O EDUCADOR ANTONIO BARRETO E O BBB – 10‏

Enviado por Marcelo D’Amico

O educador Antônio Barreto, um dos maiores cordelistas da
Bahia, acaba de  retornar ao Brasil com os versos mais
afiados que nunca, depois da polêmica  causada com o cordel
“Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso”.

Desta vez o alvo é o anacrônico  programa BBB-10 da TV Globo.
Nesse novo cordel intitulado “Big Brother Brasil, um
“programa  imbecil” ele não deixa pedra sobre pedra. São 25
demolidoras  septilhas (estrofes de 7 versos):

Curtir o  Pedro Bial

E sentir tanta alegria

É sinal de que você

O mau-gosto  aprecia

Dá valor ao que é banal

É preguiçoso mental

E adora  baixaria.

Há muito  tempo não vejo

Um programa tão ‘fuleiro’

Produzido pela  Globo

Visando Ibope e dinheiro

Que além de alienar

Vai por certo  atrofiar

A mente do brasileiro.

Me refiro ao  brasileiro

Que está em formação

E precisa evoluir

Através da  Educação

Mas se torna um refém

Iletrado, ‘zé-ninguém’

Um escravo  da ilusão.

Em frente à  televisão

Lá está toda a família

Longe da realidade

Onde a  bobagem fervilha

Não sabendo essa gente

Desprovida e  inocente

Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial

Chega de esculhambação

Respeite o trabalhador

Dessa  sofrida Nação

Deixe de chamar de heróis

Essas girls e esses  boys

Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,

Querido Pedro Bial,

São verdadeiros heróis

E merecem  nosso aval

Pois tiveram que lutar

Pra manter e te educar

Com  esforço especial.

Muitos já se sentem mal

Com seu discurso vazio.

Pessoas inteligentes

Se enchem de calafrio

Porque quando você fala

A sua palavra é bala

A ferir  o nosso brio.

Um país como Brasil

Carente de educação

Precisa de gente grande

Para dar boa  lição

Mas você na rede Globo

Faz esse papel de bobo

Enganando a  Nação.

Respeite, Pedro Bienal

Nosso povo brasileiro

Que acorda de madrugada

E  trabalha o dia inteiro

Da muito duro, anda rouco

Paga impostos,  ganha pouco:

Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade

Neste momento atual

Se preocupa com a crise

Econômica e  social

Você precisa entender

Que queremos aprender

Algo sério –  não banal.

Esse programa da Globo

Vem nos mostrar sem engano

Que tudo que ali  ocorre

Parece um zoológico humano

Onde impera a esperteza

A  malandragem, a baixeza:

Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência

Não são mais valorizadas.

Os “heróis” protagonizam

Um mundo de palhaçadas

Sem critério e sem ética

Em  que vaidade e estética

São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética

Nem projeto educativo.

Um mar de vulgaridade

Já  tornou-se imperativo.

O que se vê realmente

É um programa  deprimente

Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo

“professor”, Pedro Bial

O que vocês tão querendo

É  injetar o banal

Deseducando o Brasil

Nesse Big Brother vil

De  lavagem cerebral.

Isso é um desserviço

Mal exemplo à juventude

Que precisa de  esperança

Educação e atitude

Porém a mediocridade

Unida à  banalidade

Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento

De pessoas confinadas

Num espaço luxuoso

Curtindo  todas baladas:

Corpos “belos” na piscina

A gastar  adrenalina:

Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo

É de nos “emburrecer”

Deixando o povo  demente

Refém do seu poder:

Pois saiba que a exceção

(Amantes da  educação)

Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial

Um mercador da ilusão

Junto a poderosa Globo

Que  conduz nossa Nação

Eu lhe peço esse favor:

Reflita no seu labor

E  escute seu coração.

E vocês, caros irmãos

Que estão nessa cegueira

Não façam mais  ligações

Apoiando essa besteira.

Não deem sua grana à Globo

Isso  é papel de bobo:

Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim

Desse Big Brother vil

Que em nada contribui

Para o  povo varonil

Ninguém vai sentir saudade:

Quem lucra é a  sociedade

Do nosso querido Brasil.

E saiba,  caro leitor

Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso  bolso

Esses milhões desejados

Que são ligações diárias

Bastante  desnecessárias

Pra esses desocupados.

A loja do BBB

Vendendo só porcaria

Enganando muita gente

Que logo se  contagia

Com tanta futilidade

Um mar de vulgaridade

Que nunca  terá valia.

Chega de vulgaridade

E apelo sexual.

Não somos só futebol,

baixaria e  carnaval.

Queremos Educação

E também evolução

No mundo  espiritual.

Cadê a cidadania

Dos nossos educadores

Dos alunos, dos políticos

Poetas,  trabalhadores?

Seremos sempre enganados

e vamos ficar  calados

diante de enganadores?

Barreto termina assim

Alertando ao Bial:

Reveja logo esse equívoco

Reaja  à força do mal…

Eleve o seu coração

Tomando uma decisão

Ou então:  siga, animal…

FIM

Salvador, 16 de janeiro de  2010.
* * *
Antonio  Barreto nasceu nas caatingas do sertão  baiano, Santa
Bárbara, na Bahia.
É autor de um dos mais recentes e  estrondosos sucessos da
Internet, o cordel Caetano  Veloso: um sujeito alfabetizado,
deselegante e  preconceituoso.

Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos
livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram
ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.

Graduado em Letras Vernáculas e pós-graduado em Psicopedagogia e
Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em
dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Possui  incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias,
com mais de 100  folhetos de cordel publicados sobre
temas ligados à Educação, problemas  sociais, futebol, humor e
pesquisa, além de vários títulos ainda  inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional:
toadas, xotes e baiões.
O cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil” é imperdível
e está completinho  aqui, em primeira mão:
http://cachacaaraci.wordpress.com/

2010  é um ano eleitoral. Espero que os eleitores brasileiros
valorizem seus votos, pois o voto é a arma para acabar
com a impunidade no  país

De: —————————-
SENSO CRÍTICO, SAÚDE, PAZ & AMOR
-  HOJE E SEMPRE !

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