FAMÍLIA – ELO DA HUMANIDADE
Por Lia Coelho
É comum hoje pensarmos no papel fundamental que exerce a família no meio da sociedade. Não dá para negar que é do núcleo familiar que advém os laços mais profundos de amor, de cuidado e de respeito. A convivência diária se abre para o espaço do crescimento e da aprendizagem, numa invisível construção que edifica nossas raízes e valores. Essa engrenagem chamada família tem traços tão peculiares, que um mecanismo difere do outro, formando e moldando dentro de uma história de vida, a postura e a ação de cada pessoa. Entretanto, não basta apenas ter uma formação de caráter para que estejamos aptos para formar uma “família”, tem que estar disposto a partilhar a vida com o outro, a se doar para o outro em favor de um bem em comum - a família. E nem todos têm o dom para assumir essa caminhada que é contínua e árdua. Viver uma história a dois é preciso apenas amor, construir uma família é dom! Acho que esse diálogo ainda não está em pauta em nosso meio, pois falamos sobre a família como uma instituição ultrapassada e que já não mais se enquadra nos moldes da nossa sociedade. Porém a questão não está no molde de uma estrutura familiar, nem na comunicação ou informação, ou na educação ou na cultura dos novos tempos. Quanta gente comunicativa, bem informada, com educação e inúmeros títulos que o capacitam cultural e profissionalmente, não consegue compreender a si mesmo e nem ao outro?!
O acesso a tantas coisas novas e todas ao mesmo tempo, gerou um novo modelo de vida. Tudo se esgota muito rápido, e as diferentes esferas da vida estão sendo atropeladas pela velocidade em se viver um todo sem se buscar conhecer as camadas que compõem esse conjunto que está reunido em nosso ser.
A transitoriedade e a velocidade do tempo é também o mesmo princípio pela qual passa as relações humanas, dimensionadas no sentido e na direção desse novo momento. Assim, podemos observar que hoje o conhecimento não é experimentado, o amor deixou de ser compreendido, o sexo não é compartilhado e as relações não mais são cultivadas.
O eixo agora está no próprio indivíduo em relação ao tempo e a si mesmo, e desse plano a crítica se desloca para dentro de nós mesmos: assumir o que somos e o que queremos para nós e para o mundo, atentar para os nossos dons, nossas vontades, ao que realmente almejamos viver; pois só assim viveremos plenamente e mais felizes! E as famílias serão edificadas por pessoas que realmente estão preparadas para repartir e para partilhar a vida, o espaço e o tempo. Pois maior que o amor, é a disposição e a vontade de edificar uma família, porque educar, cuidar, compreender, respeitar e amar não é tarefa fácil e para todas as pessoas, e quem não está preparado para repartir e partilhar, também não está preparado para formar uma família. O caminho para se trilhar o que a vida impõe ao longo da nossa passagem muitas vezes é cercado de pedras, e para passá-las não se pode deixar a família para trás. Família é o elo da humanidade que está se rompendo e sendo substituído por outros valores que não se encaixam dentro de qualquer estrutura familiar.
Lia Coelho
Publicado no Recanto das Letras, em 05/02/2010.
