MILTON RUI FORTUNATO, O PRIMEIRO LOCUTOR DE CABINE DA TV PARANAENSE E OUTRAS LEMBRANÇAS
Por Zé Domingos
E-mail – contato.josedomingos@hotmail.com
Nesta caminhada por todos os cantos de Curitiba, na sexta-feira (09), após algum tempo sem passar por lá, retornei ao bar do entusiasmado torcedor atleticano Noco, localizado na Vila Camargo – Cajuru. Ali, como sempre, uma boa turma reunida e um papo dos mais gostosos.
Estive neste bar pela primeira vez há um bom número de anos atrás, quando ali se reunia a turma de um time de futebol de peladas chamado “Morro dos Ventos Uivantes”, que disputava os bem organizados campeonatos realizados na cancha do Santa Bárbara Atlético Clube – SBAC, no Jardim Santa Bárbara, ao lado do Jardim das Américas, organizados pelo Dr. Paulino Pastre, que foi vereador em Curitiba e morador daquela região.
Os jogos eram disputados nos domingos pela manhã com a participação de excelentes equipes e o público sempre era numeroso. O Carlos Simas, hoje patrono dos campeonatos da Santa América, morador no Jardim das Américas e o bom companheiro Aimoré, faziam a cobertura passando informações para jornais e emissoras de rádio. Assim, os campeonatos eram destacados pela imprensa e por isto chamavam atenção.
O Nehemio Boslooper (Niminho), irmão do sempre lembrado, grande amigo e compadre José João Boslooper (Zezo) é quem me convidou para ir assistir ao um jogo no SBAC e depois fomos para o Bar do Noco, onde correu carne assada e cerveja à vontade, uma festa, uma festa sensacional, onde ficamos várias horas. Recordo que no time jogavam os irmãos do Tadeu Mexicano, que havia se destacado no Atlético Paranaense e na época estava no México.
Num dos jogos conversei demoradamente com o pai dos rapazes e ele lembrava ter jogado no Britania. Ficamos bom tempo conversando. Isto faz bastante tempo e hoje não recordo do nome dele e de seus filhos. Apenas recordo dizerem serem irmãos do Tadeu Mexicano, o famoso da família. Depois daquela visita inicial com o Niminho, vizinho do bar e que foi um dos grandes jogadores do nosso famoso “Os Desavergonhados”, time que é lembrado por onde passamos, porque era bom mesmo, voltei várias vezes lá e sempre fui muito bem atendido e encontrei vários bons companheiros.
Agora lá voltamos na companhia do José Thimotheo (Nenê) e do Zé Trindade e novamente aquela acolhida gostosa e aqueles momentos de prazer. Em dado momento aproxima-se e abre conversa um cidadão que diz termos trabalhado juntos há muitos anos e que tinha certeza eu não lembraria dele. Disse que realmente desde o momento que o cumprimentei fiquei forçando a memória para lembrar e não havia conseguido. Então, ele falou ter trabalhado na Gazeta do Povo e que entrou para o jornal no mesmo dia em que Dino Almeida iniciava suas atividades no jornal.
Dino, todos sabem, foi o mais destacado colunista social de todos os tempos no jornalismo paranaense e um dos mais destacados do Brasil. O companheiro então se identificou como Milton Rui Fortunato e informou ter sido o primeiro locutor de cabine da Televisão Paranaense, Canal 12, quando iniciou atividades com estúdios no último andar do Edifício Tijucas. Canal 12, o pioneiro de nossa televisão, trazido pelo empresário Nagibe Chede, comandante das rádios Emissora Paranaense e Curitiba, localizadas no Edifício Marisa, na Rua Senador Alencar Guimarães.
Fortunato relatou ter deixado os meios de comunicação há alguns anos e depois disto se dedicou a escrever livros. Em seguida, solicitou ao Noco que lhe entregasse um livro e me presenteou. O livro, intitulado “Os Sobreviventes do Câncer” – Como a fé, a garra, superação e força podem mudar os rumos da doença. Explicou que escreveu este livro por ter sido vítima da doença há anos passados e vem convivendo com ela desde lá.
Afirmou categoricamente que a doença não tem cura, mas sendo tratada pode fazer com que o paciente prolongue sua vida por bons anos. É o caso dele, que hoje está com 63 anos e convive com a doença há cinco ou seis anos, acho que foi isto o que me disse. Inclusive, disse ter uma expectativa de vida até os 72 anos.
Ele relata neste livro todas as experiências convividas com a doença. Comecei a ler o livro tão logo cheguei em casa, embora já fosse tarde da noite e gostei muito do prefácio, pois nela está uma verdadeira lição de vida. Assim, para ilustrar este texto, o destaco a seguir:
No difícil percurso da doença, entre as dúvidas, as dores e as horas instáveis, nos dias e nas noites clamando a Deus e nas orações silenciosas, agradeço com o coração pleno todos que estiveram ao meu lado.
Para minha mãe, âncora de toda minha vida.
Ao meu pai, in-memoriam, vítima do câncer.
A minha família, meu porto seguro.
Aos amigos, que com dedicação e fidelidade encheram-me de esperanças e calor humano.
Ao jovem Dr. Paulo Gustavo Kotze, competente Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, que não se intimidou diante das dificuldades do meu caso e junto comigo tornou-se também um vitorioso, entre tantas outras vitórias já conquistadas em sua carreira médica.
Ao Dr. Francisco Chikoski, outro jovem médico oncologista clínico, que com sua simplicidade e dedicação tornou-se um amigo, além do exercício ético da medicina.
À equipe de enfermagem da Neoclinica, em especial Neusa e Jaqueline.
Mil páginas seriam poucas para agradecer a todos que de forma direta ou indireta se envolveram nas minhas batalhas.
“Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Faz deitar-me em pastos verdejantes. Guia-me mansamente para águas tranqüilas. Refrigera a minha alma, guia-me nas veredas da justiça por amor de seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo e a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante a mim na presença dos meus inimigos, unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirá todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Milton Rui Fortunato publicou ainda outros sete livros e brevemente a sua obra literária será divulgada neste nosso espaço. Na conversa com ele lembranças, muitas lembranças e uma história fantástica lembrando Esmeraldino José Bronze de Almeida, simplesmente Dino Almeida. Sobre estas lembranças e esta história, os detalhes em outra matéria. Milton, foi um prazer enorme conversar com você e espero novas oportunidades. Foi muito bom ouvi-lo para darmos ainda mais valor à saúde e sempre a agradecermos ao nosso Senhor, de todas as horas e momentos. O Senhor esteja sempre conosco!
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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Paulino Pastre disse:
novembro 15th, 2010
22:17
Que saudades dos mais de 50 campeonatos que promovemos em aprox. 15 anos, com toda aquela turma maravilhosa na organizaçao e com a frequencia de aproximadamente mil pessoas por semsana na SBAC. O local, agora, foi destinado ao Município de Curitiba, pafra construçao de um Centro de Convivência para a terceira idade. Paulino Pastre.