VILA HAUER, 59 ANOS DE LUTAS E GLÓRIAS!
Enviado por Zé Domingos
Todos sabem de minha admiração e paixão por nosso futebol amador, chamado de suburbano, por congregar ao longo dos anos equipes de diferentes bairros da cidade. Desde 53 quando cheguei para residir em Curitiba, passei a freqüentar campos do amadorismo. O primeiro foi o Estádio Capitão Manoel Aranha, o campo do Poty Esporte Clube, o bugre da Galícia, como era conhecido e me tornei seu torcedor. Morava há algumas quadras do estádio do tricolor. O Poty tinha camisas iguais as do São Paulo Futebol Clube.
Aos domingos estava nos jogos do Poty, sendo eles no estádio onde hoje está a Praça 29 de Março, fosse nos estádios Centenário, do Operário do Ahú, Jovino do Rosário, do Bacacheri ou João Loprete Frega, do Primavera, no Taboão. Os jogos eram disputados nestes estádios por serem cercados. Outros clubes tinham campos e como não eram cercados tinham que mandar jogos nos campos cercados. Isto em relação a 1ª Divisão de Amadores.
No estádio do Poty mandavam jogos o Botafogo, que foi campeão do Centenário em 53, Celeste, União Bigorrilho, os dois do bairro Bigorrilho, eram rivais, Botafogo, das Mercês, Flamengo, do Bom Retiro, Madureira, também do Bom Retiro, Cinco de Maio, Belmonte, da Água Verde, Palestra Assungui, da Mateus Leme, hoje região do Centro Civico e Vasco da Gama, do Pilarzinho. Assim, conheci muitos dos craques do nosso amadorismo e lembro de vários deles até hoje. Conheci várias equipes e lamentavelmente várias delas desapareceram.
Acompanhei jogos do futebol amador (1ª Divisão) em 54, campeão Operário do Ahú, vice Poty, invicto. Em 55 o Poty foi campeão e o time campeão, enfim, os componentes do elenco, tenho guardados até hoje e é sempre um orgulho lembrá-los: Pedro Washington de Almeida (jornalista, radialista, escritor) o Pedrinho, um dos goleiros, o outro o também jornalista Albenir Amatuzzi, que veio do Botafogo, Walmir, Danilo Tozzo, que as vezes ainda encontro na feira da Praça 29 de Março, onde foi um dos ídolos, era o capitão do Poty, Durval, Calouro, Geraldo, Nino, Delbio, Irone Santos (que durante anos cobriu o futebol amador em jornais e rádios), Cláudio, Lineu Ristow, Nunho, Denizar, Valdemar, Bininho, Wilsoca e outros com menor participação. O técnico, sargento Alexo Snege, o homem dos bilhetinhos mágicos, como diziam os cronistas da época. Odenir Silveira, era um deles. A Rádio Marumbi transmitia jogos do futebol amador e Willy Gonzer, que se tornou um dos melhores locutores esportivos do Brasil, está hoje na Itatiaia, em Belo Horizonte, narrou a vitória do Poty frente ao Vasco da Gama, no Estádio João Loprete Frega, na decisão do título. O presidente era Jaime Benato, seu Lilo.
Ainda em 56 e 57 acompanhei a suburbana. Em 57 comecei a trabalhar na Rádio Clube Paranaense – B2 e daí ficou impossível seguir comparecendo aos jogos, porque aos domingos fazia plantão esportivo e depois fui para os estádios. Mas, sempre que possível comparecia aos campos da suburbana.
Ao deixar as transmissões esportivas, passando a trabalhar como repórter policial voltei com corpo de alma àquela paixão surgida na infância e voltei aos estádios do amadorismo.
Fui conhecendo vários clubes, dirigentes, jogadores e torcedores. Fiz inúmeras amizades nos mais diferentes bairros da cidade através o futebol. Por isto sou extremamente agradecido ao futebol suburbano, pois representa muito em minha vida. Desenvolvi o assunto até aqui para evidenciar as minhas ligações com o futebol amador, para homenagear um clube pelo qual tenho respeito, amizade e carinho especial, pois tenho grandes amigos ali, bem como o conheço desde meus 17, 18 anos, portanto há mais de 40 anos.
Refiro-me ao Vila Hauer, que chega nesta semana a data histórica de 59 anos de existência. Existência marcada por lutas, glórias, momentos de altas e também de dificuldades. Enfim, uma vida de desafios, desafios enfrentados por dirigentes dedicados, amorosos e idealistas. Lembro de Júlio Thais, Luiz Thais, Mário Thais, esta família foi propulsora do Vila Hauer e tem uma colaboração marcante nesta longa história. Gilberto Nassif, falecido recentemente, Jovino, o despachante Oliveira, que com grandes esforços estiveram a frente do clube. Emilio, o colaborador de todas as horas e em todas as situações. Wellington Mesquita Ramos e Garcia, capitães da Policia Militar, que sempre se dispuseram a auxiliar o querido Vila Hauer, Zé Carlos, o Zequinha, Altair Ferreira (Taico), Rubinho, Agenor e tantos outros.
São 59 anos e para um time de futebol chegar a este tempo houve a entrega total de muita gente, necessidade de sacrifícios e renuncia de homens e mulheres que sempre colocaram o Vila Hauer em primeiro lugar. Já que citei o Mesquita aproveito para agradecer a visita que me fez para entregar-me o convite dos festejos desta sexta feira (24). Muito Obrigado. Mesquita é como eu, um apaixonado por futebol, especialmente o de nossa suburbana.
Lembro-me do campo do Vila Hauer, onde hoje está a Praça de Santa Rita de Cássia. Ali também tinha a sede e recordo que em determinado dia, conversando com o capitão Garcia, ele lembrou que seu pai era o encarregado de atendimento da sede e ele sempre estava ajudando por lá. Este sabe tudo sobre o Vila Hauer, pois o conhece desde sua fundação. Se não estou enganado o seu Garcia, pai do oficial da PM, também foi presidente do Vila Hauer. Se não foi presidente, foi um dirigente importante.
Ao surgir e filiar-se a Federação Paranaense de Futebol o Vila Hauer foi incluído nas disputas da 3ª Divisão de Amadores ao lado de equipes como Universal, Tebé, Irani, Guairacá, União Cajurú, Cruzeiro do Sul, Bola de Ouro, Huracan São Vicente, Tingui, Rosenau, Caramuru, Estrela da Manhã, Boa Vista, Bom Retiro, Floresta, União Campo Novo, Ipê, Guaira, Vila Inah, Bloco Esportivo Capão da Amora (BECA), Novo Mundo, Seminário, Tamoio, Batelzinho, Vila Isabel, Celeste, Operário Mercês, Bangu, Pinheirão, Camponês, Trieste, Oeste Curitiba e Taunai. Fiz questão de citar todos os times para demonstrar a força do Vila Hauer e de sua gente, já que apenas Novo Mundo, Bangu e Trieste continuam em atividade. Os demais desapareceram. Por isto, estes 59 anos precisam ser comemorados em estilo especial. Isto aconteceu em 53 e o Ipê, de Santa Quitéria, de Haroldo, Reinaldo, Rato, Kunga, Bizinelli, Tico, Passarinho, Tijolinho, Oscar, Bruda e Djalma, foi o campeão. Augusto Klang, zagueiro que atuou pelo Coritiba, pai do Ronaldo Klang, que também brilhou como zagueiro no profissionalismo e também em equipes da suburbana, era o técnico. Mas, o Vila Hauer foi campeão do torneio, tradicional naqueles tempos.
Em 1.966 o Vila Hauer vivia um momento de glória, ganhando o titulo da 2ª Divisão de Amadores e o repetiu em 67, tornando-se bi campeão. Eis alguns dos heróis daquelas memoráveis conquistas: Dedi, goleiro que também brilhou no Bloco Morgenau (profissional), Mário Thais, Taico, que jogou pelo Ferroviário e pelo Bloco Morgenau, Antoninho, Luiz, Flávio, Rubinho, que jogou também pelo Iguaçu, de Santa Felicidade, como profissional passou por Apucarana, Água Verde e Atlético Paranaense, até hoje está sempre acompanhando o Vila Hauer, Pelé, Zeno, Irineu, França (este um dos grandes craques que observei no nosso amadorismo e que faleceu há alguns anos, deixando muitas saudades) e Walmir. No ano do bi o grupo era praticamente o mesmo, mas ainda verifico as presenças de Luemir (o Cachaçinha), que tinha sido profissional pelo Ferroviário, Geraldo, que também jogou em equipe profissionais, Beto e Vero. Foi uma fase de ouro do querido e guerreiro Vila Hauer. O vice foi o Clube Atlético Rosenau, da Boa Vista, desaparecido há muitos anos.
Um momento difícil foi vivido pelo Vila Hauer, lá pelos anos 77, 78, quando a Prefeitura Municipal anunciou que a área ocupada pelo campo do clube seria usada para a construção de uma praça e então os dirigentes se mobilizaram em contatos políticos visando conseguir outra área. Donato Gulin, então presidente da Câmara Municipal, foi procurado e ao tomar conhecimento da situação conversou com o vereador João Derosso e este conversou comigo, que era também vereador. Derosso sugeriu que o terreno cedido para o campo de futebol do Sindicato dos Ensacadores era grande e tinha espaço para dois campos. Foram abertos os entendimentos e o Vila Hauer ganhou seu novo espaço e tem ali até hoje o seu estádio denominado de Donato Gulin, justamente por esta participação do então vereador, presidente da Câmara Municipal. Houve também colaboração do então Deputado Luiz Roberto Soares, que depois foi secretário estadual do Esporte. Lembro-me que quando estava tudo sacramentado houve uma churrasco na casa da família que representa a fundação e a vida do Vila Hauer, a família Thais.
O Vila Hauer voltou a ser campeão em 95, quando já estava na 1ª Divisão, Módulo Verde, com Tedeschi (goleiro procedente do Atlético Paranaense), Paulinho, Jaime, Dunga, Davi, Marildo (campeão brasileiro pelo Coritiba em 85 e que antes de atuar pelo Coxa, atuara pelo Colorado, onde apareceu para o futebol), Carlinhos (ex Colorado, com passagem por outras equipes profissionais), Marinho (o lendário Mário Rocha, astro durante anos do Colorado, Guarany de Campinas, Misto do Mato Grosso e outras agremiações profissionais, mas foi no Colorado, que deixou a sua marca maior, embora tenha sido campeão pelo Pinheiros, era mesmo um craque), Ronaldo (ponteiro direito do Coritiba, chamado de Lobisomem), Ira (passou pelo Rio Branco de Paranaguá), Márcio Fernandes, (também com passagem pelo Atlético Paranaense e outras equipes profissionais), Tostão (o craque com passagens pelo Cruzeiro, de Belo Horizonte, Coritiba e outras grandes equipes brasileiras), Cabelo, Figueiredo, (zagueiro com atuação em equipes profissionais do interior do Estado), Augusto e Everson. O vice-campeão foi o Iguaçu, de Santa Felicidade. A equipe do Hauer era uma verdadeira seleção.
Em 1.999, com outra seleção: Tedeschi, Salário, Dunga, James, Alessandro, Ricardinho, Eduardo, Everaldo, Carlinhos, Pedrinho, Júnior, Everson, Ede, Vagner, Ronaldo, Nego e Cigano, voltava a ser o campeão. O vice foi o Capão Raso. O Hauer ainda teve várias outras conquistas, mas as principais foram estas.
Para encerrar esta homenagem ao Vila Hauer, nos seus 59 anos, tenho que enaltecer o trabalho que vem desenvolvendo há vários anos como presidente, Vilson Luiz Dias, o Vilsinho. Sei que muitas vezes deixou seus interesses particulares e profissionais de lado para dedicar-se ao clube. Enfim, prejudicou a sua vida particular para cumprir com o ideal e viver o amor por seu Vila Hauer. Ele merece o agradecimento e o aplauso de todos que viveram e vivem a tradicional agremiação.
O programa de festejos elaborado pelo coordenador Silvio A., Maciel, está assim elaborado:
18 horas – Início, 18 horas e 15 minutos – Abertura oficial das festividades com hasteamento das bandeiras do Brasil, do Paraná e do Vila Hauer, com Hino Nacional, apresentado pela Banda de Música da Policia Militar do Estado do Paraná.
19 horas – jogo comemorativo entre diretoria do Vila Hauer e convidados x Desavergonhados (retornando a atividades após alguns meses de paralisação, comandado por um dos fundadores do grupo, o amigo Osíris Banks Machado).
Estarei lá com a camisa 11, pelo menos um tempo, porque tenho outro compromisso também ligado a futebol, que é um jantar na chácara do vereador Derosso, Sapolândia, para um grupo de garotos que estará representando o futebol brasileiro numa competição internacional programada para a Suíça. Mas, depois voltarei ao Vila Hauer, para a seqüência da festa.
20h30 – Vila Hauer (Quarentinha) x Butantã, do Leônidas Dias.
22 horas – Entrega do Troféu Vila Hauer aos homenageados e em seguida confraternização com churrasco e chope. Parabéns ao Vila Hauer, especialmente àqueles que ao longo destes 59 anos fizeram a sua história, com luta, sacrifício, garra e, principalmente, amor!
José Domingos Teixeira
Zé Domingos




Roberto Augusto disse:
junho 23rd, 2009
10:48
Bom Dia…!
Eu sou neto do Antonio Lazzarotto,que foi treinador do Vila Hauer. Em i966,1967 e 1970 foi campeão da 2ª divisão…Meu avô guarda suas faixas até hoje…
Obrigado Pela Atenção …..
Se puderem me Responder Eu Agradeço…!
osires disse:
agosto 19th, 2009
11:49
OLA A TODOS….
MEU NOME É OSIRES, SOU SOBRINHO DO RUBINHO, QUE JOGA NOS VETERANOS DO VILA HAUER, E TEM UMA HISTÓRIA SUPER INTERESSANTE NO CLUBE.
GOSTEI DA MATERIA.
PARABÉNS.
RAFAEL disse:
agosto 22nd, 2009
0:33
TUDO BEM A TODOS
SOU IRMÃO DO PILE, CAMPEÃO DO VILA HAUER DE JUNIORES EM 1982, SE CASO VOCÊIS TIVEREM FOTOS DAQUELA ÉPOCA PODERIA PASSAR PARA MIM AGRADEÇO….
OBRIGADO…
RAFAEL
IVO GOMES CORDEIRO disse:
agosto 9th, 2010
21:13
gostaria de ver se vcs tem foto do tempo que o vila HAUER jogava aonde hoje é o sentro eletronico da vila hauer juvinil tinha o goleiro LEONEL QUE DEPOIS FOI JOGAR NO PROFISSIONAL ai pelo norte se alguem tiver fotos daqueles tempos me mande pelo orkut que é ivo.elida@yahoo.com.br eu também fui jogador naqueles tempos eu hoje estou com 55 anos e os thais foram meus vizinhos pois eu morava na rua bartolomeu lourenço de gusmão quantas sudades daqueles tempos, sei que um dos filhos dos thais jogou no agua verde eu era dente de leite gostaria que me mandassem algumas fotos do vila do passado 64 até 86.
André disse:
setembro 3rd, 2010
9:20
Só uma observação, nasci na frente do campo do Vila Hauer, isso em 1959, porém, não era na frente da Igreja e sim ao lado onde hoje é o HSBC, nas quadras formadas pelas ruas Padua Fleury, Rua São Bento, Rua Professora Maria Assumpção
Um abraço
André
sandro jose amaral disse:
outubro 13th, 2011
22:57
joguei no vila hauer em 1982, fomos campeão de juniores.