SAUDOSISMO TEM QUE SER DEFENDIDO. MEMÓRIA É VIDA, É SAÚDE

Por Zé Domingos

E-mail: contato.josedomingos@hotmail.com

Tenho caminhado muito por Curitiba, esta cidade de tantas e tantas transformações. Mas, as inúmeras transformações não quebram o encanto de rememorarmos a cidade menina, sorriso, de tantos encantos, de tantas paixões e amores. Gostaria de ser poeta para relatar como só eles podem fazer. Tal como Helena Kolody o realizou: com tanto carinho, com tanta propriedade.

Gostaria de exultar minha paixão pela Curitiba, de ontem, de hoje e a minha esperança de uma cidade que todos nós queremos: de paz, amor e tranquilidade, como a tivemos em anos não muito distantes. Nós saudosistas e que nas oportunidades que surgem fazemos questão de revivê-la, como nos seus bons tempos de romantismo.

Romantismo dos cinemas, com os anúncios junto às filas de compras de ingresso e acesso, de drops, mentex e balas de goma. “Compre agora, não deixe para depois, pois lá dentro é mais caro”, feitos pelos vendedores que se movimentavam ativamente.

Havia também os que entravam na fila e compravam os ingressos para revendê-los por um preço mais elevado que o normal. Desde aqueles tempos, anos 50, 60, 70 e até 80, já existia o chamado “cambio negro”, hoje já comentado em torno dos clássicos do futebol, dos grandes jogos. Muitos garotos entravam na fila para guardar lugar e ganhar gorjetas. Tudo aquilo era recebido com naturalidade. Ninguém se exasperava. Bons tempos que não voltam mais.

Dos circos que chegavam à cidade anunciando grandes atrações, como trapezistas, mágicos, malabaristas, acrobatas, palhaços e um sem número de atrações. Os circos alegravam crianças e adultos, pois naqueles tempos não existia a televisão e os circos eram sempre atrações. Como os circos eram sempre bem vindos em Curitiba, a família Queirolo, uma família uruguaia formada por grandes artistas, resolveu se estabelecer em Curitiba. O circo passou a apresentar-se de bairro em bairro, alcançando grande sucesso. Raro o curitibano de 50,60, 70 anos ou pouco mais, que não tenha se deliciado e vibrado com os espetáculos do Circo Irmãos Queirolo, especialmente com o impagável palhaço Chic-Chic, de tantas e tantas recordações, com a sua cachorrinha de pano “Violeta” e com sua inconfundível frase “cala a boa violeta” e “careca é a mãe seu …” que ele, sem ninguém conseguir imitá-lo, transmitia com gestos labiais, fazendo com que a platéia gargalhasse a valer.

Da Curitiba dos bares e confeitarias, como Stuart, Polar, Guairacá, Cometa, Cachorro Quente, Okey, das boates Moulin Rouge, Marrocos, Graceful, La Vie en Rose, Cádiz, Tropical, do Dancing Caverna, das “zonas” como Uda, Castelinho, Alice Azevedo, Frida, Juvelina, Aviãozinho, Gaúcha, Ávila, das casas da Mariano Torres, Visconde de Guarapuava, Marechal Deodoro fundos do Colégio Santa Maria e da famosa Otilia, dos restaurantes Palácio, aberto a noite toda na Barão do Rio Branco quase esquina André de Barros, conhecido popularmente como Fumaçinha, Paris, outro da noite, Luiz, também da noturna, Nino, Paraná, Tingui, Emir (restaurante árabe), Rio Branco, churrascarias São João, Tupã, Galpão Bambu, Tempo, Guarujá, das “mariposas”, mulheres que praticavam o chamado “trottoir” convidando os homens para programas rápidos em pensões instaladas na Marechal Deodoro, próximo da Monsenhor Celso, na Travessa Marumbi, na Barão do Cerro Azul, 13 de Maio, Riachuelo, Barão do Rio Branco e outras.

Das figuras folclóricas, como Saca Rolha, o propagandista do guarda chuvas e do bico pendurado nas costas do paletó, do atleta Balaban, da Maria do Cavaquinho, do Esmaga, da Gilda, do Dr. Pomposo, famoso personagem criado pelo hoje ator global Ari Fontoura, num programa humorístico local apresentado pelo Canal 6.

Da Curitiba dos programas de auditório da B-2, como “O fim da picada”, programa sertanejo e humorístico apresentado por Rubens Rolo, Nhô Juvêncio (Fernando Fanuchi). Comediante Ginóca e inúmeras duplas sertanejas. Festival na Antena, Expresso das Quintas, apresentado por Mário Vendramel, a partir das 15h30, Programas Ubiratan Lustosa e Sérgio Fraga, as rádios Guairacá, Marumbi, Emissora Paranaense e Cultura, também tinham programas de auditório, mas os mais freqüentados eram os da B-2, seguidos pela Guairacá, de Mansur Teófilo Mansur, Alia Hadad, Aluizio Finzeto, Ivan Curi, Sérgio Luiz, Rocha Braga, Paulo César (o Baiúca do Xilô), Evanira Santos, Nhô Belarmino e Nhá Gabriela e tantos outros.

Enfim, são tantas coisas para lembrar que iríamos longe, muito longe, mas deu para “Recordar é Viver”.  Hoje fizemos esta pequena viagem nostálgica para dizer que nesta nossa caminhada por diferentes pontos de Curitiba, o que ouvimos seguidamente são referências aos nossos programas de rádio e ao nosso site quando da abordagem daqueles tempos que não voltam mais. “Recordar é Viver” é na verdade a atração maior e as pessoas comentam que gostam porque tudo é contado com naturalidade, de improviso, com as coisas sendo lembradas na hora.

Agradecemos e fiquem tranqüilos que o tempo passa rápido e quando outubro chegar teremos muito “Recordar é Viver”. Ajudem-nos na caminhada para a Câmara Federal e lá estaremos batalhando para que programas que mostram nossos valores não sejam esquecidos, relegados a termos secundários. “Recordar é Viver”, isto defenderemos sempre e com toda a força, bem como seremos intransigentes na defesa dos aposentados, tão castigados e desrespeitados.

Vamos caminhar juntos?

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Rádio Continental AM 1270

Internet: home.rpc.com.br/continental e também neste site acionando o menu “Rádio”            .

E-mail: contato.josedomingos@hotmail.com

Telefones: (41) 3335-9421 - (41) 3336-7293 - Rádio Continental

(41) 9972-0129 - (41) 9165-1212 - (41) 9165-1213

Tags:

Comente

Lista de Links

Enquetes

O Brasil deve se sujeitar as imposições da FIFA para sediar a Copa de 2.014?

View Results

Loading ... Loading ...