NÃO VIOLÊNCIA …

Enviado por Marcelo D’Amico

Acho que não soubemos educar tão bem….pegando para nós os erros que vemos no filho….

O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida na Universidade de Porto Rico:

‘Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul.

Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos, por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.

Certo dia, meu pai pediu-me que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo.

Eu fiquei radiante com esta oportunidade.

Minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.

Quando me despedi de meu pai ele me disse:

- Nós nos encontraremos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos.

Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo.

Distraí-me tanto - um filme duplo de John Wayne - que esqueci da hora e quando me dei conta já eram 17h30.

Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai.

Eram quase 18 horas quando cheguei e ele me perguntou ansioso:

- Porque chegou tão tarde ?

Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne.

Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar.

O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina.

Ao perceber que eu estava mentindo, disse-me:

- Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso.

Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação.

Não pude deixá-lo sozinho. Guiei por 5 horas e meia atrás dele, vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito.

Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.

Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?

Não, não creio, teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo.

Mas esta ação foi tão forte que ficou impressa na minha memória como se fosse ontem.

Este é o poder da não- violência.’

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