A FÉ NO ESPORTE‏

NÃO CONFUNDIR A FÉ COM O ESPORTE

Por Luiz Fanchin Jr

Aproveitando o ensejo do entrevero televisivo entre o jogador Kaká e o jornalista Juca Kfouri, voltamos ao tema da invocação de Deus nas disputas esportivas. Está certa a FIFA, patrocinadora da Copa do Mundo de Futebol, ao proibir exageros nas manifestações religiosas durante as partidas. Não sou contra a fé e os atos do Kaká, no entanto é preciso moderação.

Assim é o mundo. Deus nos deu um dom e um conjunto de benesses. Cada um aproveita à sua maneira. Ele nos dá todas as condições para vencermos com nosso próprio esforço. Ele não interfere nas nossas atitudes. É ridículo quando um jogador de futebol ou de outro esporte ao final da competição diz que Deus o ajudou a vencer. Que Deus o ajudou a fazer aquele gol ou que foi a mão de Deus que defendeu aquela bola. E os perdedores? - ridículo. É também ridículo quando numa tragédia um ou dois se salvam e dizem que foi Deus quem os salvou. E os que morreram? Porque Deus não os salvou? - Ora é porque Ele não interfere nos nossos atos individuais. É comum quando se perde um ente querido culpar a Deus por nos ter abandonado. Quantos se revoltam e abandonam a fé. Não é admissível que a derrota ou o sofrimento seja uma dádiva de Deus. Muitos querem justificar o sofrimento como uma purificação. Não, Ele não nos impõe derrota nem desgraça e nem desgosto, Ele não interfere individualmente em cada pessoa Ele simplesmente nos dá todas as condições para escolhermos entre o bem e o mal, o certo e o errado. Por isso devemos agradecer a Deus todos os dias por ter nos proporcionado um mundo maravilhoso e cheio de benesses, mas não podemos nos acomodar, é preciso ir à busca do sucesso e quando não se consegue não é justo culpar Deus. Infelizmente Ele não nos deu a isenção de pensamento, todos nós somos egoístas, gananciosos e ávidos do poder. Existem os pobres, os famintos e os miseráveis não por culpa de Deus, mas pela sede de poder e de riqueza do próprio homem. Isso acontece cotidianamente no trabalho, na política e no esporte não é diferente. Se Deus interferisse nos procedimentos de cada um, muitos atletas que tiveram sucesso financeiro, que na época atribuíram à ajuda de Deus, não estariam hoje na berlinda e até vivendo na sarjeta. Foi Deus que os abandonou? Não. Ele é que não soube cuidar das dádivas colocadas ao seu dispor.

Luiz Fanchin Jr

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