VINGANÇA OU MALUQUICE?

Por Alexandre Garcia:

Enviado por Luiz Fanchin Jr.

O País viveu em paz por 30 anos, até que a dupla Genro/Vanucci resolveu

Desenterrar o passado.

Os militares não queriam o poder. Pressionados pelas ruas, pelos meios de

informação, derrubaram Goulart e acabaram ficando 30 anos. Quando derrubaram

o presidente, já havia grupos treinados em Cuba, na China e União Soviética

para começar por aqui uma revolução socialista. Com a contra-revolução

liderada pelos militares, esses grupos se reorganizaram para a resistência

armada. E o governo se organizou para combatê-los. Houve uma guerra interna

de que os brasileiros, em geral, não tomaram conhecimento porque enquanto

durou, quase 20 anos, houve um total de 500 mortos - número que o trânsito,

hoje, ultrapassa em menos de uma semana. Numa estratégia elaborada pela

dupla Geisel-Golbery, planejou- se então devolver o poder aos civis de forma

lenta, gradual e segura. E, como coroamento do processo, o governo fez

aprovar no Congresso, em 1979, a Lei da Anistia, bem mais abrangente que a

defendida pela oposição. Uma lei que pacificasse o país, no novo tempo de

democracia que se iniciava. Uma anistia ampla, geral e irrestrita. Que

institucionalizasse o esquecimento, a pá-de-cal, pelos crimes cometidos por

ambos os contendores, na suja guerra interna. Incluíam-se os que mataram,

assaltaram, jogaram bombas, roubaram - de um lado - e os que mataram e

torturaram do outro. A Nação inteira respirou aliviada quando o Congresso

aprovou o projeto do governo e os banidos e asilados começaram a voltar,

entre eles o mais famoso de todos, Fernando Gabeira, que havia sequestrado,

junto com Franklin Martins, o embaixador americano. E o Brasil viveu em paz

por 30 anos, elegendo presidentes, descobrindo escândalos de corrupção,

ganhando copas do mundo. Até que a dupla Tarso Genro, ministro da Justiça, e

seu secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, resolveram desenterrar o

passado para se vingar de supostos algozes de seus companheiros de esquerda

revolucionária. Criaram um órgão para isso. Puseram tudo num decreto, e

passaram para o Gabinete Civil, da Ministra Dilma. De lá, o calhamaço foi

para a assinatura do presidente Lula, envolvido, na Dinamarca, com a

empulhação do aquecimento global. Lula alega que assinou sem ver. E eu fico

curioso por saber se a assinatura tem valor, porque aqui no Brasil havia um

presidente em exercício, José Alencar. O ministro Nélson Jobim, surpreendido

com a unilateralidade do decreto, pediu demissão. E os três comandantes

militares se solidarizaram com o ministro. Até que se revolva o impasse,

está no ar a primeira crise militar do governo Lula. O decreto cria um órgão

para estudar a revogação da pacificadora Lei de Anistia. Orienta a punição

dos torturadores mas não dos sequestradores, assassinos e terroristas.

Preserva, assim, soldados da guerra revolucionária como os ministros Dilma,

Franklin e Minc. E vai atrás de coronéis da reserva. Baseia-se na

Constituição, que considera tortura crime imprescritível; omite que

terrorismo também é imprescritível, pela Constituição. E esquece o princípio

de Direito pelo qual a lei só retroage para beneficiar o réu, não para

condená-lo. A Lei de Anistia é de 1979 e a Constituição de 1988. Por que

agitar um país pacificado? Vingança ou maluquice mesmo?

Alexandre Garcia é jornalista

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