OS ROMBOS NA PREVIDÊNCIA

Por Luiz Fanchin Jr.

Acompanhando o noticiário sobre o aumento de 7,7% aos aposentados e pensionistas gostaria de relembrar o que já escrevi há mais de 15 anos, (publicado na Gazeta do Povo) quando eu ainda não fazia parte do “lixo humano” conforme somos considerados pelos políticos brasileiros. O aumento no rendimento de um aposentado que receba R$ 1.000,00 (um mil reais) é de R$ 77,00 (setenta e sete reais). Os políticos ainda fazem alarde de que colocaram o governo na parede e o Presidente Lulla se vangloria de ter concordado com o acréscimo de uns minguados trocados que, segundo ele, poderão causar o rombo nos cofres da previdência e a consequente quebra do sistema.

A Previdência Social foi criada na década de 50 pelo governo de Getulio Vargas. Foi uma das mais perfeitas leis para prevenção da velhice dos brasileiros. A previsão era de que a receita seria suficiente para a manutenção do custeio e pagamento aos aposentados e pensionistas com tranqüilidade, pois o contribuinte empregado participaria com 8% (oito por cento) do seu salário, outros 8% seriam pagos pelos patrões sobre o valor total da folha de pagamento e o governo federal participaria com mais 8% advindo de tributos ou taxas que seriam criados com a única finalidade de reforçar o fundo da previdência. Hoje temos PIS, Finsocial, PASEP e Contribuição Social sobre o Imposto de Renda da pessoa jurídica e outros tributos considerados como contribuição social. A arrecadação destes itens, que entram direto nos cofres do poder central é incalculável, no entanto o governo jamais participou com um centavo sequer, mesmo assim a receita estava sendo suficiente para manutenção do fundo previdenciário. No governo de Juscelino Kubstchek, com a transferência da Capital para o planalto central, começou o avanço aos cofres da Previdência. Como não houve reação contrária, o governo continuou a se apropriar indebitamente do nosso dinheiro. Nosso porque a contribuição que todos fizemos e ainda fazemos é para manutenção do fundo de aposentadoria e pensão daqueles que sempre contribuíram. Com os desmandos administrativos foram financiadas obras faraônicas como a Transamazônica, dinheiro enterrado sob o terreno alagado por falta de manutenção, a Ponte Rio Niterói, cujo pedágio deveria ser carreado aos cofres da previdência, Usina de Itaipu, que o governo federal tenta ceder benesses ao vizinho governo do Paraguai, mas não tem a dignidade de carrear um mínimo percentual à previdência e muitas outras obras inacabadas como hospitais e escolas, cuja finalidade principal é o enriquecimento ilícito. Como sempre o dinheiro não retornou ao seu devido lugar e muito menos juros e correção monetária. Nós os aposentados e pensionistas deveríamos ir até as últimas conseqüências a fim de que o governo federal cumpra o que foi estabelecido na criação do Fundo e que faça o ressarcimento do dinheiro surrupiado da Previdência Social. É preciso acabar com essa balela de que previdência não suporta qualquer tipo de aumento nas aposentadorias e pensões.

Luiz Fanchin Jr

Tags:

3 comentarios sobre “OS ROMBOS NA PREVIDÊNCIA”


  1. Jorge Gabriel de Mello disse:

    Eu que começei a trabalhar em 1956 e contribuí por 30 anos.
    Acompanhei toda a robalheira dos cofres da previdencia (não seria inprevidencia ?).E agora nosso presidente operário vive dizendo que deu um aumentão aos aposentados quando na realidade não passa de uma michuruca correção das aposentadorias.É preciso que pessoas como o Sr Luiz Fanchin contem a realidade das aposentadorias. Meus parabens


  2. zair schuster disse:

    O Luiz Fanchin colocou o dedo na ferida da Previdência Social. Há dois anos cobrei de um senador e de um deputado federal iniciativas obrigando o governo federal a devolver à Previdência o dinheiro utilizado para as obras faraônicas a que se refere o Fanchin. ( E há dinheiro para isso: a Itaipu, por exemplo, está nadando em dinheiro arrecadado com a geração de energia) Mas, nem resposta obtivemos dos parlamentares. Uma bem nutrida ação popular nesse sentido seria um passo importante. É preciso que alguém, ou uma associação nacional,levante essa bandeira.


  3. Luiz Fanchin Jr disse:

    Fiquei satisfeito ao ver que não estou só nessa luta. Quem sabe façamos uma corrente com milhares de opiniões e assinatura e encaminhemos ao Congresso Nacional. Talvez possamos movimentar os deputados para elaborarem alguma coisa em benefício dos aposentados e pensionistas. O deputado Gustavo Fruet é meu primo e poderei usá-lo para nos orientar nos procedimentos legais. Se alguém tem conhecido, amigo ou parente no Congresso, vamos cobrá-los, vamos exigir que justifiquem o nosso voto a eles. Quem sabe o Zé Domingos possa vir a ser o nosso lídimo representante naquela casa de leis. Infelizmente não temos nenhum representante da classe “aposentados e pensionistas” na Câmara Federal.

Comente

Lista de Links

Enquetes

O Brasil deve se sujeitar as imposições da FIFA para sediar a Copa de 2.014?

View Results

Loading ... Loading ...