OITENTA ANOS DE JOÃO FEDER
Por Zé Domingos
Nesta quarta-feira (23), já nos minutos finais de nosso programa pela Rádio Continental – AM – 1270 – Internet – home.rpc.com.br/continental, recebemos ligação telefônica do amigo Fontoura, 86 anos, que conhecemos quando exercíamos a atividade de repórter policial e ele era funcionário do Instituto Médico Legal, onde passávamos várias horas do dia e da noite. O bom companheiro de tantas jornadas informou-nos que nesta quinta-feira (24), é o dia de São João Batista, um dos mais populares santos da Igreja Católica, e também é aniversário do radialista, jornalista, escritor, advogado, professor e ministro aposentado do Tribunal de Contas do Paraná, João Feder.
Disse o Fontoura que o destacado paranaense está completando 80 anos e ele continua firme, estudioso, observador, tanto é que para comemorar aniversário está lançando mais um livro neste dia 26, sexta-feira, às 10 horas, na Livraria Chain, Rua General Carneiro 441, Alto da Glória. Informações pelo telefone (41) 3264-3484.
O LIVRO
Gutenberg & Eu, relata 38 histórias, aventuras ou episódios que narram relações do autor com personagens históricos e acontecimentos marcantes não só na vida dele, mas através do tempo e da história antiga e contemporânea. Feder ora se relaciona com o lendário Lampião, ora se vê comprando sapatos do Papa.
Conta como arrastou estrelas de Hollywood para Curitiba e fala de sua admiração por Sêneca, conselheiro de Nero. Um dos textos ele dedica à curiosa paixão pela desconhecida cantora peruana Yma Sumac, de voz singular e recompensou o autor com um show em Nova York. O embate de Feder com a censura nos anos negros da ditadura militar também está registrado nesta edição independente de 139 páginas em que a referência ao seu ilustre homônimo alemão, Johannes Gutenberg, vai além dessa coincidência.
DETALHE SOBRE YMA
Sobre a cantora peruana Yma Sumac, uma observação – Ubiratan Lustosa, um dos mais ilustres nomes da radiofonia paranaense em todos os tempos, ao participar do programa Memórias Paranaenses, destacou como um dos pontos mais marcantes de sua carreira ter apresentado um espetáculo com esta cantora quando o Teatro Guairá ainda estava em fase de construção. Chegou a se emocionar ao relatar esta apresentação.
REMINISCÊNCIAS
Feitas referências a mais recente obra de João Feder, dentro de meu estilo de “Recordar é Viver”, usando somente meu arquivo mental, sem anotações, revelo que ao chegar a Curitiba, com dez anos e já apaixonado por rádio passei a ouvir as emissoras da cidade e entre elas estava a Rádio Guairacá, que ao anunciar o seu prefixo dizia: ZYM – 5 – Rádio Guairacá, a voz nativa da terra dos pinheirais!
Ainda sobre a Rádio Guairacá, encontrei no livro de Ubiratan Lustosa – O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua história – o seguinte anúncio com a ilustração de um índio ao lado – O seu negócio se ampliará com maior rapidez através de um veículo eficiente!
Anuncia na Rádio Guairacá fazendo render a verba aplicada. Rede de Emissoras Guairacá ZYM 5 – Curitiba: Rua Barão do Rio Branco, 167 – Piraí do Sul – Wenceslau Braz – Bandeirantes – Mandaguari.
Segundo ouvi há muito tempo, esta rede era de propriedade de Moisés Lupion, que foi Governador do Estado, em dois mandatos.
ESPORTES
Ouvia os programas esportivos e deles participava João Feder, que era um dos narradores de jogos de futebol. O outro era Colmar Rocha Braga. Os dois com ótimas vozes e com estilo diferente de transmitir futebol o faziam sem estardalhaço, sem gritaria e sem a velocidade apresentada por outros narradores. Mais tarde, surgiu o narrador Paulo César Tenius, vindo do Rio de Janeiro, parente de Rocha Braga, ainda bastante jovem e que por sua qualidade alcançou destaque. Depois se transferiu para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, onde trabalhou durante muitos anos.
Um dos comentaristas era Clemente Comandulli, com quem mais tarde tive o prazer em trabalhar na Gazeta do Povo e na Rádio Universo. Também foi na Rádio Guairacá que Zé Pequeno lançou as paródias em torno dos jogos do Campeonato Paranaense. As paródias fizeram sucesso e com a transferência do Zé Pequeno para a Rádio Clube Paranaense – B2 passaram a ser lá apresentadas. A Rádio Guairacá tinha excelente audiência e apresentava também programas de auditório.
NA PLATÉIA
O primeiro programa de auditório que compareci foi no auditório localizado na Rua Barão do Rio Branco, em cima das Lojas Hermes Macedo. Tinha como apresentador Mansur Teófilo Mansur, que depois se tornou destacado membro de nosso Judiciário e professor de alto nível. Alia Haddad era a locutora comercial. Mais tarde, apareceu Paulo César, que ficou muito conhecido como Baiúca do Xilô, face ao programa com este nome que apresentava pela madrugada na Rádio Independência.
DESTAQUES
Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, o comediante Ginoca, eram atrações da Rádio Guairacá. A mais famosa dupla de todos os tempos no Paraná tinha programas todas as noites com o patrocínio das Casas Lorusso. Belarmino e Gabriela abriam a voz cantando: “O boa noite das Casas Lorusso e o nosso boa noite também“. Evanira dos Santos, excelente cantora, fazia parte do cast da Guairacá. Sérgio Luiz, Irene Morais, Aluizio Finzeto, locutores de gabarito trabalhavam na Guairacá. Aluizio Finzeto também comandou programas de auditório, com a participação do cantor Humberto Lavale. Os dois também foram diretores da emissora. Sérgio Fraga, antes de trabalhar na B-2 passou pela Guairacá. Foi uma emissora que deixou sua marca na história do rádio paranaense e dela fez parte João Feder.
RETORNANDO
Mas voltando ao brilhante João Feder, que completa oitenta anos, lembro que quando trabalhava no Utrabo Fotografias, o Humberto Utrabo era contratado para fazer fotografias para o jornal Gazeta Esportiva, de São Paulo, em Curitiba e João Feder era o responsável pela sucursal, com escritório no 2º andar do Edifício Ana Cristina, na Praça Osório.
BRASILEIRO FEMININO
Nos anos 60, não sei precisar qual, Curitiba foi sede de um Campeonato Brasileiro de Basquetebol Feminino, com jogos todas as noites no Ginásio de Esportes do Clube Atlético Paranaense, na Rua Bueno Aires e juntamente com o saudoso Jorge Buckman, o Foguinho, que também trabalhava no Utrabo Fotografias, todas as noites íamos cobrir os jogos e depois ficávamos até a madrugada fazendo as fotografias que seriam encaminhadas para a Gazeta Esportiva. Foi uma trabalheira tremenda.
LUIZ GABRIEL
Todo o dia ia entregar as fotos na sucursal da Gazeta Esportiva e lá conheci Luiz Gabriel Sampaio, cunhado de João Feder, e anos depois fomos deputados estaduais. Luiz Gabriel, que chegou a ser Secretário de Educação, faleceu muito jovem, vitimado por um acidente automobilístico. Tinha um futuro por demais promissor na política e sua base eleitoral era Maringá e cidades vizinhas.
JOGADORAS
A Seleção Paulista foi a campeã e sua principal estrela foi Maria Helena Cardoso, depois destacada treinadora, inclusive da Seleção Brasileira, Norma, Norminha, Laís, eram outros destaques da equipe. Na Seleção do Rio de Janeira, Marlene, uma mulher muito alta, era a atração principal. Na Seleção Paranaense tínhamos Aglaé Giorgio e Marta, as principais, e que foram contratadas para jogar pelo Fluminense, do Rio de Janeiro, onde ficaram várias temporadas.
PROFESSORA
Aglaé retornou à Curitiba e tornou-se professora de Educação do Estado, Marta, nunca mais retornou. Ainda atuavam na equipe: Norma, Lauri, as irmãs Iverli e Ivoni Lour, que inclusive foi Miss Paraná, naqueles tempos os concursos de beleza eram muito concorridos, Valda Marcelino, Delci, Beverli e outras que não consigo recordar os nomes neste momento. Aglaé, Marta, Delci e Valda, atuaram pela Seleção Brasileira.
IRMÃO
Também naquela época conheci Elias Feder, que ali mesmo no Edifício Ana Cristina iniciava sua atividade como dentista. Cheguei a fazer tratamento dentário com ele. Elias, irmão de João Feder, foi para Mariópolis, onde trabalhou durante alguns anos, depois retornou à Curitiba. Chegou a ser Presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba e também colaborou na diretoria da Federação Paranaense de Futebol durante algum tempo.
VIAGEM PELO TEMPO
Ao relembrar da época em que ouvia João Feder pelo rádio, me fez realizar uma viagem pelo tempo e assim passei momentos nostálgicos que não voltam mais, mas “Recordar é Viver”. Em outra matéria o registro da biografia desta personalidade impar do Paraná, João Feder.
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)
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