ALMOÇO E RECORDAÇÕES…
Por Zé Domingos
Na sexta-feira (06), como normalmente faço em quase todas as sextas-feiras, compareci ao Manéko’s Bar na Alameda Cabral, perto da Praça Osório, para almoçar e logo fui convidado para participar da mesa onde estavam Nelson Farofa, Zé Trindade, Juarez (o bom gaúcho - torcedor do Grêmio Foot Boll Portoalegrense), Altino, Zé Luiz e em meio ao aperitivo e à refeição a conversa corria solta.
Depois entraram no bate-papo o professor da Escola de Belas Artes, Sérgio, o antoninense Josias, Antonio Segas (grande causídico) e os assuntos variavam e sempre em torno de temas de um passado que parece ter acontecido ontem e não podemos deixá-lo sob hipótese alguma, pois “Recordar é Viver”.
A “Valsa da Saudade” surgiu porque o Zé Trindade fez referências ao nosso programa pela Rádio Continental – AM – 1270, entre 6 horas e 30 minutos às 9 horas, de segunda a sexta-feira, e que naquele dia havia lembrado Lupicínio Rodrigues, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, autor de inúmeras composições de sucesso. Zé Trindade contou que havia apresentado Lupicínio cantando e a maioria dos presentes não acreditou, pois todos tinham Lupicínio, apenas como compositor.
Foram sendo lembrados sucessos do compositor gaúcho e Nelson Farofa, um saudosista de primeira, começou a entoar alguns dos sucessos de Lupi, como muitos os chamavam. Houve quem lembrasse a canção “Matriz e Filial”, um sucesso na interpretação de Jamelão e vários outros cantores, entre eles Nelson Gonçalves e Roberto Luna. Zé Trindade interferiu dizendo que “Matriz e Filial” não era de Lupicínio e sim de um compositor paulista chamado Lúcio Gardin.
Depois da roda de música o Sérgio disse: “Zé Domingos, nesta quarta-feira (10), serão reiniciados os jantares da turma do Gromixo, esperamos você lá”. Gromixo é o nome dado a um jantar que se tornou tradicional no Bar do Popadiuk, Lauro Popadiuk, no Bigorrilho, freqüentado por gente da melhor qualidade, entre os participantes o jornalista Nelson Domingos Comel, o advogado Ernesto Rauth, aposentado da Prefeitura de Curitiba, Pedro Washington de Almeida, escritor e jornalista político, os dois primeiros já na faixa dos oitenta anos e o Pedrinho deve estar chegando lá. Pedrinho foi o goleiro campeão da Divisão Especial de Amadores, em 55, defendendo o glorioso Poty Esporte Clube.
Em seguida o professor Sérgio, a exemplo do Nelson Farofa, muito disposto e brincalhão, contou uma piada, que agora não recordo e o Nelson, não ficou prá trás e largou a do carneirinho. Relatou que um carneiro, por conta do calor, pediu que lhe pelassem e teve o pedido atendido. Em determinado dia estava lá calmo no seu canto, quando chegou a ovelha e foi logo lhe perguntando, mas o que fazes todo pelado? O carneiro não vacilou e disse – “e estamos aqui prá que? Houve várias outras piadas, todas bem interessantes, mas sou ruim para guardá-las e pior ainda para contá-las.
Mas, ainda o professor Sérgio saiu com outra: “Zé Domingos, quando vamos comer aquela dobradinha na “sebosa”? Confesso que de imediato não me liguei e só fui me tocar quando ele fez referências às comidas oferecidas na “sebosa”, como diz ele. Daí disse que seria interessante reunirmos a turma e irmos até lá, porque tudo é muito bom. A curiosidade foi geral e todos perguntaram onde fica esta tal de “sebosa” e como tinha me ligado respondi: Sociedade Operária Beneficente Santos Andrade, que hoje diante a fusão é Barigui – Santos Andrade, inclusive expliquei a sua localização à margem esquerda da chamada Estrada Velha para Campo Largo, próximo ao Bizinelli, onde se produz uma lingüiça realmente sensacional e ao campo do União Barigui. Ficou agendado que qualquer quarta-feira iremos lá para saborear a dobradinha, sendo que na sexta-feira tem aquela costela e no domingo um almoço sensacional com alcatra, que segundo o Sérgio, dá para cinco pessoas saírem bem alimentadas e felizes.
O papo seguiu e chegamos ao escurinho dos cinemas, mas antes de chegar ao escurinho havia os preparativos. E perguntei qual a bala que normalmente era adquirida e houve um vacilo e lembrei ser a flocos de neve, uma bala de cocô que desmanchava na boca, gostosíssima. Daí o Nelson Farofa, com voz impostada, exatamente como faziam os vendedores: “Drops, balas de goma, Mentex e Diamante Negro, lá dentro não tem”. Na verdade a maioria dos cinemas não tinha bombonieres. Parece-me que apenas o Avenida é que tinha. Depois o Ópera também montou a sua e no andamento outros cinemas também aderiram, mas os vendedores não se entregaram e então anunciavam: “Drops, balas de goma, Mentex e Diamante Negro, aqui é bem mais barato ou compre duas pelo valor de uma”, enfim, achavam uma forma de colocar a sua mercadoria.
O Afunfa, que depois se destacou respondendo perguntas em programas de auditório da B-2 e da Guairacá e um dos maiores carnavalescos de Curitiba, liderando a Mocidade Azul, era um dos vendedores destacados que trabalhava junto às longas filas que se formavam para as duas ou as vezes até três sessões noturnas no Avenida, Ópera, Palácio, Arlequim e outros cinemas. Entre eles o Luz, da Praça Zacarias. Neste houve um capítulo especial, com todos lembrando que iam ao balcão, onde a entrada era mais barata e não se corria o risco da enchente. Naqueles tempos, quando chovia um pouco mais forte, a Praça Zacarias alagava e a água invadia o cinema. Os filmes mexicanos eram uma das atrações e além dos mexicanos ainda em certas sessões eram apresentados mais um ou dois filmes. Assim, valia a pena.
E na lembrança dos mexicanos Pedro Armendaris, Pedro Infante, Miguel Aceves Mejia, Maria Felix, Maria Antonieta Pons, Libertad Lamarque, Cantinflas, os Mariachis que acompanhavam os cantores e outros que foram citados, e agora não me recordo. O Nelson Farofa chegou a entoar algumas canções mexicanas, sucesso dos filmes, sempre muito bonitos com lindas paisagens. Os filmes mexicanos eram sensacionais. É evidente que não se deixou de falar do Cine Curitiba e do Cine América, mais populares, bem como do Arlequim, do Ritz e do Marabá, na Mateus Leme e também não foi esquecido o Odeon.
O papo foi correndo solto e cada hora um lembrava-se deste ou daquele assunto e, eis, que já caminhávamos para a segunda parte da tarde e daí todos se apressaram em sair, porque tinham compromissos. Fiquei mais um pouco para ouvir a sabedoria e a irreverência do Dr. Segas e as histórias do Josias, lembrando de sua, de nossa querida Antonina.
Houve ainda um tempinho para os desafios entre atleticanos e coxas, face ao clássico de domingo (07), que terminou empatado em um a um.
“Recordar é Viver!”
José Domingos Borges Teixeira
(Zé Domingos)

Nelson Penteado disse:
março 24th, 2010
11:24
Bom dia Zé Domingos,
leio hoje com muita satisfação seu comentário. Confesso que ainda não tinha aberto o seu “gostoso” site.
Foi uma sugestão do amigo Prof. Miranda, num jantar na aprazível Pousa Dona Siroba em nosso Porto de Cima.
Se Recordar é Viver, digo que é uma satisfação o seu convívio.
Abraços
Nelso Farofa