SAUDADES DO CLÁSSICO COM GRANDES CRAQUES
Enviado por Zé Domingos
Aqueles que comparecerem neste domingo (07) ao Estádio Joaquim Américo Guimarães, para acompanhar o hoje considerado maior clássico do Paraná entre Atlético Paranaense x Coritiba, certamente não terão um espetáculo de arte e técnica como o acontecido durante seguidos anos, quando verdadeiros craques desfilavam por nossos gramados.
Hoje por maior que seja a boa vontade de mencionar craques nos dois elencos é difícil encontrá-los, ou melhor, impossível. Os grupos são formados por jogadores normais, sem nada de especial para ressaltar este ou aquele, pois, são mesmo limitados. Alguns não reúnem aptidões para atuar em Atlético ou Coritiba.
Como se dizia há anos passados, não “engraxariam” as chuteiras de Fedato, Béquinha, Miltinho, Wiliam, Almir, Ronald e outros craques que passaram pelo Coritiba, Jackson Nascimento, Sano, Taico, Rui, Odilon, Geraldino e outros pelo Atlético Paranaense. Isto fazendo uma viagem no tempo e retornando aos anos 50 e 60.
Depois ainda passaram pelos dois tradicionais rivais outros jogadores que até hoje são lembrados por sua habilidade, por sua qualidade técnica, verdadeiros artistas da bola, que jamais serão esquecidos pelos torcedores. Para não me alongar cito como exemplos Sicupira e Kruger.
Hoje no Coritiba, quem é craque? Penso, repenso e não chego a um jogador efetivamente craque. Faço a mesma observação em torno do Atlético
Paranaense e me deparo com a mesma situação. Para não ser tão drástico assim, Rafinha, pelo Coritiba e Paulo Bayer, pelo Atlético, podem ser considerados como de boa qualidade, com lampejos de craques.
Esta falta de valores, considerados artistas do futebol, que há anos faziam o espetáculo, porque futebol era mesmo espetáculo e festa de congraçamento, estão escassos no Brasil. Mesmo nos grandes times são poucos os efetivamente craques. Inclusive na Seleção Brasileira, há atletas que em anos passados não teriam a mínima oportunidade de envergar a amarelinha.
Certamente os mais jovens discordarão destas colocações, pois, não tiveram o prazer que nós passados dos 50, 60 anos, tivemos, de ver craques, verdadeiros craques, em ação. Jogadores fazendo lançamentos longos, mudando o jogo de um lado para outro do campo, dando passes milimétricos, driblando com facilidade, se colocando com perfeição, conduzindo a bola com a cabeça em pé, com uma visão periférica do campo precisa.
Não tiveram o prazer em ir para o jogo com o vizinho, o irmão, o amigo, os pais, a namorada, noiva ou namorada, com torcedor do outro time e assistir o jogo ao seu lado, com cada um vibrando com a sua equipe preferida, sem qualquer problema. De no intervalo ou mesmo durante o jogo tomar uma cervejinha, gelada, fazer um lanche tranquilamente. De no final do jogo ir para um bar próximo ao estádio e lá comentar o jogo num encontro entre adeptos dos clubes contendores. De voltar para casa a pé, sem qualquer incomodo ou risco, como lamentavelmente acontece nos dias de hoje. Podem me chamar de saudosista, pois sou mesmo, mas certamente nunca mais teremos clássicos como os de antigamente.
Pela insegurança, pelo alto custo, pela falta de melhor qualidade dos jogadores, o público nos estádios é cada vez menor. Ainda se deve levar em consideração que o futebol está se tornando mais um programa de televisão. Talvez a tomada de posição que a Policia Militar, adotou nestas ultimas horas, um público maior esteja neste domingo (07) na Arena da Baixada, mas é certo que futebol está se tornando um espetáculo de televisão.
Com relação a este Atlético Paranaense x Coritiba, espero que seja um jogo bastante disputado, principalmente com os jogadores superando suas limitações pelo empenho, pelo objetivo de uma vitória consagradora. Certamente será uma partida disputadíssima, pois o resultado decidirá a rota das equipes nesta fase classificatória.
O Coritiba mesmo jogando fora de casa está a vontade, pois vai como franco atirador, já que tem quatro pontos a frente do Atlético. O empate será para ele um excelente resultado, pois manterá a diferença do tradicional rival e abrirá a porteira para ganhar o turno e com isto levar as benesses do super mando e dos pontos extras para a fase seguinte. Como o empate lhe é favorável, talvez o “coxa” venha com um esquema mais defensivo, mas entendo que se Nei Franco, for ousado poderá vencer ao Atlético, na Baixada.
O panorama dos últimos jogos na Arena, é favorável ao Coritiba.
Mas, com a necessidade de ganhar, jogando com o embalo de sua fanática massa de torcedores o Atlético Paranaense, tem condições de ganhar o jogo. O técnico Antonio Lopes, na sua larga experiência deve estar com alguma estratégia especial, mas mesmo assim a missão rubro negra é complicada. Há quem diga que o jogo é para empate. Pode até ser, mas acredito que haverá um vencedor e como declarei abertamente no programa “No Mundo da Bola”, Rádio Continental - AM - 1.270, entre 6 horas e 30 minutos e 9 horas, entendo que pelo momento e até mesmo pela condição das equipes o Coritiba, tem mais chances de vitória. Mas, não dá para escapar do velho e surrado jargão “clássico é clássico”.
O importante é que os torcedores sejam efetivamente torcedores, façam uma festa e mostrem como ocorria antigamente, que futebol é congraçamento, é fortalecimento de amizades, é um encontro de quem gosta de uma mesma coisa, o futebol. Importante também que àqueles que se mostrarem avessos ao futebol e favoráveis a violência e o vandalismo, sejam presos e enquadrados vindo a ser punidos por seus pecados. Um bom jogo, uma bela festa, com paz e amor, é o que se espera.
José Domingos Borges Teixeira.
(Zé Domingos)
