CASARÃO HISTÓRICO EM IRINEÓPOLIS – SC

Enviado por Zé Domingos

Tocante, emocionante, o entusiasmo em que o engenheiro civil, vereador por três mandatos em Porto União, Santa Catarina Roberto Domit Oliveira, informa detalhe por detalhe em torno de móveis e objetos recolhidos a um casarão de 83 anos, localizado na entrada da pequena e simpática cidade catarinense de Irineópolis, que tive o grato prazer em conhecer recentemente diante convite do amigo Farid Faret, ali nascido.

O casarão mantém a marca da tradição, do amor e do respeito. Tudo mantido graças a dedicação de anos do Dr. Roberto. Ele acompanhou seus avós Sofia e o poderoso coronel Joaquim Domit, um conceituado líder político da região, moradores do palacete de madeira de 800 metros com diversos cômodos na parte debaixo e também no sótão. As casas antigas quase todas tinham sótãos, onde normalmente ficavam os quartos da prole.

Mas, no caso Sofia e Joaquim, estas peças eram usadas por visitantes, pois o casal apenas teve uma filha Georgete, justamente a mãe de Roberto e Georges, casada com o advogado Josué de Oliveira, que morreram antes que Sofia.

A casa mantém tanto na parte externa, fachada, com em seu interior o mesmo panorama de quando surgiu. Quem ali chega se transporta a uma longa viagem pelo tempo e observando objetos, móveis, ouvindo os detalhes relatados pelo ex vereador, se tem uma verdadeira e bem ilustrada aula de história.

Ele destaca orgulhosamente que seguidamente estudantes de várias faculdades, de diferentes cidades brasileiras, professores, historiadores, pesquisadores, curiosos e pessoas de diferentes seguimentos da sociedade ali comparecem e se extasiam com o que vêem.

Os levantamentos tem servido para universitários realizarem defesas de teses, de professores levarem informações e conhecimentos a seus alunos. Este parece ser o grande pagamento para o Dr. Roberto, que não tem medido esforços para manter o casarão sempre bem cuidado, bem como tudo o que existe em seu interior e em seu entorno. Inclusive observa-se junto a fazenda de 2 mil e 500 alqueires que em seus grandes momentos tinha mais de 150 operários, materiais que evidenciam ter ali funcionado uma serraria, enfim uma madeireira.

Em meio as informações sobre os materiais da casa, Roberto, exulta que a casa de seus avós foi visitada por nove governadores de Santa Catarina e inclusive por um presidente da República, Nereu Ramos, importantes políticos e personalidades.

Nereu Ramos, assumiu a presidência em função de ser presidente da Câmara Federal e no auge de sua atuação política faleceu num desastre aviatório ocorrido em Curitiba, no bairro do Guabirotuba, onde faleceram vários outros políticos do vizinho Estado, inclusive o governador Jorge Lacerda. Este acidente aconteceu há mais de 40 anos, talvez perto de 50 e lembro que começava como repórter e estive no local fazendo cobertura do mesmo para a Rádio Clube Paranaense - B-2.

Roberto, lembra que seu avó Joaquim Domit, era adepto da União Democrática Nacional - UDN, um dos mais fortes partidos políticos da época com disputa constante com o Partido Social Democrático - PSD. Mesmo assim recebia políticos de outros partidos, até do arqui rival PSD. Nereu Ramos, era do PSD e foi festivamente recebido pelo coronel Domit. As festas no casarão eram constantes e sempre desenvolvidas dentro de um cerimonial especial com talheres de prata, jogos de taças, copos de cristal, louças, estrangeiros, de alta qualidade, jogos estes intactos e guardados com todo cuidado no casarão. A casa recebeu tudo de mais luxuoso e requintado da época, realmente o bom gosto do casal fica evidente. Além do luxo o conforto com luz elétrica, telefone, rádios e até o urinol ou mais popularmente pinico no bidê ao lado da cama do casal, no quarto principal da moradia, estão lá. Tudo original.

Hercílio Luz, famoso político catarinense que inclusive cede seu nome a importante ponte em Florianópolis, era amigo pessoal do coronel Joaquim Domit. Irineu Bornhausen, Antonio Carlos Konder Reis, Jorge Bornhausen, Esperidião Amim, foram alguns dos governadores que visitaram o casarão do antigo distrito de Valões, transformado exatamente há 47 anos, em município pelo então governador Irineu Bornhausen, daí mudar a denominação de Valões para Irineópolis.

Na área da propriedade se observa um lago e o engenheiro civil e político como o avó, Roberto, conta que o mesmo serviu para sustentar uma pequena hidrelétrica que fornecia luz ao casarão e a vila de Valões. Tal usina segundo o Roberto, funcionou até os anos quarenta e fazia parte de um complexo agro industrial montado pelo coronel Joaquim Domit, no ano 20. Joaquim, era um homem inteligente de visão futura extraordinária, além de ser extremamente culto.

Hoje ainda é possível se relembrar de que ali funcionaram serraria, indústria de erva mate, uma das grandes forças econômicas da época, moinho de trigo e hidrelétrica, pois há sinais destas importantes e avançadas realizações. O casarão continua imponente e mostra a importância daquele que comandou a sua construção e realmente era imagem da vila política e econômica da região, localizada há pouco mais de 40 quilômetros de Canoinhas e a mesma distancia de Porto União.

De Curitiba, aproximadamente 230 quilômetros. O Dr. Roberto, cujo pai Josué de Oliveira, também foi vereador em União da Vitória, é mesmo obcecado pela manutenção do patrimônio histórico, tanto é que quando seu irmão Georges, disse que iria vender sua parte, imediatamente se credenciou para a compra e a realizou. Hoje como proprietário sonha completar a revitalização do casarão e de ter visitas muitas visitas no local.

Solícito, pronto, disposto e especialmente comunicativo, Roberto, vai abrindo gavetas dos móveis do escritório do Coronel Joaquim e vai mostrando documentos, telegramas, cartas, papeis diversos, enviados por governadores, para o chefe político da região. Tal documentação é um acervo da história de Valões, a hoje Ireneópolis e também de Santa Catarina.

Tudo muito bonito, não é mesmo, mas a luta era grande, os desafios eram diários e havia a necessidade de colonizar a região e o coronel Domit, vendia áreas por preços acessíveis justamente para atrair novos moradores e trabalhadores. Foi mesmo um pioneiro, um desbravador e dentro da sua liderança política e por ser udenista chegou a receber pressão na era de Getúlio Vargas, durante a revolução de 1930. Durante algum tempo Joaquim Domit, foi vigiado diuturnamente por componentes do governo Vargas, mas certamente notando ser um homem de bem, o deixaram em paz. Ele continuou a sua lida em favor da região.

Notei o cuidado de Roberto, para manter em perfeitas condições uma máquina de escrever Royal, fabricada em 1.925, nos Estados Unidos, um telefone a manivela ainda preso a parede, um enorme rádio receptor, máquina de lacrar envelopes, folhas de gelatina usadas para fazer cópias de escritos, uma espécie de xerox dos dias de hoje, caneta de pena, tinteiro, uma vitrola ainda em funcionamento e com um disco 78 rotações do Trio de Ouro, já gasto pelo tempo o disco não apresenta mais aquela qualidade, mas ainda dá para se reviver o famoso trio comandado por Herivelto Martins, marido de Dalva de Oliveira, também pertencente ao trio. O outro componente não lembro o nome. Mas, a vitrola realmente um luxo, uma beleza. Aliás na casa tudo um luxo, a cristaleira, os faqueiros, as mesas dos banquetes, enfim muita coisa, inclusive procedente da Europa.

Um acervo fotográfico e documental notável, inclusive um diploma do advogado Josué de Oliveira, como vereador de Porto União. Recortes de jornais, fotografias diversas, entre elas uma em que aparece o médico Dr. Mothy Domit, pai do ortopedista Mothy Domit Filho, do Departamento Médico do Paraná Clube, amigo particular e sobre esta foto um texto que destaca o sempre lembrado Dr. Mothy, como conceituado médico radicado em Curitiba.

Realmente é um local que merece ser visitado, pois nos transporta a uma viagem a uma época da vida brasileira. Tive saudades em determinados momentos da casa de meus avós na rua Dr. Muricy 1.111, aqui em Curitiba. Infelizmente ela foi vendida e passou por diversos donos, perdendo muito de sua originalidade, embora a fachada e algumas de suas peças ainda mostrem o mesmo panorama. Atualmente funciona no local um restaurante.

Este casarão de Irineópolis, realmente é maravilhoso e poderia escrever mais sobre ele, mas o melhor é você ir conhecê-lo e ouvir o empolgado relato do Dr. Roberto Domit de Oliveira. Faça um contato com ele e agende sua visita. O e-mail dele é veredomit@yahoo.com.br Finalizo agradecendo a ele, Dr. Roberto e a todo o pessoal de Ireneópolis, pela acolhida inclusive ao casal Léa e Acácio Correia, proprietário da Chácara Unterstel, onde nos anos 50 e 60 funcionou um hotel, restaurante, muito freqüentado por ter uma fonte de água mineral medicinal, com excelentes resultados para tratamento de pele. Agora o casal se mobiliza para fazer funcionar novamente um estabelecimento no estilo de espaço saúde. Tudo está encaminhado, inclusive recentemente o governador Luiz Henrique, esteve em visita ao local, que diga-se de passagem é também maravilhoso e deu sinal verde para a idéia. Nesta passagem por Irineópolis, ouvi muitas historias e estórias interessantes, bem como algumas idéias políticas que merecem registro e reflexão. Tudo será relatado aqui neste site e na Rádio Colombo - AM 1.020, entre 5 e 7 horas de todas as manhãs, aguardem.

José Domingos Teixeira

Zé Domingos

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2 comentarios sobre “CASARÃO HISTÓRICO EM IRINEÓPOLIS – SC”


  1. Janaina Prado Alves disse:

    Tive a oportunidade de visitar o Casarão e fiquei encantada com tudo que vi.A casa é tão grande,tão alta,tão rica nos detalhes,é uma verdadeira volta ao tempo.Foi uma grande experiência poder saber por alguém que tambêm viveu lá,como era a rotina dos proprietários,que fizeram parte da história desse Brasil.Eu recomendo!!!


  2. domille bianca disse:

    a tipo asim… la em iripa…o casarao amarelo é muita linda….a historia dessa casa é muita legal…tem cada coisa legal…
    nossa vcs ten que visita vcs vao fik encantados…

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