Então nos perguntou como era o seu nome e não respondemos por que não lembramos.

Então, ele disse ser Pomerania e concordamos, pois esta era realmente a denominação da movimentada casa.  Era ótima, servindo um chope escuro sensacional e tinha sanduíches no estilo alemão, com broas deliciosas. Os sanduíches a base de pernil eram prá lá de gostosos. Duas senhoras, irmãs, é que comandavam o estabelecimento com muita simpatia.

A Pomerânia funcionou durante vários anos naquele endereço e tinha um público selecionado, praticamente cativo. A casa estava sempre lotada e as senhoras se esmeravam no atendimento. Dado ao capricho e ao movimento havia necessidade de paciência e tempo para ser atendido.

Depois já com idades avançadas e sem a mesma força se transferiram para o Juvevê, onde a Pomerânia funcionou mais alguns anos até fechar, isto no inicio dos anos 80. Quando na Riachuelo a Pomerânia ficava bem perto do Restaurante Embaixador, comandado pelo Onha, que apresentava uma das mais festejadas e concorridas feijoadas da cidade. A feijoada do Onha foi famosa e até hoje é comentada.

Depois, o restaurante mudou lá para o Bacacheri, na Avenida Erasto Gaertner, região da Vila Tingui, defronte onde hoje funciona a casa de danças Fascinação. Mesmo no bairro continuou recebendo, especialmente aos sábados, um grande público. A feijoada realmente era de primeira.

Quem marcou época no Restaurante Embaixador foi o Haroldo, o “Amigo da Onça”, falecido aos 82 anos, vítima de brutal e truculenta agressão por parte de desavergonhados, “vidas tortas”, que o assaltaram e o agrediram covardemente. Era o gerente da casa e apresentava-se sempre com um papagaio sobre o ombro, o que chamava atenções.

Ainda na Riachuelo houve o Restaurante Paris, que marcou nas madrugadas curitibanas do final dos anos 50, início dos anos 60. Quando as boates, as zonas, enfim, as “bocas da noite”, como diziam naquela época, fechavam o Paris era o ponto de encontro.

Depois houve o Bar do Luiz, na Rua José Loureiro ao lado do Canal 6 e do Diário do Paraná, no Edifício Mauá, entre a Dr. Muricy e a Marechal Floriano. Naqueles tempos eram muitas as casas noturnas e várias com músicas e shows ao vivo.

Houve grandes estabelecimentos, exemplo Cádiz, comentada por sua programação musical chamada “O TANGO ABRAÇA O SAMBA”, com meia hora de samba, meia hora de tango. Excelentes conjuntos e os famosos Menendez e Pelejero, com os bandoneons, ali mesmo na Rua José Loureiro, quase esquina com a Rua Desembargador Westphalen, embalavam os bailarinos. A Rádio Tingui, desaparecida há vários anos, transmitia com Getúlio Curi a programação da Cádiz, entre 23 e 30 horas e meia noite, fazendo grande audiência.

Na Westphalen, quase esquina com a Rua José Loureiro, funcionou durante anos com grande sucesso o excelente Restaurante Enseada e na mesma rua e região as churrascarias Tupã e São João. Ao lado da Tupã o Clube 27 de Janeiro, com seus famosos e concorridos bailes públicos. Às vezes as coisas esquentavam no salão e a polícia era solicitada para acalmar os ânimos.

Na esquina da Westphalen com a Pedro Ivo existia o Bar Carioca, mais adiante entre a Pedro Ivo e a André de Barros o restaurante do Mitoca, comandado por Hamilton Zanon, que depois foi para a República Argentina, outros endereços passando também pela Sociedade Hípica e Jóquei Clube do Paraná. Mitoca, apaixonado por futebol, torcedor do Ferroviário e do Colorado, inclusive abnegado dirigente, uma figura emblemática da cidade. Há anos nos telefonou informando estar residindo em Pontal do Paraná e depois disto nunca mais tivemos contato. Mais adiante a Churrascaria Rodeio.

Na Westphalen havia uma casa de mulheres que funcionou durante muitos anos e mesmo forçando a memória não recordamos o nome no momento, mas lembramos que o Arati, “o sanfoneiro alegre do rádio brasileiro”, como era anunciado na Rádio Clube Paranaense B-2, onde tinha um programa aos sábados, às 19 horas, e que apresentamos em muitas oportunidades, tocava sanfona por lá.

Grandes casas noturnas, como Moulin Rouge, Marrocos, Caverna do Clube Curitibano, Manhattan, Tropical, La Vie em Rose, Graceful, Naiá, Dominó, Jane um e dois, Gogô da Ema, Stardust, Boneca do Iguaçu, no início de São José dos Pinhais, Caverna da Bruxa, isto para citar algumas.

As zonas da Alice, Frida e Gaúcha, nas Mercês, Uda, no Guabirotuba, Casa de Campo, Sobradinho, Ávila, Zaneti, Embrulha a Noite, no Parolim, Cigana, no Prado Velho, Otilia, no Cajuru, Aviãozinho e outras no Alto da XV.

As casas da Rua Marechal Deodoro, fundos do Colégio Santa Maria, na Mariano Torres, Visconde de Guarapuava, Fogo Vermelho, no Portão, Juvelina, na Avenida Kennedy, Castelinho, nos fundos do então campo do Operário do Ahú, hoje sede da URCA.

Houve uma casa no Bacacheri, na Rua do Centro Espírita Leôncio Correia, que foi uma das últimas a fechar, a qual não recordamos o nome, Darling Drinks, no Uberaba, perto da Meia-Meia, que continua funcionando até hoje, desafiando o tempo e o progresso. Ainda várias outras casas espalhadas por diferentes bairros como Bambuzal, na Vila Izabel.

Bons tempos de uma Curitiba romântica, onde se andava de um lado a outro em plena madrugada e dificilmente surgia algo de anormal.

O fato é que falando da Pomerânia com o Zé Trindade, fomos lembrando de outras coisas e quando começamos a escrever este texto fomos relembrando e veio à tona tudo isto e poderia ser muito mais, mas, vamos deixar outras reminiscências para novas matérias neste nosso espaço.

Mande-nos suas lembranças para valorizarmos este espaço, pois “Reviver é Viver”. Para encaminhar suas recordações use o e-mail contato.josedomingos@hotmail.com.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Rádio Continental AM 1270

Internet: home.rpc.com.br/continental e neste site no menu “Rádio” a partir de terça-feira, dia 17, das 6h às 9h, com intervalo entre 7h e 7h50 para o horário eleitoral.

E-mail: contato.josedomingos@hotmail.com

Telefones: (41) 3335-9421 – (41) 3336-7293 – Rádio Continental

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4 comentarios sobre “LEMBRAM DA CHOPERIA POMERÂNIA, NA RIACHUELO? UMA VIAGEM PELO TEMPO…”

  1. Zé:
    Sobre o Pomerânia é possível matar a saudade assistindo o filme Lance Maior, do Silvio Back, produzido em 1968.
    Há uma cena que se passa no Pomerânia.
    Aliás, esse filme é um colírio para quem tem saudades da Curitiba (e de Antonina) dos anos sessentas.


  2. Marcelo D'Amico disse:

    O amigo Jorge pode dar a “dica” de como ou onde se consegue uma cópia para assistir o filme Lance Maior do Silvio Back?

  3. Marcelo, eu consegui há um tempo atrás na locadora Video 1, na Praça da Espanha.
    Não tenho cópia, senão lhe emprestaria com o maior prazer.


  4. Marcelo D'Amico disse:

    Obrigado pela indicação. Vou procurar.

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