TELEGRAFISTA, UMA FUNÇÃO QUE FOI IMPORTANTISSIMA

Por Zé Domingos

O tempo passa, o tempo voa, foi destaque de uma propaganda do sempre lembrado BAMERINDUS e até hoje está na mente de todos nós contemporâneos do Banco Mercantil Industrial do Paraná, nascido em Tomazina, no norte pioneiro do Estado, numa iniciativa também pioneira de Avelino Vieira, homem que deixou marcado o seu nome na história do Paraná, pois a instituição financeira por ele idealizada tornou-se uma potência nacional e internacional e só desapareceu em função de injunções políticas até hoje não bem esclarecidas ou explicadas.

Infelizmente, a falta de memória, o desrespeito a quem ajudou a construir um estado pujante é algo que nós saudosistas teremos que continuar lutando para talvez um dia lembrem que fizemos alguma coisa nesta vida. É triste, muito triste observamos homens e mulheres que com suor, lágrimas, dor e sacrifício enfrentaram desafios e os superaram, para abrirem caminhos para o que hoje temos e serem simplesmente ignorados.

Estas colocações são feitas para lembrarmos uma profissão que foi das mais importantes em todo o mundo e que com a evolução dos meios de comunicação perdeu força e desapareceu: a do telegrafista. Os cinqüentões ou cinquentinhas, como alguns preferem ser chamados, ou sessentões ou sessentinhas ou ainda meia ponto e alguma coisa, como cito, e outros tantos seguem o mesmo esquema, certamente receberam um telegrama cumprimentando pelo aniversário, por uma comemoração qualquer, por uma cobrança, mas cobrança não é coisa boa e relembrar coisa ruim não é bom, então se concentre, pense fundo e verifique se não recebeu via telegrama, uma mensagem especial que lhe encheu de euforia, uma declaração de amor, pensou bem, foi fundo, bem, agora se você não lembrou de nenhum telegrama especial é porque você não viveu essa fase especial da vida dos brasileiros dessa faixa etária.

O telegrama era um dos  mais rápidos e eficientes meios de comunicação que tivemos durante vários anos. O telegrafista era altamente prestigiado. Recordo que quando comecei como noticiarista na Rádio Clube Paranaense - B 2, há mais de cinqüenta anos as notíciais chegam via telegrama através de uma agência de notícias chamada Transpress. Os telegramas faziam parte de negociações comerciais, de marcação de diferentes tipos de encontros e os responsáveis pelos telegramas eram telegrafistas. Meu pai, que foi agente ferroviário da Rede Viação Paraná - Santa Catarina, foi telegrafista e eu, quando da prestação do Serviço Militar, na 5ª Companhia de Comunicações, tive noções de telegrafia. Um sistema por demais interessante e que a evolução fez com que se tornasse superado, mas não pode ser esquecido nunca, porque foi demais importante.

Fizemos esta regressão no tempo para lembrarmos que o dia 24 de maio é o “Dia do Telegrafista”, como bem lembrou o nosso pesquisador,  amigo e colaborador Zigmundo Czajkowski, que inclusive encaminhou um texto com detalhes sobre o telegrafista e que destacamos a seguir.

24 DE MAIO - DIA DO TELEGRAFISTA

A existência dos telegrafistas é desde o ano de 1884, uma vez que a primeira linha telegráfica foi construída em 24 de maio de 1884, ligando as cidades de Washington e Baltimore, nos Estados Unidos.

Quem transmitiu a primeira mensagem, usando essa linguagem nova foi Samuel Finley Breese Morse, ao escrever em inglês “What had God wright ” (O Que Deus escreveu!), frase que foi repetida por outro telegrafista, em Baltimore. Em Washington, onde terminavam os postes com fios elétricos que conduziam a telegrafia, tinham como fim de linha, a sala do Supremo Tribunal, no Capitólio. Como não poderia deixar de ser, o próprio governo foi o primeiro usuário desse tipo de serviço, com a finalidade também de enviar e receber mensagens entre seus pares.

Para quem visita ainda hoje essa sala do Supremo Tribunal, se depara logo na porta, com uma placa alusiva a Morse, com aquela data.

O telégrafo se tornou, desde então, uma invenção muito importante para as comunicações, encurtando as distâncias, através de um único e simples manipulador de telegrafia que, através de pontos e linhas, deu um grande impulso ao desenvolvimento dos países, no mundo inteiro.

Aqui no Brasil, a invenção de Morse foi muito elogiada por Getúlio Vargas que, na época, evocou Morse como um grande herói, dizendo em seus discursos que ele (Morse) foi um grande herói, não só na descoberta da telegrafia, mas também como grande pintor, estudante de artes na Inglaterra, onde fez suas exposições na Academia Real de Londres, ao mostrar retratos pintados por ele, de muitos cidadãos importantes daquela época. Morse foi também professor de pintura e escultura da Universidade de New York.

Um pouco da história de Morse: quando morava em Paris, Morse iniciou os seus estudos de eletricidade, tornando-se físico, logo depois desenvolvendo experiências voltadas para o envio de mensagens a longas distâncias, feitas num pequeno e improvisado laboratório. Foi através dessas experiências que Morse chegou à invenção do telégrafo por fios, que é um sistema de circuito eletromagnético. Foi depois dessa invenção que Morse criou o alfabeto em telegrafia, o qual levou o seu nome.

No dia 24 de maio, comemora-se no Brasil o dia do telegrafista. Em 1944 o então Presidente da República Getúlio Vargas, instituiu o dia 24 de Maio como o dia do telegrafista, em homenagem a todos os telegrafistas, revelando uma perfeita consciência da importância dessa profissão. Durante muitos anos a profissão de telegrafista era de enorme importância, tanto para as empresas, como para os serviços públicos. O telegrafista é o empregado das estações telegráficas. Sua função é a de transmitir e receber mensagens. Para tanto, utilizava o Código Morse.

No Brasil o sistema Morse foi utilizado largamente nos Correios e Telégrafos, bem como nas Estradas de Ferro de todo o país. Depois foi utilizada por rádio, a Radiotelegrafia, em várias instituições de todos os países, inclusive o Brasil, por delegacias de polícia, reitorias, firmas comerciais, pelos próprios correios e vias Férreas, etc.

Atualmente, a telegrafia só é usada por muitas instituições, como via opcional em casos de emergências, cabos submarinos interligando países, faroleiros de navios de guerra, aeronáutica e exército, bem como pelos radioamadores, como “Hobby”, ou em casos de emergências, quando não existir propagação, ou na falta de meios de comunicações usados nos dias de hoje, como a telefonia e as transmissões digitais.

O exército, marinha e aeronáutica da Inglaterra ainda adotam a Radiotelegrafia em suas comunicações e o que fez a Inglaterra ganhar a guerra contra as Malvinas foram transmissões em radiotelegrafia usando a estática como “carrier”. Enquanto os argentinos esperavam escutar nos seus rádios comunicações em SSB, AM ou mesmo Radiotelegrafia pura, dos navios e aviões de guerra da Inglaterra que se dirigiam para lá, foram surpreendidos pelo grande truque ESTÁTICO RADIOTELEGRÁFICO!

Nos EUA, mais precisamente na Pensilvania, a faculdade de Medicina dalí está aconselhando as pessoas a aprenderam radiotelegrafia, pois está provado que a prática do Morse evita a doença conhecida como Alzheimer.

Além disso, aqui mesmo no Brasil, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, médicos estão orientando os doentes acometidos de Acidente Vascular Cerebral e Trombose Vascular Cerebral a praticarem telegrafia com os seus familiares, pois esses acometidos dessas doenças ficam impossibilitados de falar. A coisa funciona assim: simplesmente um familiar do paciente segura uma tabela com o código Morse e o paciente vai batendo com o dedo num manipulador e formando as palavras e frases que ele quer falar para a família!

P T 7 V O I S I D N E I

INTERESSANTÍSSIMO-CURIOSO-QUEM É CAPAZ DE ACERTAR A FRASE?

RAPOSA, CÃO, TELÉGRAFO E DESIGN

Teste para a eficiência dos aparelhos telegráficos.

A sentença “the quick brown fox jumps over the lazy dog” (”a rápida raposa marrom pula sobre o cão preguiçoso”, em português), que apresenta em uma linha todas as letras do alfabeto, é hoje largamente utilizada por designers para a análise de fontes tipográficas e preenchimento de textos falsos em programas de computador. Sua origem, porém, remonta ao tempo dos telégrafos. A frase foi criada pela americana Western Union, grande “telecom” da época, para testar a eficiência dos aparelhos telegráficos.

Ao Zigmundo Czajkowski, mais uma vez agradecimentos à sua colaboração e a saudação especial aos telegrafistas.

José Domingos Borges Teixeira

(Zé Domingos)

Rádio Continental AM 1270

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2 comentarios sobre “TELEGRAFISTA, UMA FUNÇÃO QUE FOI IMPORTANTISSIMA”


  1. Luiz Fanchin Jr disse:

    Dizem que Lamartine Babo, autor de belas canções, baixinho, franzino, feio, esquisitinho, entrou num bar e num canto pediu a sua cervejinha. Numa mesa próxima estavam dois cavalheiros . Os dois começaram a batucar na mesa como se fossem telegrafistas, o que era verdade, entreolharam-se e, em silêncio, usaram o telégrafo para, em código, trocarem mensagem sobre Lamartine, que acabara de entrar: Tec tec tec, tac tac…. (que cara feio, magro e esquisito, disse o primeiro) Tec tec tec, tac tac… (magro feio e baixinho, respondeu o outro)

    Imaginavam que as mensagens, em código Morse, estariam a salvo do conhecimento do pobre cliente, que não deveria entender bolhufas da linguagem de telegrafia.

    Eis que Lamartine com uma caneta começa a batucar na mesa uma mensagem no código Morse: Tec tec tac tac tec tec … “Feio, magrinho, baixinho e telegrafista também”.


  2. Fernanda Ottoni disse:

    rsrsrs Essa história é uma comédia… Pena que existem tantas versões que é difícil saber a verdadeira. Soube que ele foi enviar um telegrama e dois funcionários dos Correios fizeram o comentário “Feio, magro e de voz fina” e ele, em código tb, respondeu: “feio, magro, de voz fina e ex-telegrafista”. Mas seja qual for a versão correta, imaginar tal história já é bem divertido.

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