O ALTÍSSIMO PREÇO DA GASOLINA

(*) Indio da Costa / Enviado por Nelson Valente

Indio da Costa é deputado federal, Relator do Ficha Limpa e candidato a vice de José Serra à presidência da República

O que explica termos uma das gasolinas mais caras do mundo, mesmo quando comparamos com países que têm poder de compra muito superior ao nosso? Por que o preço de nossa gasolina não cai quando diminui o preço internacional do petróleo? O alto preço do combustível no Brasil penaliza não somente quem abastece, mas também quem adquire qualquer produto, em qualquer localidade. Já é hora de termos redução no preço da gasolina e há vários argumentos para sustentar essa ‘bandeira’. Abaixo, relaciono alguns deles:

1 – em períodos recentes, o preço do barril de petróleo teve seu pico em meados de 2008, quando atingiu cotação superior a US$ 140,00. Em janeiro de 2009 o preço do barril já havia se reduzido para US$ 36,50. Atualmente, junho de 2010, está cotado em torno de US$ 72,00, ou seja, quase metade do valor máximo atingido em 2008;

2 – de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, o preço médio da gasolina em 2008 foi de R$ 2,55. Comparando com o preço atual, em torno de R$ 2,70, observa-se aumento de quase 6%. Ou seja, no mesmo período em que o petróleo teve seu preço reduzido quase à metade, a gasolina paga pelo consumidor brasileiro subiu 6%;

3 – o consumidor dos EUA paga o equivalente a R$ 1,34 pelo litro de gasolina (em jun/10, US$ 2,73 o galão). Comparando com os R$ 2,70 cobrados na média brasileira, o preço de nossa gasolina é 101% superior ao dos EUA, numa comparação com um país que tem poder de compra muito superior ao nosso. Pior, pagamos o dobro por um produto muitas vezes de qualidade duvidosa, até por conta da fraca fiscalização de nossos postos;

4 – pesquisa realizada pela consultoria Airinc em 2008 colocou a gasolina brasileira entre as mais caras do mundo. Somente Japão e alguns poucos países europeus praticam preços semelhantes aos nossos;

5 – alguns argumentam que o preço mais baixo praticado em outros países se deve a benefícios fiscais existentes na cadeia da gasolina. Outra forma de ver a questão é constatar que nosso combustível é bem mais caro também porque sobre ele incide uma carga tributária superior a 50%. Ainda, uma explicação pouco explorada diz respeito aos resultados da Petrobras. Não estaríamos contribuindo para inflar os resultados da empresa, que ‘embolsa’ parcela que vem sendo negada aos brasileiros?

6 – olhemos a argumentação do governo e da Petrobras em favor da manutenção do preço em patamares tão elevados. O presidente da Petrobras já disse, por diversas vezes, que a empresa somente reduziria o preço da gasolina no momento em que recuperasse as perdas incorridas quando o preço do petróleo estava alto. De acordo com o executivo, a empresa não aumentou os preços internamente em resposta à alta do barril e, agora, com a queda do barril, somente reduzirá o preço da gasolina quando as perdas incorridas forem repostas;

7 – mesmo que o argumento do governo faça sentido, as perdas já foram recuperadas. Quem mostra isso é o Sr. Adriano Pires, renomado consultor da área de energia e membro do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). Contas feitas por ele, divulgadas em nota da jornalista Miriam Leitão, indicam que desde outubro de 2009 a Petrobras recuperou as perdas que teve nos últimos anos por não repassar internamente a alta do petróleo.

Vamos exigir do governo que confirme o compromisso de reduzir o preço da gasolina num momento em que as perdas da Petrobras estão zeradas, em que a empresa já usufrui ganhos. Alegar que a empresa necessita de resultados robustos para fazer frente às necessidades de investimento do pré-sal é injusto, pois impede que todos os brasileiros -até para se alimentar- se beneficiem da redução do preço da gasolina.

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