OBSERVATÓRIO POLÍTICO

Por Zair Schuster

Na sexta-feira desta segunda semana de março o tucanato político paranaense (parte dele pelo menos) estará pousando no restaurante Velho Madalosso, em Santa Felicidade. Beto Richa, certamente, cercado do alto comando de sua campanha ao governo do Estado, vai estar lá.

Tirando a comilança do tradicional restaurante daquele bairro gastronômico, o fastígio, ou o prato principal vai ser o apoio que algumas lideranças do tucanato vão “semear” para três candidatos: a reeleição do líder tucano Valdir Rossoni, para deputado estadual, e de José Richa Filho, irmão do Beto, para a Câmara Federal, e de Gustavo Fruet para o Senado da República. Assim está posto.

Claro que são nomes que devem passar pelo crivo da convenção partidária, o que, de acordo com a legislação eleitoral, pode ocorrer de 10 a 30 de junho. Mas desde já alguns grupos vão partir para essa semeadura pelos quatro cantos do estado.

No meio de tais grupos, funcionários públicos, empregados de estatais de alto coturno, aposentados de empresas estatais e, sem dúvida, um ou outro penetra fazendo às vezes do espião invisível para revelar às plagas estranhas do tucanato o que está ocorrendo.

Independente desse fato, nesta primeira semana de março um bem posto grupo de aposentados se reuniu num tradicional restaurante das Mercês. Mesa posta, a entrada foi a atualidade da política paranaense.

E pelo que se falou e se ouviu, desse rescaldo a que foi reduzido esse imbróglio da sucessão paranaense, pode-se dizer que quase tudo está definido. A menos que ocorra um “fenômeno” natural da causa política, (o Dia D é o 30 de junho, último dia para a realização de convenções, destinadas a deliberar sobre coligações e escolha dos candidatos e suplentes) a sucessão de Requião terá como candidatos (dos principais partidos claro) Osmar Dias (PDT) Beto Richa (PSDB) e Orlando Pessutti (PMDB).

Diante da quase inconsistente possibilidade de uma reativação da antiga aliança partidária (a que elegeu Beto Richa) sonho de uns poucos mais afoitos, como se isso fosse possível ad nutum, lideranças desses três partidos partem agora para a costura de coligações, tarefa bem mais difícil e tortuosa para o PSDB.

Nessa fornalha, trabalha-se para definir os respectivos vices e os nomes ao Senado. Requião, pelo menos, já consolidou seu nome. Por sinal, “ad bene placitum” do sósia do Alec Baldwin, ocupante atual do Palácio Iguaçu, ele não quer se confrontar com a Gleisi Hofmann, torcendo para que ela seja vice de Osmar Dias.

Há, contudo, muitas dificuldades para encaixar certos interesses pessoais e partidários. “Ad astra per aspera”, com bem diz o aforismo latino. Da noite para o dia, nada há que impeça que tudo isso mude.

Nesse mercado político, não há falta de quem, ou semeie a sisânia, num tempo, e ressurja no outro tempo como um gentil-homem conciliador. Nada que se pareça como um fiel escudeiro. Antes, a personificação de um asno de buridan. Por sinal, personagens tão comuns na tragédia político-partidária brasileira.

Zair Schuster - Jornalista

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