MEUS QUERIDOS… (II)
Enviado por Zé Domingos
A “tabela” entre Francisco de Paula Correia Monteiro de Almeida e Adilson Sierpinski, galicianos, amigos de infância e adolescência, em comentários neste site na matéria “Galícia, uma região pouco lembrada”, me empolga pelo reencontro dos amigos e pelas lembranças de ambos sobre esta área tão importante e querida de nossa Curitiba.
O Francisco, que o Adilson informa ser chamado de Chiquinho, em sua mensagem me trata de “querido” por tê-lo transportado numa viagem pelo “túnel do tempo”, revivendo bons momentos e isto toca fundo no sentimento, levando-o a emoção e ao agradecimento.
Ele cita a esposa e as filhas e quando se enfoca família é algo que valoriza, e muito, qualquer relato, pois reforça a mais importante de nossas instituições e que, infelizmente, não é respeitada, fazendo com que os problemas sociais sejam ainda maiores.
Francisco destaca o Adilson como técnico do Brasinha, um time de garotos que fez sucesso disputando uma competição, inclusive mostrada pela TV Paraná – Canal 6. Desconhecia o detalhe de que o Adilson seguiu as “pegadas” do pai, Camarão, que foi brilhante técnico de nosso futebol amador. O Luiz Antoniassi, o Luizinho, em conversa comigo disse que Camarão, embora tenha sido técnico de várias equipes, era botafoguense das Mercês de coração. Então o Adilson confirmou o velho dito popular: “filho de peixe, peixinho é”.
Francisco (Chiquinho) lembrou de seus colegas de Brasinha e depois de peladas nas canchas de areia do Circulo Militar do Paraná, os irmãos Chaves, Zé e Nando, Miguel Rocha Lima, que morava em frente à casa do Adilson, Misurelli, Waleski, Rui Pacheco, Neguinho, Marcos Martins e outros. Desta que este grupo disputou a Copa Clemente Comandulli, primeira competição oficial reunindo equipes de garotos, chamados “dente de leite”.
Ao observar o nome do Clemente, me lembro que o conheci garoto, quando era ponteiro direito do time de aspirantes do Clube Atlético Ferroviário. Chegou, inclusive, a jogar algumas partidas na equipe principal. Foi comentarista esportivo da Rádio Guairacá – ZYM 5, “a voz nativa da terra dos pinheirais”. A Guairacá, com estúdios na Barão do Rio Branco, esquina da Rua José Loureiro, em cima da Loja Hermes Macedo, tinha uma excelente equipe esportiva, onde além do Clemente participavam Colmar Rocha Braga, João Feder, Paulo César Tenius e outros que não recordo o nome no momento. Clemente, durante anos foi responsável pelo caderno de esportes da Gazeta do Povo e tive oportunidade de conviver com ele ali e também na Rádio Universo, numa equipe comandada pelo Aloar Odin Ribeiro, que também trabalhou na Gazeta do Povo e foi um dos nossos grandes locutores esportivos, passando por rádios como Cultura, Clube, Independência, Universo e outras. Clemente era um grande companheiro e a diabetes o tirou cedo, muito cedo, de nosso convívio.
Com a citação do Francisco foi possível relembrar um pouco, do muito, que foi Clemente Comandulli, um homem que com certeza o futebol do Paraná tem que tributar respeito eterno.
A Mercearia do Tadique, por mim citada, é bem lembrada pelo Francisco (Chiquinho), na Rua Brigadeiro Franco, esquina com Alameda Princesa Isabel. Lembra que ia lá comprar as famosas balas Zequinha. Zequinha, uma lenda em Curitiba, não tem piá curitibano com 50 anos, pouco mais, pouco menos, que não lembre do Zequinha, na produção do Francheski, produtor da bala e da concorrida coleção. Zequinha, disputado no bafo, no tíquete e até na bolinha de gude.
Bolinha de gude, também mencionada pelo Francisco e que relembra uma fase de nossa infância. Em qualquer espaço era comum ver a garotada disputando o jogo com a bolinhas de gude. Na mercaria do seu Tadique as bolinhas de gude eram vendidas. Por isto a “piazada” lembra bem da mercearia comandada pelo ex-jogador de futebol, que começou no Poti, passou pelo Juventus, do Batel e brilhou no Botafogo, do Rio de Janeiro.
Um detalhe citado pelo Francisco, que é desconhecido, sobre Nelsinho, filho de seu Tadique, que ele foi centro avante goleador do Juventus. Cita Levir, o Levir Culpi, hoje vitorioso treinador de futebol, atualmente no Japão, Dirceuzinho, o sempre lembrado Dirceu Guimarães, do Coritiba, do Vasco da Gama, Fluminense, Botafogo, seleção brasileira e que atuou também fora do país, prematuramente falecido em face de um acidente de trânsito no Rio de Janeiro, Toni, hoje professor, funcionário da Prefeitura Municipal de Curitiba, que atuou pelo Coritiba, com passagem pelo Colorado, os três então jogadores do Coritiba, Liminha, do Atlético, também já falecido, e Jairo, do Ferroviário, é lembrado pelo Francisco (Chiquinho). Lembro de todos, pois os vi jogando, inclusive o Jairo era filho de seu Tirso, um militar, que levado pelo Osvaldo Maçaneiro, também militar, o auxiliava nas funções de massagista do Clube Atlético Ferroviário.
Fala do Edson, ponteiro esquerdo do Coritiba e diz que ele jogou no Poti e tenho minhas dúvidas com relação a isto, pois acho que ele foi direto para o Coritiba, começando no juvenil e ainda garoto foi para o profissional, onde jogou uns dois anos e parou em face de um problema de joelho. Sempre encontro o Edson na cancha do Gera, no Santo Inácio, onde todas às sextas-feiras participa de um grupo de pelada e depois, com seu violão, anima a turma em meio a uma boa comida e a uma boa bebida. Lembro-me que pode ser o mais novo da turma que jogava no Santa Cruz, um time da Visconde de Nácar com Alameda Princesa Isabel, ali perto do Grupo Cleto, era chamado de Miniatura. O Edson é um bom amigo e quando nos encontramos sempre lembramos dos tempos passados, embora ele seja bem mais novo, mas vivemos na mesma região.
Citei o Grupo Cleto e o Francisco informou que estudou ali. É um estabelecimento ao qual devo agradecimentos, pois, completei o curso primário naquela casa e quando passo por ali as recordações são fortes. Meus filhos, Magno Marcos e Márcio José, cursaram o ensino fundamental no Cleto e recordar esta escola é por demais gratificante.
Falou do Luiz Carlos Massa, o Massinha, hoje colunista esportivo da Tribuna do Paraná, dizendo que também estudou no Cleto e que jogou bola com ele. Massinha era bom jogador, ponteiro esquerdo, atuou pelo Coritiba e, levado pelo Ozires, jogou algumas partidas pelo “Os Desavergonhados”. Faz muito tempo que não o vejo, mas sempre que possível estou lendo sua coluna.
Citou ter jogado no campo chamado Chacrinha, onde hoje está prédio da TELEPAR e informo que tal campo surgiu da idéia de um tal de Zé Domingos. Havia um time chamado Aymoré formado por garotos moradores das proximidades da Caixa D’água, localizada na entrada da chacrinha próximo à Igreja de São Vicente de Paula e que jogava aos sábados à tarde no campo que tinha sido do Paranazinho, na Travessa Teixeira de Freitas, cedido pela Igreja Presbiteriana Independente, proprietária da área, mas em dias de semana não tinha onde se bater uma bola e assim convidei os amigos e lá fomos para chacrinha: capinar, limpar, colocar traves e surgiu ali ao lado das pereiras, nos fundos da casa do senhor Ludovico Zanier, proprietário das Gasosas Zanier e da residência da família Teixeira de Freitas, o campo do Aymoré, que ficou conhecido como Chacrinha. O campo funcionou anos, até que as obras da Telepar foram iniciadas e o campinho desapareceu. Muita gente boa de bola deu seus chutes por ali.
Esta recordação mexe comigo lá no fundo e já vou me lembrando dos irmãos Bodachene, Luiz e Fernando, o primeiro conceituado médico geriatra, tinham um irmão mais novo: o Lolô, uma irmã que casou com um delegado de Policia, residente em Santa Felicidade, Eros, artista plástico, residente em Morretes, irmão da Gilka Castilho, casada com o famoso jornalista e homem de publicidade Norberto Castilho, João Rubens, funcionário aposentado da Receita Estadual, Dércio, também aposentado da Receita Estadual, Acir Pie, filho do proprietário do Café Rei, cuja fábrica ficava na Rua Visconde de Nácar, quase esquina da Rua Padre Agostinho, Eli Aquino Borges, famoso arquiteto, Adilson Moraes Seixas, premiado professor de Educação Física, trabalhou em clubes de futebol e tornou-se diretor de faculdades, trabalhando na Tuiti e na Católica, Eugenio Bertoli, Renato Ristow, Silvio Teixeira Pinto (Silvinho), se não estou enganado, engenheiro. Isto para lembrar de alguns que participaram do grupo que fez o campo e jogou bom tempo por ali. As saudades vão apertando.
O Francisco falou do Cachuba, da Prudente de Morais, uma família tradicional, proprietária de um restaurante dançante que marcou época ali na Prudente de Morais perto da Rua Tinguis, hoje Isaias Bevilaqua, onde reside o Adilson Sierpinski, do Buskei, da Visconde do Rio Branco, tinha uma mercearia e, inclusive, Osvaldo Buskei se tornou deputado federal. Foi naquela eleição em que alguns candidatos do MDB fizeram muitos votos e ele, mesmo com votação pequena, foi parar em Brasília, como Deputado Federal. O Francisco informou também que é morador da Rua Visconde do Rio Branco, então não estamos longe porque resido na Rua Clotário Portugal.
Miguel, o padeiro que fazia a entrega dos pães à tarde, é lembrado e recordo então dos padeiros que madrugavam deixando pães nas portas das casas, os leiteiros deixavam os litros de vidros com um tampa de papelão na boca e ninguém mexia. Bons tempos e que lamentavelmente não voltam mais.
Falou dos chineques, dos sonhos (era vidrado nos chineques e nos sonhos e até hoje, às vezes, ainda os saboreio, mas não são mais como os de antigamente). Os pães d’água eram comidos sem recheio, uma delícia.
Citou a mercearia do seu Ramon, na Rua Prudente de Morais com a Rua Padre Agostinho. Lembro desta mercearia, ela ficava embaixo da casa da família Ristow, vinda da Palmeira e entre eles, Lineu, o centro avante artilheiro e ídolo do Poti, que depois jogou no Água Verde, já falecido, e que se tornou meu amigo pessoal, como seus irmãos Dirceu e Renato. O ultimo, amigo de infância e o Dirceu chegou a jogar no Poti, mas, não com o brilho do Lineu, que era ótimo jogador. Acho que o nome do dono desta mercearia era Romeu e não Ramon, ele foi depois foi proprietário do Templo dos Licores, no Porto de Cima, Morretes. Houve época, isto bem mais tarde, em que minha madrinha, Tide Fontanelli, esteve à frente desta mercearia.
As matinês no Cine Mercês, o cinema dos freis capuchinhos, ao lado da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, eram frequentadíssimos, como bem lembrou o Francisco. Ele falou que depois das sessões tinha a visita obrigatória ao bar da esquina para tomar picolé e vacila se era Bar Botafogo e é mesmo Bar Botafogo, que até hoje funciona no mesmo local, mas com um atendimento diferenciado há muitos anos. Deixou de ser aquele bar popular, tornando-se mais sofisticado, mas freqüentado por gente da melhor qualidade. Valeu Chiquinho! As suas lembranças me levaram a fazer nova viagem pelo tempo e elas são por demais positivas e gostosas.
Em cima das recordações o Adilson Sierpinski, que me havia encaminhado um comentário anterior, passou outro e vou abordá-lo dando umas “pitadas”. Com grande satisfação e emoção você me trouxe a recordação de nossa infância, juventude e dos seus irmãos Raimundinho, Antonio Carlos, Tadeu, Maria Pia, Teresa e seus irmãos mais novos, das festas juninas, onde não podiam faltar as comidas típicas.
Sobre as festas juninas destaco que foram muitos fortes na região destacando-se as promoções do Operário Mercês, que ainda mantém a tradição, embora não com a mesma intensidade como daqueles tempos que a festa se arrastava por todo mês, Botafogo, Poti e outros clubes. O Adilson mencionou o João Branco (Natal), com quem encontro sempre no centro da cidade. Agora ele está branco mesmo. Ele foi um excelente jogador de futebol, como bem lembra o Adilson, atuando no Guarani, de Ponta Grossa, no Água Verde, onde foi campeão e na seleção paranaense. Era um craque e deixou saudades. Quem o viu jogador lembra da sua categoria, de seu chute forte. Era canhoto e atuava como meia. Um senhor jogador de futebol. Contou o Adilson que o Natal morava com o João Preto, na Prudente de Moraes, e eles vendiam salgados confeccionados em sua casa.
A emoção maior que o Adilson me trouxe, nas suas linhas, foi relembrar o Mauro Carriel, na verdade Mauro Edson Carriel, torcedor do Coritiba, radialista e funcionário da Copel, falecido recentemente, que foi um amigo, um companheiro, além de colega trabalhamos durante anos na Rádio Colombo e o Mauro, que depois de aposentado da COPEL, mantinha um curso de locutores, foi dono de uma das mais lindas vozes do nosso rádio e ótimo narrador de futebol, como apresentador de programas. Lembro de “A Guanabara é o Limite”, um programa de perguntas que levava o participante ganhador a uma viagem ao Rio de Janeiro. Era dono absoluto da audiência no começo das tardes de domingo. O Mauro, segundo o Adilson, morava na Rua Isaias Bevilaqua, mas lembro dele morando na Rua Martin Afonso com a Rua Prudente de Morais. Depois, já casado, foi residir no Conjunto Solar, Bacacheri. Era ouvinte de meu programa pela Colombo todas as manhãs e seguidamente me telefonava. Quando faleceu estava viajando e quando cheguei recebi a triste noticia. Este com certeza está com o Senhor porque era um homem bom, bom demais. Lembro-me que se preocupava com a saúde da esposa e cuidava com extrema atenção e eis que foi antes que ela. São coisas da vida.
Mencionou o Civan, que ainda mora Rua na Brigadeiro Franco, e lembrou do Armazém dos irmãos Zaneti, onde o Zanetão, jogador do Atlético, comandava. Ele cita que o Zanetão jogou com o Boluca, o conhecido advogado, jornalista, Boleslau Sliviany, que, inclusive, está se recuperando de um problema de saúde. Boluca jogou no Poti, no Juventus e no Atlético Paranaense.
Interessante que pouco antes de ler a mensagem do Adilson, em conversa com o Luizinho, ele lembrou do Armazém do Zaneti e comentou: “Zé, você não falou naquele jantar da turma das Mercês, do armazém Zaneti, que era dirigido pelo Otávio Zanetti, que foi zagueiro do Atlético e também não falou na rádio, como não fez referências no site” e isto é verdadeiro. Então, me preparava para fazer a lembrança do Luizinho e recebo o reforço no texto do Adilson. Aliás, o Luizinho afirmou: “Viu Adilson, seu pai era botafoguense e inclusive foi técnico do Botafogo”. Enfim, meus queridos, obrigado pelas participações, pelas lembranças, que me trouxeram outras e espero encontrá-los brevemente para “aquele bate papo de galicianos e curitibanos de quatro costados”. Um grande abraço e qualquer novidade me passem e-mail contato.josedomingos@hotmail.com ou liguem 9972-0129 ou 9165-1212, em qualquer horário. Se você tem alguma história ou estória, tem algo a destacar informar entre em contato, pois a sua participação é muito importante. Obrigado!
José Domingos Teixeira
Zé Domingos




Lia Comandulli disse:
setembro 8th, 2010
15:49
Bom dia Zé Domingos,
Tudo bem? Quero agradecer as belas palavras em relação ao meu pai e deixo meu contato para, se possível, nos comunicarmos sobre Clemente Comandulli, aproveitando a Copa em Curitiba.
Abraços,
Lia Comandulli
lcomandulli@hotmail.com
Celular; (41)91046201
ana disse:
janeiro 21st, 2011
13:48
olá,
gostaria que vc me desse o paradeiro, (contato), do Edmilson Sierpinski, pois pertenço a essa ramificação de famila e presiso descobrir nosso contatos na Polônia.
Abraços
adilson l. sierpinski disse:
janeiro 31st, 2011
18:04
ze domingos cada vez que leio fico com o coração apertado e com olhos lacrimejando de tanta coisa boa que tivemos e pode fornecer o meu email para ela so que não é Edmilson e sim adilson
abraços
Adilson